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Manoela Alcântara

Relator do caso de Gonet: "Não há comunicação direta entre Vorcaro e o PGR"

Conselho do Ministério Público analisa se há elementos suficientes para a abertura de investigação sobre a atuação de Gonet no Caso Master

25/09/2026 11:17, atualizado 25/09/2026 11:24
Reprodução
Relator do caso de Gonet: “Não há comunicação direta entre Vorcaro e o PGR”

O subprocurador-geral Francisco Sanseverino alegou, nesta quinta-feira (25/9), que não há registros de comunicação direta entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele é o relator do procedimento administrativo aberto no Conselho Superior do Ministério Público Federal para apurar a conduta do PGR.

“Nas mensagens, não há comunicação direta entre Daniel Vorcaro e o PGR. Não se pode analisar frases isoladas e descontextualizadas”, diz Sanseverino em seu voto.

Sanseverino já votou contra os pedidos de afastamento de Gonet das investigações do caso Master por questão processual. Desta vez, ele analisa eventual cometimento de crime comum pelo procurador-geral.

“Não há qualquer registro de conversas entre Daniel Vorcaro e Paulo Gonet. Não há registro de comunicação direta. Isso enfraquece a hipótese de amizade íntima entre Vorcaro e Gonet”, acrescentou o subprocurador na sessão.

A apuração tem como foco mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro colhidas no âmbito de investigações da Operação Compliance Zero.

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Na sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou a conduta do ministro Alexandre de Moraes, Gonet negou veementemente qualquer relação de amizade ou proximidade com Vorcaro.

Em ofício encaminhado, o PGR afirmou que o único encontro presencial com o banqueiro ocorreu em abril de 2024, durante um evento jurídico público em Londres, no qual participavam diversas outras autoridades públicas.

Na sexta-feira passada, no entanto, a divulgação de uma fotografia na qual Gonet aparece ao lado de Vorcaro, em Londres, fumando charuto, provocou indignação entre integrantes da carreira. A imagem aumentou o desgaste interno no MPF.

Conselho decide

Os conselheiros analisarão se há elementos suficientes para a abertura de investigação sobre a atuação do procurador-geral da República nas apurações referentes ao Banco Master. Paulo Gonet não participa dessa reunião por figurar como alvo do procedimento.

A reunião ocorre após as menções a Gonet e a foto divulgada na qual o PGR aparece em evento financiado por Vorcaro. O conselho vai analisar se Gonet deveria se declarar suspeito ou impedido para atuar nos casos que envolvem o Master.

A sessão é conduzida pelo vice-presidente do conselho, subprocurador-geral da República Nicolao Dino. Ele abriu os trabalhos e passou a palavra ao relator do procedimento ao relator Francisco Sanseverino. Em seguida, os conselheiros votarão em ordem inversa de antiguidade.

Quem vota 

  • Hindenburgo Chateaubriand – vice-procurador-geral da República;
  • Nicolao Dino – vice-presidente (eleito pelo Colégio de Procuradores);
  • Samantha Chantal Dobrowolski (eleita pelo Colégio de Procuradores);
  • Celso de Albuquerque Silva (eleito pelo Colégio de Procuradores);
  • Janice Agostinho Barreto Ascari (eleita pelo Colégio de Procuradores);
  • Francisco de Assis Vieira Sanseverino (eleito pelos pares);
  • Ana Borges Coelho Santos (eleita pelos pares);
  • José Adônis Callou de Araújo Sá (eleito pelos pares);
  • Alexandre Camanho de Assis (eleito pelos pares).