Europa quer influência em Ormuz no pós-guerra, mas sem presença dos EUA
Plano para o Estreito de Ormuz só deve ser colocado em prática após o fim do conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel
atualizado
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Países europeus estão trabalhando em um plano para garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz e reforçar a segurança na região, sem a participação dos Estados Unidos. A proposta, no entanto, só deve ser colocada em prática após o fim da guerra no Irã. As informações foram reveladas pelo The Wall Street Journal nesta terça-feira (14/4).
O plano inclui a formação de uma coalizão para o envio de navios de desminagem e outras embarcações militares. A missão teria caráter defensivo.

O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmou a iniciativa e afirmou que a ideia é organizar uma operação internacional voltada à segurança da travessia marítima que não inclui países envolvidos diretamente na guerra, ou seja, Irã, Israel e os Estados Unidos.
Entre os aliados, porém, ainda há divergências. Diplomatas franceses avaliam que deixar os EUA fora pode facilitar a aceitação do plano pelo Irã. Já britânicos temem que a exclusão gere atritos com o presidente Donald Trump e reduza a eficácia da operação.
Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, devem discutir a proposta com representantes de dezenas de países em uma reunião marcada para esta sexta-feira (17/4). Os Estados Unidos não devem participar. China e Índia foram convidadas, mas ainda não confirmaram presença.
Bloqueio do Estreito de Ormuz
A iniciativa europeia ocorre em meio ao agravamento da situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Desde segunda-feira (13/4), passou a valer um “bloqueio total” no tráfego marítimo na região, anunciado pelos Estados Unidos no fim de semana.
Segundo o governo norte-americano, a medida atinge embarcações de qualquer país que tenham “origem ou destino em qualquer porto iraniano”, incluindo o Golfo de Omã e o Mar Arábico, ao sudeste do Estreito de Ormuz.
A restrição não afeta navios que não tenham destino ou origem em portos iranianos. “As forças do Exército americano não impedirão a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em portos não iranianos”, diz a nota do Comando Central dos EUA.
Em 28 de fevereiro, o Irã iniciou o fechamento da passagem do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo usado no planeta. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento.
Com o fracasso das negociações de um acordo de paz, ocorridas no último sábado (11/4), Trump decidiu subir o tom e garantir que nem mesmo os petroleiros do Irã atravessem a passagem de Ormuz.
