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As eleições municipais de domingo na França, marcadas por forte abstenção e pelo avanço expressivo dos partidos situados nos extremos do espectro político, dominam a análise da imprensa francesa nesta segunda‑feira (16/3).
Os institutos de pesquisa estimam que a participação ficou entre 56% e 58,5% – a mais baixa desde 1958, com exceção de 2020, quando o comparecimento foi afetado pela pandemia da Covid‑19.
Segundo o jornal econômico Les Echos, a queda na participação estabelece um recorde negativo sob a Quinta República.
A abstenção ultrapassou 40%, cerca de dez pontos acima do índice de 2020 (45%), historicamente baixo devido às restrições sanitárias – e continua muito aquém dos 63,55% registrados em 2014.
O partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen , como Perpignan, no sul do país. Em importantes centros urbanos como Nice e Toulon, candidatos apoiados pelo RN avançaram ao segundo turno com votações expressivas.
Na outra ponta política, Les Echos ressalta o avanço da França Insubmissa (LFI), que obteve resultados significativos em cidades como Roubaix, Lille e Toulouse.
O jornal enfatiza, ainda, a vitória no primeiro turno em Saint‑Denis — segunda maior cidade da região metropolitana de Paris – onde Bally Bagayoko, representando uma aliança entre LFI, Partido Comunista e Partido Socialista, conquistou quase 51% dos votos.
O editorial do Le Parisien avalia que o cenário revela uma radicalização crescente e a “confirmação de uma França que oscila entre os extremos, uma dança da qual os partidos tradicionais e históricos, os chamados ‘partidos de governo’, parecem excluídos”.
Para o jornal, a baixíssima participação, em uma eleição que normalmente mobiliza o eleitorado francês, é um alerta negativo tanto para o segundo turno no próximo domingo (22) quanto para a eleição presidencial do próximo ano.
Alianças, fusões e desistências: segunda-feira sob tensão
Le Parisien também lista as principais lições do primeiro turno: uma abstenção em níveis inéditos, o crescimento dos partidos extremistas nas grandes cidades, tanto à direita quanto à esquerda, e a ampliação das incertezas em Paris.
Na capital francesa, o quadro é de forte polarização. Cinco candidatos avançaram para o segundo turno, e os analistas ainda não confirmam a possibilidade de alianças ou desistências.
Segundo Le Monde, Emmanuel Grégoire, candidato da coligação de esquerda, liderou o primeiro turno com quase 38% dos votos, seguido por Rachida Dati (25,46%), dos Republicanos (LR) e do MoDem. Em terceiro lugar, a candidata da LFI, Sophia Chikirou, obteve 11,72%, à frente de Pierre‑Yves Bournazel (11,34%) e Sarah Knafo (10,40%).
Até o momento, destaca o jornal, apenas Rachida Dati propôs uma fusão a seu concorrente Pierre‑Yves Bournazel, representante da união de centro direita entre Horizons e Renascimento. As listas para o segundo turno deverão ser registradas até a noite de terça‑feira (17).
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