Crise na Ásia: Japão e China fecham 2025 em rota de colisão

Taiwan, principal estopim da escalada de tensões entre o Japão e a China, tornou-se prioridade no fim de 2025

atualizado

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Chung Sung-Jun/Getty Images
Sanae Takaichi
1 de 1 Sanae Takaichi - Foto: Chung Sung-Jun/Getty Images

Sem completar sequer seis meses no cargo, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, se jogou em um conflito diplomático que envolve ameaças militares contra a China, após declarar que Tóquio reagirá militarmente caso o país avance sobre Taiwan. A crise marca o fim de 2025 com uma escalada nas tensões entre as duas nações asiáticas.

Após a declaração feita em outubro, a retórica entre os dois países se tornou mais dura. Durante uma sessão no Parlamento japonês, a premiê foi questionada sobre ameaças à segurança nacional. Ela afirmou que um bloqueio naval chinês a Taiwan, caso envolva ações militares, poderia representar um risco à sobrevivência do Japão, que teria de usar a força para se defender.

A China considera Taiwan parte de seu território e afirma que a ilha não possui independência.

O governo chinês não reagiu bem aos comentários de Takaichi. O Ministério das Relações Exteriores da China exigiu que ela retirasse as declarações sobre Taiwan.

Nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, contestou a ausência de um pronunciamento de Takaichi para retirar a declaração sobre Taiwan.


China x Japão


Conforme as tensões aumentavam, embarcações chinesas e japonesas entraram em confronto próximo a um grupo de ilhas, no Mar da China Oriental, no início de dezembro. Ambos os países apresentam versões diferentes do ocorrido.

As embarcações, segundo a mídia local japonesa, estavam armadas com metralhadoras. A Guarda Costeira do Japão informou ter interceptado dois navios chineses que se aproximavam de um barco de pesca.

O presidente da China, Xi Jinping, conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e enfatizou a posição da China sobre a questão de Taiwan. Segundo Xi, “o retorno de Taiwan à China é parte integrante da ordem internacional pós-guerra”.

A nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, divulgada pela Casa Branca, destacou como prioridade a dissuasão de confrontos militares, particularmente em Taiwan.

Após quase um mês sem fazer comentários diretos, a premiê afirmou, no dia 18 de dezembro, que o Japão está sempre disposto ao diálogo aberto com a China.

“A comunicação é importante justamente porque existem questões e desafios pendentes. Permanecemos sempre abertos ao diálogo com a China”, pontuou Takaichi.

Ela destacou que “a China é uma vizinha importante para o Japão” e que é preciso construir uma “relação construtiva e estável”.

Maurício Santoro, cientista político e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, avaliou que, para o Japão, faria sentido responder militarmente à China, em caso de um conflito dos chineses com Taiwan. “Sobretudo se os Estados Unidos também apoiassem Taiwan em um conflito.”

Maurício faz uma comparação com a guerra entre Rússia e Ucrânia, na qual, segundo o cientista, os principais defensores da Ucrânia são países geograficamente próximos, como a Polônia e os países bálticos, “porque esses países entendem que se a Ucrânia cair, eles serão os próximos”.

Com isso, Maurício afirma que, para o Japão é mais interessante que Taiwan permaneça como um território de governo autônomo.

“Eles (países próximos à Ucrânia) estariam ali diretamente expostos a uma eventual agressão russa. E é semelhante na Ásia Pacífica. Se houver uma guerra, se a China ocupar Taiwan, isso colocaria o Japão numa posição muito mais frágil e ameaçada”.

Reação de Taiwan

Em resposta ao aumento de ofensiva, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, anunciou um orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões, em resposta à “crescente pressão de Pequim”, que fortalecerá “significativamente as capacidades assimétricas de Taiwan”.

Os Estados Unidos aprovaram um pacote de venda de armas para Taiwan, avaliado em mais de US$ 11,1 bilhões, que reforça a capacidade de defesa da ilha e é considerado o maior já destinado ao território.

A Agência de Cooperação de Segurança de Defesa dos EUA (DSCA, na sigla em inglês) publicou oito comunicados detalhando cada venda, nos quais afirma que “ajudarão a melhorar a segurança do destinatário e a manter a estabilidade política, o equilíbrio militar e o progresso econômico na região”.

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