EUA bombardeia Irã pela 2ª noite e Teerã retalia bases no Oriente Médio
EUA bombardeou 90 alvos militares no Irã. País respondeu com ataques a bases norte-americanas no Kuwait, no Catar e no Bahrein

Pela segunda noite consecutiva, os Estados Unidos (EUA) e o Irã voltaram a trocar ataques, três semanas após a assinatura do memorando de entendimento que começou a desenhar o fim da guerra na região.
Na noite desta quarta-feira (8/7), o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) disse ter bombardeado aproximadamente 90 alvos militares. Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) disse ter atacado bases norte-americanas no Kuwait, no Catar e no Bahrein.
De acordo com os EUA, o cessar-fogo foi rompido quando o Irã atacou três caminhões-tanque no início da semana, no Estreito de Ormuz. O exército norte-americano respondeu atacando 80 alvos militares no Irã. O Departamento do Tesouro dos EUA também revogou uma isenção temporária das sanções que permitia a Teerã exportar petróleo.
Na noite desta quarta, o presidente Donald Trump disse que o Irã pediu um novo acordo, mas que ele não considera que o país seja “digno” de mais uma negociação. “Eu simplesmente não sei se eles são dignos de fazer um acordo, não sei se eles vão honrar o acordo”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMais cedo, Trump declarou que o memorando de entendimento não estava mais válido e chamou a liderança do Irã de escória. “São pessoas doentes. São lideradas por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, a usariam. Para mim, acabou”, disse.
O documento tinha sido assinado pelos dois países em 17 de junho e previa uma série de medidas para o avanço das negociações para encerrar definitivamente a guerra, iniciada em fevereiro pelos EUA.
O principal negociador do Irã e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país vai responder aos ataques. “A América ainda não aprendeu que o bullying e a quebra de promessas não são mais sem custo. Vou ser claro: batam, e vocês vão apanhar.”
Trégua chega ao fim
- A escalada militar teve início após o presidente Donald Trump declarar encerrado o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho, que previa um cessar-fogo provisório e negociações para um acordo de paz permanente.
- Segundo o governo americano, a decisão foi tomada após o Irã atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
- Teerã nega as acusações e contra-acusa os Estados Unidos de violarem os compromissos assumidos durante as negociações.
- Apesar da retomada dos confrontos, Trump afirmou nesta quarta-feira que o governo iraniano procurou Washington para tentar negociar um novo acordo.
- No entanto, o republicano afirmou não saber se os iranianos “são dignos de um acordo”.
- O aumento das hostilidades também elevou a tensão em torno do Estreito de Ormuz.
- O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a passagem marítima “só será reaberta com acordos iranianos” e advertiu que novos ataques americanos serão respondidos pelo país.
Novos ataques dos EUA em meio a funeral
A troca de ataques ocorre no mesmo momento em que milhares de iranianos se reúnem para o funeral do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto pelos Estados Unidos em fevereiro. Após seis dias de velório, Khamenei deve ser enterrado nesta quinta-feira (9/7) em Mashhad, sua cidade natal.
O enterro foi atrasado em oito horas. Na madrugada desta quinta, o corpo dele deixou o Aeroporto de Najaf, no Iraque, em direção a Mashhad. O cortejo fúnebre no Iraque reuniu aproximadamente 3,8 milhões de pessoas, segundo a imprensa do país, e foi a última etapa antes de seguir para o local do sepultamento.
O governo estima que 15 milhões de pessoas vão participar do enterro do líder. Ainda há a expectativa se o filho do aiatolá, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, vai comparecer à despedida. Ele não é visto em público desde o início da ofensiva dos Estados Unidos.
Ali Khamenei foi morto pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro, primeiro dia de guerra, ao lado de uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses.














