Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Matheus Leitão

Vitória da diversidade nos EUA impõe limite a Trump e pode ajudar o Brasil

Democratas ampliam força no Congresso em eleição de marcos históricos; resultado pode por pressão sobre tarifas contra países como o Brasil

04/11/2026 12:47
Patrick Smith/Getty Images
Foto colorida de Donald Trump - Metrópoles

A eleição americana trouxe uma vitória da diversidade e uma derrota política para Donald Trump. Mulheres negras e indígenas, um muçulmano e um homem abertamente gay romperam barreiras históricas numa votação que pode tornar mais difíceis os dois últimos anos do mandato do presidente.

Uma estimativa recebida pela coluna aponta 258 cadeiras democratas contra 177 republicanas na Câmara dos Representantes. Se confirmada, será uma vantagem de 81 deputados, com os democratas bem acima dos 218 necessários para controlar a Casa.

Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora na história dos Estados Unidos. Também será a primeira mulher e a primeira pessoa negra a governar o estado. No Novo México, Deb Haaland, do povo Laguna Pueblo, foi eleita a primeira mulher indígena governadora do país.

O Senado também terá rostos inéditos. Peggy Flanagan, de Minnesota, tornou-se a primeira mulher indígena eleita para a Casa. Chris Pappas, de New Hampshire, será o primeiro homem abertamente gay eleito senador. Abdul El-Sayed, de Michigan, será o primeiro muçulmano no Senado americano.

A eleição de Juliana Stratton, por Illinois, permitirá outro marco: pela primeira vez, três mulheres negras servirão simultaneamente no Senado. Ela se juntará a Angela Alsobrooks, de Maryland, e Lisa Blunt Rochester, de Delaware.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Nos governos estaduais, Gina Hinojosa será a primeira pessoa de origem hispânica eleita para comandar o Texas. Amy Klobuchar será a primeira governadora de Minnesota; Marsha Blackburn, a primeira do Tennessee. Aaron Ford e David Crowley serão os primeiros governadores negros de Nevada e Wisconsin, respectivamente.

Amy Acton será a primeira mulher eleita governadora de Ohio — o estado já teve uma mulher no cargo por sucessão. Em Nova York, Kathy Hochul e Adrienne Adams formaram a primeira chapa inteiramente feminina eleita para governadora e vice. Adams será também a primeira mulher negra na vice-governadoria.

Annie Andrews tornou-se a primeira mulher eleita senadora pela Carolina do Sul e encerrou um intervalo de 28 anos sem vitória democrata para o Senado no estado. No Texas, James Talarico quebrou um jejum ainda maior: 38 anos. No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton venceu a primeira eleição democrata para o Senado em 94 anos, desde 1932.

Os marcos alcançaram também a Câmara federal. Adam Hamawy será o primeiro deputado muçulmano de Nova Jersey; Jeremy Moss, o primeiro homem abertamente gay a representar Michigan na Casa; e Denise Powell, a primeira pessoa de origem hispânica eleita para o Congresso por Nebraska.

A nova composição política pode aumentar a pressão sobre Trump, inclusive na política comercial. O Congresso tem competência constitucional sobre tarifas e pode alterar as leis que delegam poderes ao presidente nessa área. Uma oposição fortalecida terá mais instrumentos para fiscalizar o governo e tentar restringir essas prerrogativas.

Para países como o Brasil, isso pode abrir espaço para contestação e negociação diante de medidas tarifárias americanas. Não significa uma redução automática das tarifas: mudanças dependerão de acordos políticos, da tramitação no Congresso e da reação da Casa Branca. Mas o resultado pode elevar o custo político de Trump insistir nesse instrumento de pressão.