Enviado especial a Jerusalém (Israel) – Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) convidou os israelenses a formarem parcerias com o Brasil em diversos setores econômicos. Ao longo de uma fala de pouco mais de 10 minutos, o presidente destacou aquelas que ele considera as vantagens competitivas do Brasil, entre elas a biodiversidade, que é uma das maiores no mundo.

“Olha o mar de biodiversidade que temos pela frente, estou a disposição, amigo Netanyahu, a fazermos parcerias e acordos nesse sentido. Ninguém tem a biodiversidade que nós temos. Estamos a disposição nessa área”, disse o presidente em evento chamado Brazil Innovation Sumit, com a presença de empresários israelenses e brasileiros, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Investimentos e Exportações (Apex).

O presidente aproveitou o contexto para fazer um convite aos empresários locais para investirem no Brasil. “Meus senhores, o meu recado é de confiança, novos tempos, novos horizontes, estamos a disposição dos senhores, empreendedores, a certeza que serão bem acolhidos, bem tratados, e que poderão confiar em nosso trabalho”, afirmou.

Pouco antes, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia dito que “não há parceria melhor no mundo que aquele entre Brasil e Israel”. Segundo o israelense, a soma da biodiversidade brasileira à tecnologia de Israel – uma das mais desenvolvidas do mundo nos campos de inteligência artificial, agro e segurança – não havia limites para o que se poderia atingir.

“Meu amigo Jair, eu falo do coração. Temos uma irmandade. Nossa civilização começou nesta cidade [Jerusalém], milhares de anos atrás. Dividimos o passado e tradições. Mas somos como uma árvore. Não tem parceria melhor no mundo que do Brasil e Israel”, disse o israelense, no final de um discurso de aproximadamente 20 minutos.

Em sua fala, Netanyahu destacou as reformas econômicas conduzidas no país nas últimas décadas que, na sua avaliação, foram responsáveis pelo desenvolvimento do PIB per capita do país – que nos últimos anos superou o do Japão – e o desenvolvimento tecnológico observado no país.

“O mais importante foi mudar o ambiente de negócios, antes de mudar a tecnologia. Eu sei que meu amigo Jair Bolsonaro está fazendo exatamente o mesmo [no Brasil]”, disse. “O Brasil tem um baita potencial, nós queremos ser parceiros preferenciais. Não temos limitações do que podemos dividir com vocês”, disse.

Veja fotos de Bolsonaro em Israel, de sua saída de Brasília, do hotel onde está hospedado e da Terra Santa:

Economia
A relação comercial entre Brasil e Israel é pequena. O país do Oriente Médio é apenas o 65º maior importador de produtos brasileiros e, na visão de Bruno Huberman, pesquisador em economia e política israelense do Programa San Tiago Dantas, não há tanto espaço para ampliar as exportações para Israel.

Há um interesse grande de diversos setores em importar produtos israelenses. Sobretudo produtos considerados de alto valor agregado, como dessalinização de água e segurança, uso de drones e outras tecnologias que podem ser aplicadas em cidades"
Bruno Huberman, pesquisador em economia e política israelense

Huberman destacou o interesse manifesto pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), e o governador do estado, Wilson Witzel (PSC), em ampliar a cooperação nesse sentido. O chefe do Executivo fluminense chegou a anunciar que iria a Israel com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, para comprar drones a serem usados em operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro.

Flávio integra a comitiva que acompanha Jair Bolsonaro a Israel e deve ir com o pai às visitas em instalações militares e de segurança do país, o quarto visitado por Bolsonaro desde que assumiu a Presidência da República.