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Mundo

Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões pela 1ª vez

Dados foram divulgados pelo Departamento do Tesouro norte-americano. Conta alta já está mexendo com o mercado de títulos

19/08/2026 21:04
Divulgação/Casa Branca
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A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões. O dado foi divulgado pelo Departamento do Tesouro nesta quarta-feira (19/8) e mostra a pressão crescente sobre as contas do governo norte-americano.

O total chegou a US$ 40,047 trilhões nessa terça (18/8). Desse valor, US$ 32,266 trilhões são títulos do governo em poder do público e US$ 7,782 trilhões são dívidas de um setor do governo com outro.

Em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu pela primeira vez, a dívida era de US$ 19,95 trilhões. Ou seja, mais que dobrou em menos de 10 anos.


O que fez a dívida crescer

  • Parte importante do aumento veio da pandemia de Covid-19. Cerca de um terço do crescimento, desde 2017, saiu dos gastos para enfrentar a crise sanitária nos governos Trump e do ex-presidente Joe Biden.
  • O restante está ligado ao desequilíbrio histórico entre o que o governo arrecada e o que gasta, além das decisões de política fiscal tomadas ao longo dos anos.
  • Grupos que monitoram as contas dos EUA já alertavam que os US$ 40 trilhões chegariam.
  • O alerta agora é que o quadro pode piorar se o Congresso norte-americano não agir para aumentar a arrecadação, cortar gastos ou fazer as duas coisas.

Juros sobem e Tesouro muda estratégia

A conta alta já está mexendo com o mercado de títulos do Tesouro. Na semana passada, um leilão de US$ 25 bilhões em títulos com vencimento em 30 anos teve o maior rendimento desde 2021.

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Nessa terça, os juros dos papéis de longo prazo bateram o maior patamar em quase duas décadas. Com o governo emitindo muitos títulos para pagar as contas, os investidores estão exigindo mais retorno para comprar.

O chamado “prêmio de prazo” dos títulos de 10 anos, que mede o risco de deixar o dinheiro aplicado por 10 anos, também atingiu o maior nível em mais de uma década.

Para tentar segurar os juros, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta quarta a ampliação das recompras de títulos de 10 a 30 anos. O volume vai dobrar e chegar a pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

Risco lá fora

Outro ponto de atenção é quem compra esses títulos. Investidores estrangeiros têm quase um terço dos papéis mais sensíveis à variação de preço.

Para John Canavan, analista da Oxford Economics, se a demanda de fora cair, a volatilidade do mercado pode aumentar.