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EUA avança contra Raúl Castro antes de Cuba apresentar nova ação na ONU

Justiça dos EUA emitiu uma ordem de prisão contra Raúl Castro, acusado de participação em crimes contra norte-americanos na década de 1990

20/10/2026 04:30
AP Ramon Espinosa/Pool/Getty Images
Imagem colorida mostra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba - Metrópoles

Cerca de cinco meses após ser indiciado pela Justiça dos Estados Unidos, Raúl Castro agora é alvo de um mandado de prisão por supostos crimes relacionados a um ataque contra aeronaves dos Estados Unidos na década de 1990.

A ofensiva contra a última grande liderança da Revolução Cubana ainda viva acontece dias antes de o país apresentar uma nova resolução na Organização das Nações Unidas (ONU), para pedir o fim do embargo norte-americano contra a ilha.

A ordem de prisão contra o ex-presidente cubano entre 2008 e 2018 foi emitida pela Justiça da Flórida, estado norte-americano onde está concentrada a maioria da população cubana exilada nos EUA.

De acordo com o procurador-geral do estado, James Uthmeier, Raúl é acusado de homicídio, destruição de aeronave e conspiração para matar cidadãos americanos. As imputações têm como base um episódio entre EUA e Cuba em 1996.

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Reprodução/Kremlin
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CUBADEBATE/REPRODUÇÃO
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Ansa
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Divulgação/Partido Comunista de Cuba
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John Elk III/Getty Images

O que está acontecendo?

  • Presidente de Cuba entre 2008 e 2018, Raúl Castro, se tornou alvo de um mandado de prisão emitido pela Justiça dos EUA nesta segunda-feira (19/10).
  • Ele foi acusado de participar de um ataque cubano contra aeronaves dos EUA em 1996, enquanto ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba. 
  • As aeronaves pertenciam a uma organização de opositores do então governo de Fidel Castro que estavam exilados nos EUA. Na época, o grupo foi acusado por Havana de violar o espaço aéreo cubano inúmeras vezes.
  • Ao todo quatro pessoas morreram. Entre elas, três cidadãos dos EUA. 
  • O irmão mais novo de Fidel Castro, atualmente com 94 anos, foi acusado de conspiração para matar cidadãos norte-americanos, destruição de aeronaves e assassinato.

Naquele ano, dois aviões da organização Brothers to the Rescue, composto por opositores do governo cubano que moravam na Flórida, foram derrubados por caças MiG-29 da Força Aérea Cubana. Quatro pessoas morreram, incluindo três cidadãos norte-americanos.

Segundo Havana, o grupo realizava voos ilegais que violavam o espaço aéreo do país, com o objetivo de espalhar panfletos com propagandas contra o governo local. Os casos foram notificados previamente a autoridades dos EUA, antes do ataque em 24 de fevereiro de 1996.

Na época, Raúl Castro atuava como ministro da Defesa de Cuba. Por isso, as acusações contra o líder castrista.

O mandado de prisão contra o ex-presidente e ministro da Defesa cubano surge dias antes da Assembleia Geral da ONU votar uma nova resolução sobre o embargo dos EUA contra Cuba.

A ação será apresentada e discutida na ONU nos próximos dias 27 e 28, e deve se somar a outras 33 resoluções semelhantes adotadas desde 1992.

Há mais de três décadas, as Nações Unidas aprovam textos que pedem o fim da pressão comercial norte-americana contra a ilha caribenha. Apesar disso, as resolução não possuem peso jurídico que force o fim do embargo.

Isso porque os textos adotados pela Assembleia Geral da ONU não têm caráter vinculativo, diferentemente de resoluções discutidas pelo Conselho de Segurança — que precisam ser cumpridas, caso aprovadas.