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Mundo

Entenda como a Evergrande passou do auge a dívidas de US$ 300 bilhões

O fundador do grupo, considerado o homem mais rico da China, foi condenado à prisão perpétua

20/08/2026 14:48, atualizado 20/08/2026 14:49
Shenzhen Intermediate People’s Court/WeChat
Bilionário Hui Ka Yan, 67 anos, fundador do grupo imobiliário Evergrande e conhecido por ser o homem mais rico da China, foi condenado à prisão perpétua - Metrópoles

O bilionário Hui Ka Yan, 67 anos, fundador do grupo imobiliário Evergrande e conhecido por ser o homem mais rico da China, foi condenado à prisão perpétua, nessa quarta-feira (19/8), por fraude financeira em larga escala. As empresas dele foram multadas em US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 3,2 bilhões) por um tribunal do sul do país.

Outros executivos da Evergrande, incluindo os dois filhos de Hui, Xu Zhijian e Xu Tenghe, também foram condenados a penas de prisão, que variam de 22 meses a 18 anos.

Entre os oito crimes a que foi condenado, Hui cometeu fraude, suborno, peculato, desvio de fundos, apropriação indébita de depósitos públicos, entre outros.

Os delitos ocorreram durante a gestão do grupo fundado em 1996 e tido como maior conglomerado imobiliário da China, antes de falir em 2021, quando deixou de pagar dívidas (estima-se que os débitos ultrapassem US$ 300 bilhões).

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O empresário manipulou os dados financeiros do grupo com práticas como o registro antecipado de receitas de vendas de imóveis antes da conclusão e entrega dos apartamentos. Só entre 2019 e 2020, as receitas foram superestimadas em cerca de US$ 80 bilhões.

Ascensão e queda

Imagem de Hui Ka Yan, fundador e presidente da Evergrande, discursando - Metrópoles
Hui Ka Yan, fundador e presidente da Evergrande

Antes disso, o grupo estava em constante ascensão, assim como o mercado imobiliário chinês como um todo. Após expandir o negócio pelo país, mesmo às custas de grandes quantias de dinheiro emprestado e público, a empresa lucrou muito.

Só em 2009, quando abriu o capital na bolsa de Hong Kong, Hui conseguiu arrecadar US$ 729 milhões na oferta pública inicial.

O empresário também era conhecido por manter uma vida luxuosa, usando marcas caras da moda, particularmente a marca francesa Hermès, e chegou até a comprar um time de futebol, o Guangzhou.

“Fator Xi” e as três linhas vermelhas

Em 2020, o presidente Xi Jinping começou a limitar o endividamento excessivo das construtoras, com as chamadas “três linhas vermelhas”, uma tentativa do governo para conter a bolha imobiliária em que o país se encontrava e o endividamento excessivo.

Desse modo, a Evergrande perdeu o acesso ao crédito fácil e passou a depender de novos empréstimos e de vendas antecipadas para financiar obras e pagar juros. Mas, sem liquidez, a empresa começou a atrasar entregas de centenas de milhares de apartamentos e deu calote em seus títulos de dívida no exterior.

Foi quando, em janeiro de 2024, a Justiça de Hong Kong determinou a liquidação judicial da Evergrande, desencadeando um efeito dominó na economia chinesa, que levou várias outras incorporadoras à inadimplência.

O efeito foi impulsionado também pela falta de confiança do consumidor, que parou drasticamente de comprar imóveis e desacelerou o crescimento econômico da China.

Entenda como a Evergrande passou do auge a dívidas de US$ 300 bilhões