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Rússia avança no front mesmo em meio a tratativas de paz com Ucrânia

Avanço militar da Rússia no front contrasta com negociações diplomáticas e isola ainda mais a Ucrânia das tratativas de paz

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Mesmo com uma nova rodada de negociações para um plano concreto de paz, a Rússia mantém o ritmo de sua ofensiva militar e amplia o controle territorial no leste da Ucrânia. O avanço escancara que Vladimir Putin segue empenhado em remodelar o mapa sob influência russa, enquanto Kiev tenta garantir um acordo que preserve sua integridade territorial.

No início da última semana, o Kremlin divulgou que Putin recebeu relatórios detalhados sobre os recentes progressos das tropas.

Segundo o chefe do Estado-Maior, Valery Gerasimov, forças russas assumiram o controle de Pokrovsk — importante centro logístico no leste do país — e da localidade de Vovchansk, na região de Kharkiv. A atualização ocorreu durante visita de Putin a um posto de comando do Grupo Conjunto de Forças, onde o presidente ordenou reforço total no abastecimento para o inverno.

Moscou relata avanços múltiplos

Gerasimov também afirmou que militares russos iniciaram operação para capturar Huliaipole, em Zaporizhzhia, e avançaram rumo ao rio Gaichur.

Nos relatos divulgados, o comandante do grupo Centro, Valery Solodchuk, mencionou a eliminação de um grande contingente ucraniano cercado em Vovchansk e o controle da parte sul de Dimitrov.

Putin celebrou publicamente o desempenho de suas tropas. “As Forças Armadas mantêm a iniciativa e avançam em praticamente todas as frentes”, disse.

Kiev, porém, contesta. O Estado-Maior ucraniano afirma que Kupyansk permanece sob controle do país e rejeita relatos russos sobre cerco e perdas significativas em Pokrovsk e Vovchansk, classificando-os como exagerados.

Pokrovsk, peça-chave da defesa ucraniana no leste, concentra importantes rotas ferroviárias e rodoviárias — controlá-la significa dominar o fluxo logístico regional.

Zelensky minimizou as perdas, pediu mais apoio militar ao Ocidente e voltou a alertar para escassez de tropas, denúncias de posições indefensáveis e resistência interna à mobilização.

Confira o mapa diante dos avanços:

Avanço militar da Rússia no front contrasta com negociações diplomáticas e isola ainda mais a Ucrânia das tratativas de paz

EUA e Rússia negociam sem Kiev

  • Uma reunião de cerca de cinco horas entre o enviado especial norte-americano Steve Witkoff e Vladimir Putin ocorreu no Kremlin.
  • Um encontro cercado de tensão após o vazamento de um telefonema que serviu como “script”para uma conversa entre o russo e Donald Trump, episódio que fez Zelensky deixar Washington de mãos abanando, sem garantias sobre a venda de mísseis Tomahawk.
  • Antes do encontro, o ucraniano pediu “jogo limpo” e afirmou esperar receber imediatamente detalhes das tratativas — não recebeu.
  • O Kremlin classificou a conversa com Witkoff como “útil e construtiva”, mas deixou claro que Kiev não participaria desta etapa.
  • Nenhum acordo foi alcançado, e não há previsão de encontro entre os líderes russo e americano.

Em seguida, Zelensky ganhou um novo banho de água fria: segundo Ushakov, “a comunicação está ocorrendo somente entre Washington e Moscou”.

O ucraniano rebateu dizendo que negociações entre Washington e Kiev seguem “em bom avanço”.

Trump, por sua vez, voltou a alfinetar o presidente ucraniano. Disse que Zelensky “não tem cartas na manga” e demorou demais para negociar com Moscou, relembrando o bate-boca entre ambos na Casa Branca sobre contratos de exploração de terras e garantias de segurança.

Pressão militar se intensifica

Enquanto a diplomacia avança sem Kiev, a Rússia segue ampliando seu controle territorial. Ao longo do último ano, Moscou expandiu presença sobretudo no leste — áreas de Luhansk e Donetsk — e intensificou ataques aéreos sobre a capital ucraniana e outras cidades.

A meta segue sendo o controle total das regiões de Donbas, Zaporíjia e Kherson, além da consolidação da anexação da Crimeia.

Segundo o plano de paz preliminar discutido entre EUA e Rússia, a Ucrânia teria de ceder integralmente Luhansk, Donetsk e a Crimeia, além das áreas ocupadas de Zaporíjia e Kherson. Tropas ucranianas precisariam se retirar das partes de Donetsk ainda controladas por Kiev, que seriam transformadas em zona desmilitarizada sob controle russo de fato.

Zelensky afirma que não aceitará entregar o Donbas em troca de paz e considera a questão territorial “o elemento mais difícil” das negociações.

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Rússia diz estar preparada para fim de acordo nuclear com os EUA
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Disputa por cidades estratégicas

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) aponta que a Ucrânia construiu um “cinturão de fortalezas” de 50 km em Donetsk ao longo dos últimos 11 anos. Mesmo assim, a Rússia fez avanços recentes ao redor de Pokrovsk e Kostyantynivka. Moscou diz ter capturado Krasnoarmeysk, o que abriria caminho para Kramatorsk e Slovyansk — mas Kiev nega.

Projetos independentes que monitoram o front indicam que Pokrovsk ainda não caiu totalmente. O ISW avalia que a Rússia precisaria de “vários anos” para tomar Donetsk por completo, apesar dos avanços recentes e da queda nas próprias baixas, atribuída ao uso crescente de drones.

Putin também elevou o tom. Disse que Moscou assumirá o controle total de Donbas “pela força das armas”, caso Kiev não se retire voluntariamente.

Atualmente, a Rússia controla 19,2% do território ucraniano, incluindo toda Luhansk, mais de 80% de Donetsk e partes de Kherson, Zaporizhzhia, Kharkiv e Sumy.

Em entrevista recente, Putin voltou a defender a anexação da Crimeia. Disse que a Rússia não tomou o território, mas “ajudou um povo ameaçado após um golpe de Estado em Kiev”. Negou interesse estratégico no porto local e afirmou que a Marinha já estava estacionada na região com autorização ucraniana.

Enquanto isso, Kiev insiste em uma paz que não signifique rendição.

Zelensky afirmou que a Ucrânia está preparada “para quaisquer desdobramentos possíveis”, mas reforçou que a paz não pode significar concessões territoriais. “Trabalharemos de forma construtiva com nossos parceiros para garantir que a paz seja alcançada — e que seja digna”, declarou.

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