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Mundo

Em audiência nos EUA, Paulo Figueiredo dirá que tarifaço favorece Lula

Durante testemunho no USTR, jornalista vai sugerir uso da Lei Magnitsky para punir individualmente autoridades, como Alexandre de Moraes

26/06/2026 22:29, atualizado 26/06/2026 22:56
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Reprodução/Redes sociais
Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump

O jornalista Paulo Figueiredo defenderá, na audiência pública marcada para 6 de julho no âmbito da investigação comercial aberta pelo governo de Donald Trump contra o Brasil (Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR), que os Estados Unidos abandonem a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e retomem a estratégia de impor sanções individuais contra autoridades do país.

No depoimento preparado para a audiência, obtido pelo Metrópoles, Figueiredo afirma que a medida “atinge o alvo errado”, por penalizar exportadores brasileiros, empresas e consumidores americanos e a população brasileira, sem afetar diretamente as autoridades que, segundo ele, motivaram a abertura da investigação.

Ele também argumenta que a imposição da tarifa poderia fortalecer politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O presidente Lula aproximou o Brasil da China e do bloco BRICS, e uma tarifa o favorece em duas frentes: internamente, transforma a hostilidade aos Estados Unidos em patriotismo e votos; externamente, faz exatamente o que sua política externa deseja, afrouxando os laços do Brasil com Washington. O partido beneficiado é justamente o partido cuja conduta está sendo investigada”, diz Figueiredo no documento.

Defesa de sanções individuais

No depoimento, Figueiredo também sustenta que, em vez de adotar uma medida comercial ampla, o governo americano deveria retomar a estratégia de impor sanções direcionadas a pessoas específicas.

Entre os alvos estaria o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi sancionado pelo governo norte-americano no ano passado. O jornalista cita ainda as medidas aplicadas à esposa do magistrado e à empresa patrimonial da família, além da revogação dos vistos americanos.

Na avaliação de Figueiredo, esse tipo de instrumento seria mais eficaz porque “atinge o infrator, preserva a economia e a população”, ao contrário de uma tarifa generalizada.

Ao final do documento, o jornalista pede que o governo americano suspenda a proposta de tarifa e reavalie a medida antes de qualquer decisão definitiva. “Utilizem e ampliem os instrumentos direcionados (…) e suspendam a medida proposta para reavaliá-la”, afirma o texto.

Aliado da família Bolsonaro, Paulo Figueiredo está programado para depor na audiência pública da Seção 301 em 6 de julho. No dia seguinte, 7 de julho, a programação prevê a participação do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).