Em contraponto a Lula, Kast encontra Milei e reforça aliança na direita
Presidente eleito no Chile visitou a Argentina em sua primeira viagem oficial, os dois marcam eixo de direita na América do Sul
atualizado
Compartilhar notícia

O presidente do Chile, Jose Antonio Kast, fez uma visita de estado à Argentina, nessa segunda-feira (7/4), onde se reuniu com Javier Milei. A aproximação entre os dois líderes de direita pode formar uma aliança no campo contrário ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na América do Sul, em um período onde o continente vive um “equilíbrio ideológico“.
É uma tradição chilena que a Argentina seja a primeira visita oficial de estado do novo presidente, tendo em vista a extensa parceria bilateral e o comércio integrado entre os dois países. No atual contexto, contudo, a integração entre os dois países vai além do campo comercial ou diplomático, já que Kast e Milei compartilham similaridades ideológicas.
Antonio Kast, assim como Javier Milei, foi eleito com um discurso direcionado ao eleitorado conservador e marcado por críticas à esquerda. A ascensão de ambos ao poder também representou uma ruptura na sequência de governos progressistas que predominou os dois países nos últimos anos.
Durante o encontro, os líderes concordaram em estreitar os laços e buscar por novas parcerias bilaterais. O Chile também reiterou o apoio à reivindicação argentina pelas Ilhas Malvinas — território ultramarino inglês localizado no sul da Argentina. Nas redes sociais, a coligação partidária La Liberdad Avanza, da qual Milei faz parte, celebrou o encontro como um “avanço da direita” da América Latina.
LA DERECHA AVANZA EN AMÉRICA LATINA!!!
El Presidente Javier Milei recibió al presidente derechista de Chile, José Antonio Kast, en su primera visita oficial al exterior. pic.twitter.com/rsLkPEkdLP
— La Libertad Avanza (@LLibertadAvanza) April 6, 2026
As posições de Argentina, Chile e Brasil
- Em uma ruptura de eixo ideológico, Argentina e Chile elegeram líderes de direita nas últimas eleições para presidente. Em Buenos Aires, Javier Milei foi eleito com o discurso mais radical e de políticas econômicas liberais. Em Santigado, Jose Antonio Kast venceu com uma agenda mais conservadora.
- Kast tomou posse em março e, com a vitória, o pêndulo ideológico da América do Sul chegou a um equilíbrio: seis presidentes de esquerda e seis presidentes de direita.
- Essa mudança, contudo, vai além da percepção ideológica e pode representar um contraponto para o Brasil e especialmente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta se posicionar como um líder regional.
“Avanço da direita”
A eleição de Kast equilibrou o xadrez político na América do Sul, que agora tem seis presidentes de esquerda e seis presidentes de direita — sem contar a Guiana Francesa, um território ultramarino da França.
Entre os países com líderes de direita, estão a Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai e Peru. Entre as lideranças de esquerda, Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela. As recentes eleições de Antonio Kast no Chile e de Rodrigo Paz na Bolívia, mudaram o tabuleiro na região que, há cerca de quatro anos, era majoritariamente de esquerda.
A mudança teve início com Javier Milei. Durante campanha eleitoral, o libertário se contrapôs a Lula e a agenda progressista. O argentino também passou a rivalizar com o mandatário brasileiro que, à frente do maior e mais rico país sul-americano, é visto como um líder regional.
Contrapeso a Lula
Desde que foi eleito na Argentina, Javier Milei assumiu uma agenda de oposição ao Brasil e ao presidente Lula. Parte disso, avaliam os especialistas consultados pelo Metrópoles, tem origem no desejo do argentino de se posicionar como um líder regional.
Embora a liderança do Brasil na América do Sul nunca tenha se dado de forma incontestada, Milei vê na “janela da polarização ideológica” uma oportunidade para disputar o posto com Lula.
“Sempre foi desejo da Argentina ser uma liderança regional, mas falta o hard power e todas as características que dão esse título ao Brasil, como o tamanho, a população, a indústria e a economia que, ainda que sofra percalços, tem os maiores índices da região”, pontua Elton Gomes, professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Agora, Milei pode ter em Kast um novo aliado nesta disputa, diz o especialista. “O que pode acabar acontecendo é o Chile entrar ainda mais na esfera de interesses econômicos da Argentina. Tudo isso pode levar o país a uma maior aproximação da Argentina e fortalecer esse vínculo bilateral, o que pode fazer o Brasil perder espaço”, avalia o professor da UFPI.








