Fazenda anuncia cooperação com EUA para combater crime organizado

Foco da medida é fomentar interceptação de remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes entre os dois países

atualizado

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1 de 1 ministros-da-fazenda-dario-durigan-metropoles-1 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou, nesta sexta-feira (10/4), uma cooperação mútua entre a Receita Federal do Brasil (RFB) e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos, para o combate ao crime organizado transnacional.

O acordo foi batizado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team). O objetivo é integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes.

O principal foco do acordo é no combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A iniciativa prevê a integração de esforços de inteligência dos dois países e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes.

A parceria será amparada por um arcabouço legal já existente no país e tem como uma de suas principais entregas o programa Desarma, que permitirá o compartilhamento em tempo real de informações entre os países.

A ferramenta tem capacidade de registrar e organizar dados estratégicos das apreensões, permitindo o rastreamento da origem dos produtos e o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas.

De acordo com o ministro da Fazenda, o acordo inova ao ampliar o compartilhamento recíproco de informações entre as nações. Ele citou o exemplo da tecnologia Remote Targeting, dos Estados Unidos, que passará a fornecer dados de inteligência para o Brasil.

“Há uma espécie de raio-X do que sai dos portos dos Estados Unidos e vem para o Brasil, dos containers e de outras informações. A partir desse primeiro raio-X, dessa informação de imagem bruta, há uma informação de inteligência dos Estados Unidos que, casada com a informação bruta, é encaminhada à distância de maneira digital e com fluxo contínuo dos Estados Unidos para o Brasil, o que nos permite, dentre outras informações, identificar armas e drogas que podem estar a caminho”, explicou o ministro.

Diálogo

Conforme a Fazenda, a cooperação está inserida no contexto do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que faz parte uma colaboração mais ampla de cooperação bilateral.

A ideia do governo federal de buscar uma parceria com os EUA para combater o crime organizado transnacional foi tornada pública após operações com participação da Receita Federal, como a “Operação Poço de Lobato”.

“Isso (parceria para combate ao crime organizado) vai ser objeto de debate entre as autoridades brasileiras e estadunidenses para chegar a um acordo de cooperação nesse sentido”, afirmou o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no dia 27 de novembro de 2025.

Conforme Haddad, o estado de Delaware estaria sendo a base no exterior para operações ilegais. “Estão utilizando o estado de Delaware, nos Estados Unidos, para operações de lavagem de dinheiro. A operação envolve a abertura de dezenas empresas. No esquema, você faz um empréstimo para fundos e voltam (para o Brasil) os recursos na forma de aplicação”, descreveu o ministro que disse que só uma das operações ilegais teria sido no valor de R$ 1,2 bilhão.

Haddad chegou a receber o encarregado de negócios e representante diplomático interino dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, na sede da pasta, em Brasília, no dia 4 de dezembro de 2025. Em janeiro, o Metrópoles procurou autoridades brasileiras e norte-americanas, mas elas silenciaram após mais de 50 dias da reunião entre Haddad e Escobar.

Poço de Lobato

A operação teve como alvo uma empresa do setor de combustíveis que teria causado prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federal. Foram emitidos naquele dia 190 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, na Bahia, no Maranhão e no Distrito Federal.

Em atualização.

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