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Mundo

Governo celebra vitória democrata e avalia efeitos na relação com os EUA

Em derrota para Trump, democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato

05/11/2026 04:30
Andrew Harnik/Getty Images
Donald Trump e Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu como positiva a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, nos Estados Unidos (EUA). Agora, a gestão petista aguarda os desdobramentos do novo cenário político para avaliar o futuro das relações entre os países.

No pleito realizado nessa terça-feira (3/11), os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, em uma derrota para o presidente Donald Trump. Juntas, as Casas compõem o Congresso norte-americano.

Os democratas também obtiveram resultados importantes nas eleições para o comando dos estados, vencendo em locais antes chefiados por republicanos, como Geórgia, Iowa, Texas, Ohio e Nevada. Confira como fica o mapa dos EUA com o resultado das eleições:

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A chamada “onda azul” foi celebrada por aliados e integrantes do governo Lula. Nas redes sociais, governistas destacaram a “derrota acachapante” de Trump e fizeram paralelos com a vitória do petista nas eleições presidenciais brasileiras.

Como mostrou o Metrópoles, o governo brasileiro esperava o resultado do pleito para definir os rumos das relações entre os países, que ficaram estremecidas nos últimos meses por uma série de divergências políticas e comerciais.

A expectativa é que, passado o pleito, as negociações sobre temas da agenda bilateral possam ser destravadas. Entre os assuntos pendentes está o tarifaço imposto pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. As conversas entre os negociadores foram retomadas em agosto, após uma ligação entre Lula e Trump, mas ficaram suspensas em meio ao período eleitoral.

A partir da nova composição do Congresso dos EUA, os democratas terão mais poder para barrar propostas do governo, além de ampliar a fiscalização sobre a administração Trump. A mudança também pode dificultar a aprovação de projetos defendidos pelo presidente nos próximos dois anos.

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Boneco inflável de Trump segurando Lula preso, em ato de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo
Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Lula e Trump
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Lula e Trump

Alice Rabello
Boneco inflável de Trump segurando Lula preso, em ato de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo
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Boneco inflável de Trump segurando Lula preso, em ato de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo

Sam Pancher/Metrópoles
Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Ricardo Stuckert/PR
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

Reprodução/ Ricardo Stuckert/ PR

O novo cenário tende a ser favorável para o governo Lula. A avaliação é que a maioria de democratas no Congresso pode viabilizar discussões sobre temas importantes para a agenda internacional do presidente brasileiro, como meio ambiente e a regulação das big techs. Aliados lembram que a campanha eleitoral brasileira foi marcada por “desequilíbrios” na atuação de plataformas digitais, sobretudo a Meta.


Vitória democrata

  • O resultado parcial das eleições de meio de mandato aponta que os democratas conseguiram maioria no Senado e na Câmara.
  • O pleito colocou em disputa 35 cadeiras no Senado, 36 cargos de governador e todas as 435 cadeiras na Câmara dos Representantes.
  • Os democratas ultrapassaram as 50 cadeiras no Senado e 218 na Câmara — o suficiente para garantir maioria nas duas Casas.
  • Até as 18h dessa quarta-feira (4/11), o partido também havia elegido 28 governadores contra 20 dos republicanos.
  • A eleição ocorre no momento de maior desgaste da administração do presidente republicano, Donald Trump.
  • O titular da Casa Branca e aliados culparam a guerra contra o Irã pelo resultado nas urnas.

Crises

Nos últimos meses, a relação entre o Brasil e os Estados Unidos tem sido marcada por idas e vindas. Além do impasse sobre o tarifaço, houve o episódio da limitação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e, mais recentemente, a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições brasileiras, que teria sido apoiada pela Casa Branca.

Descumprindo uma decisão judicial, o senador deixou o país com destino a Miami, na Flórida. O governo norte-americano concedeu visto de permanência no país. Além disso, os Estados Unidos foram um dos poucos países a não reconhecer oficialmente a vitória de Lula. Trump chegou a sugerir fraude nas eleições, sem apresentar provas.

O Palácio do Planalto adota cautela e evita reagir às declarações do republicano para não escalar a crise. O governo quer se distanciar de eventuais desgastes e evitar que o episódio seja usado politicamente.