França não aprova “método” para capturar Maduro, diz Macron em reunião

Antes de Macron, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, considerou que a operação americana contraria o direito internacional

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O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (5/1), durante reunião do Conselho de Ministros, que o “método utilizado” pelos Estados Unidos para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não foi “apoiado nem aprovado” pela França, segundo a porta-voz do governo, Maud Bregeon.

“Defendemos o direito internacional e a liberdade dos povos”, declarou o presidente francês, conforme relato da porta-voz à imprensa. Segundo ela, Macron disse que Nicolás Maduro é “um ditador” e que sua saída é “uma boa notícia para os venezuelanos”. “Ele confiscou a liberdade de seu povo e roubou as eleições de 2024”, afirmou.

“Em terceiro lugar, a França apoia a soberania popular, e essa soberania se expressou em 2024”, disse Maud Bregeon, em referência à eleição presidencial que foi vencida, segundo a França e parte da comunidade internacional, pelo opositor Edmundo González Urrutia. Na época, a vitória foi reivindicada por Nicolás Maduro.

“Se houver transição, então o vencedor de 2024 deve desempenhar um papel central”, afirmou a porta-voz, citando Macron. O presidente francês foi criticado pela esquerda após sua primeira reação à captura de Maduro, que não mencionava o método empregado por Washington. O presidente francês não comentou a operação americana.

“O povo venezuelano está hoje livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar com isso”, escreveu o chefe de Estado no X no sábado. “Ao confiscar o poder e esmagar as liberdades fundamentais, Nicolás Maduro causou um grave dano à dignidade de seu próprio povo”, acrescentou.

‘Vergonha suprema’

No mesmo dia, Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, disse que “a posição de Macron não é a voz da França. Ele nos envergonha. Ele abandona o direito internacional”. “Dia sombrio para nosso país”, escreveu Mélenchon no X, apoiado por seu aliado Manuel Bompard, que lamentou ver “a França reduzida a felicitar os golpes de força de Trump”.

Para o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, “a França não é um Estado vassalo dos EUA, e nosso presidente não pode se comportar como um simples porta-voz da Casa Branca”. “Macron pisa hoje em toda a nossa história diplomática. Uma vergonha”, reforçou o líder dos senadores socialistas, Patrick Kanner. Uma “vergonha suprema”, declarou o líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, para quem a França foi “rebaixada ao posto de 51º Estado dos EUA”.

Antes da reação de Macron, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, considerou que a operação americana “contraria” o direito internacional. As mensagens do presidente e do ministro devem ser analisadas em “continuidade”, garantiu Maud Bregeon, acrescentando que as declarações do chefe da diplomacia foram “validadas” por Macron após discussão.

UE pede contenção

No sábado (3/1), a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu “contenção” e respeito ao direito internacional depois da ação de Donald Trump na Venezuela.

Kallas indicou na rede social X que falou com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e lembrou que a União Europeia (UE) questiona a legitimidade democrática de Nicolás Maduro. Mas “em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Fazemos um apelo à contenção”, escreveu.

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