EUA veta participação da China em consultas do Brasil sobre tarifaço na OMC
Processo de consultas aberto pelo Brasil tem início nesta semana em Genebra, na Suíça

Os Estados Unidos vetaram a participação da China na consulta sobre o tarifaço aberta pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). A primeira etapa do processo aberto por Brasília contra Washington, conforme revelou o Metrópoles, acontece nesta sexta-feira (25/9).
O Brasil acionou oficialmente a OMC para questionar as tarifas de 25% e 12,5% aplicadas pelos Estados Unidos contra uma série de produtos brasileiros no dia 27 de julho deste ano. Após a abertura do processo, a China apresentou pedido para participar das consultas envolvendo os dois países. O governo norte-americano, contudo, negou o pedido.
Em documento apresentado pelo EUA à OMC, o governo norte-americano argumenta que “o pedido de consultas apresentado pelo Brasil não diz respeito a quaisquer atos, políticas ou práticas da China e não envolve quaisquer tarifas impostas sobre produtos originários da China“.
“Os Estados Unidos não consideram que a alegação da China de possuir um interesse comercial substancial nessas consultas seja bem fundamentada. Dessa forma, os Estados Unidos estão recusando o pedido da China para participar dessas consultas”, argumentou Washington.
Pelas regras da OMC, um terceiro país pode solicitar participação nas consultas quando demonstrar interesse comercial substancial na disputa. A entrada, porém, precisa ser aceita pelos países diretamente envolvidos no processo — neste caso, Brasil e Estados Unidos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesApós a abertura do processo pelo Brasil, no dia 10 de agosto, os Estados Unidos responderam ao pedido brasileiro informando que estava “à disposição” para discutir a aplicação do tarifaço.
“Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”, diz o documento protocolado pela OMC no órgão.
Tarifaço contra o Brasil
- Em cinco oportunidades, desde o início da nova gestão Trump, os Estados Unidos anunciaram tarifas contra o Brasil.
- No chamado Dia da Liberação, Donald Trump anunciou taxas recíprocas de 10% contra o Brasil.
- No dia 9 de julho de 2025, Trump anunciou mais 40% de taxas a produtos brasileiros — que se somaram aos 10% já aplicados, resultando em 50% de alíquota. A taxa foi justificada pela “caça às bruxas” contra Bolsonaro.
- Em fevereiro de 2026, após a Suprema Corte derrubar o tarifaço de 50%, Trump anunciou uma alíquota global de 10% para todos os países, que ainda está em vigor.
- Em 15 de julho deste ano, o USTR concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e aplicou 25% de taxas ao país, que entraram em vigor no dia 22 de julho e atingiram uma série de produtos brasileiros.
- No dia 23 de julho, a conclusão de uma nova investigação contra o país sobre trabalho forçado resultou em uma nova taxa de 12,5% contra produtos brasileiros.
Negociações na OMC
O Brasil e os Estados Unidos se reúnem na Organização Mundial do Comércio (OMC) na próxima sexta-feira (25/9) para realizar a fase de consultas sobre o tarifaço aplicado pelo EUA contra produtos brasileiros. A etapa segue o rito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC e contará com a presença de diplomatas brasileiros e norte-americanos.
A agenda desta semana é observada como algo protocolar e não significa que os países devem chegar a algum acordo ou solução sobre as tarifas. Essa etapa antecede a abertura de um painel, que dá início à fase de contencioso formal no âmbito da organização.
Após 60 dias da etapa de consultas entre os dois países, o Brasil pode pedir pela abertura de um painel sobre o impasse comercial entre os dois países, caso julgue insuficiente as negociações nessa primeira fase.
Durante o painel, outros países podem pedir para participar do processo sem necessidade de aprovação das partes envolvidas no processo — fase que a China pode pedir para acompanhar novamente.



