Página perdida das anotações de Arquimedes é reconhecida na França
Texto encontrado é um dos três perdidos e faz parte das anotações de Arquimedes sobre uma passagem do tratado esferas e cilindros
atualizado
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Uma das páginas perdidas do Palimpsesto de Arquimedes, um manuscrito do século 10 com cópias originais das obras do matemático, foi identificada no Museu de Belas Artes de Blois, na França. O autor do reconhecimento foi o pesquisador Victor Gysembergh, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em inglês).
A página encontrada foi a 123 e tratava da obra “Sobre a Esfera e o Cilindro” (Livro I, Proposições 39 a 41) de Arquimedes. As anotações são fundamentais para a história da matemática ao estabelecer as relações métricas entre esferas e cilindros.
A descoberta de Gysembergh foi publicada na revista científica alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphyk, na última sexta-feira (6/3).
História por trás das obras de Arquimedes
Apesar de ser um livro com manuscritos importantes para a história da humanidade, os textos originais foram apagados ao serem reutilizados para dar lugar a anotações religiosas na Idade Média. Isso ocorria pois pergaminhos novos eram muito caros à época.
Após quase sumir, a obra foi preservada em Constantinopla – atual Istambul, na Turquia. Em 1906, o historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg foi ao local e tirou fotografias de todas as páginas.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o Palimpsesto de Arquimedes desapareceu e foi encontrado na França, durante o leilão de uma coleção particular em 1996. Em meio a tantas idas e voltas, três páginas sumiram.
Descoberta por acaso
Como gosta de procurar palimpsestos, Gysembergh e seus colegas foram até o Museu de Belas Artes de Blois analisar folhas de uma coleção do local. Quando começou a olhar, o pesquisador viu uma delas e se deu conta de que poderia ter achado uma das páginas perdidas.
Técnicas de análise e a comparação da folha com as fotos tiradas por Heiberg confirmaram a identificação do fragmento já desgastado.
Em um dos lados da folha, é possível ver manuscritos de diagramas geométricos e no outro há um desenho religioso, que cobriu as anotações matemáticas anteriores.
Agora, o objetivo dos pesquisadores é analisar a folha com técnicas avançadas de análise não destrutivas para preservar o material e ao mesmo tempo saber o que está escrito atrás do desenho.
“Essa descoberta reacendeu o interesse em reexaminar o Palimpsesto de Arquimedes na íntegra, utilizando técnicas mais poderosas do que as empregadas no início dos anos 2000, com o objetivo de realizar uma nova leitura das páginas que permaneceram ilegíveis durante as primeiras análises”, afirma o CNRS em comunicado.
