Colômbia vai às urnas entre avanços sociais e crise de segurança

Eleição presidencial na Colômbia ocorre, neste domingo (31/5), sob avanço da violência, crise fiscal e debate sobre legado do governo Petro

atualizado

metropoles.com

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A Colômbia vai às urnas neste domingo (31/5) para escolher o próximo presidente e vice-presidente do país em uma eleição marcada pela polarização política, pelo avanço da violência armada e pelo debate sobre o legado do presidente Gustavo Petro.

Mais de 41,2 milhões de colombianos estão aptos a votar no primeiro turno da disputa presidencial, que definirá quem comandará o país entre 2026 e 2030.

As pesquisas indicam uma disputa apertada entre o senador Iván Cepeda, candidato do governista Pacto Histórico e herdeiro político de Petro; o advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria; e a senadora conservadora Paloma Valencia, do Centro Democrático e sucessora política do ex-presidente Álvaro Uribe.

Também aparecem na corrida Sergio Fajardo, de centro-esquerda, e a ex-prefeita de Bogotá, Claudia López.

Segurança domina debate eleitoral

A principal preocupação dos colombianos nesta eleição é a segurança pública. Segundo a pesquisa Colombia Opina, realizada pela Invamer para a Noticias Caracol e a Blu Radio, 40,8% da população considera a ordem pública o principal problema do país.

Os números reforçam a percepção de deterioração. Em 2025, a Colômbia registrou a maior taxa de homicídios desde 2021, segundo dados do Ministério da Defesa.

Dados apontam que o avanço da violência está relacionado às disputas territoriais entre grupos armados ligados ao narcotráfico, à mineração ilegal e à extorsão.

Apesar da política de “paz total” lançada por Gustavo Petro, as negociações com organizações armadas não conseguiram conter a expansão desses grupos. Relatórios independentes apontam aumento dos deslocamentos forçados e fortalecimento militar e econômico das facções ilegais nos últimos anos.

A campanha eleitoral também foi atravessada pela violência política. O assassinato do candidato presidencial de direita Miguel Uribe e ataques simultâneos registrados em diferentes regiões reacenderam o temor de um retorno aos períodos mais violentos da história colombiana.

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Colômbia acusa Equador de "interferência" na eleição presidencial
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Narcotráfico segue no centro da crise

A deterioração da segurança também está ligada ao aumento da produção de cocaína no país.

Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a área cultivada com coca na Colômbia atingiu em 2023 o maior nível da história: mais de 252 mil hectares.

Os dados provocaram atritos entre Bogotá e Washington. O governo dos Estados Unidos classificou a política antidrogas de Petro como “desastrosa e ineficaz”, enquanto o presidente colombiano acusou a ONU de utilizar metodologias que superestimariam a produção potencial de cocaína.

Apesar do crescimento do cultivo de coca, o governo argumenta que houve recorde de apreensões de drogas. Em 2025, as autoridades colombianas apreenderam quase um milhão de toneladas de cocaína, número 47% superior ao registrado no melhor ano do governo Iván Duque.

Ao mesmo tempo, a erradicação de plantações ilícitas caiu drasticamente: passou de mais de 103 mil hectares em 2021 para pouco mais de 8 mil hectares em 2025.


O que defendem os favoritos

  • Iván Cepeda representa a continuidade do projeto político de Gustavo Petro.
  • O senador defende a manutenção das políticas sociais, o aprofundamento das negociações de paz e maior presença do Estado na economia e nos serviços públicos.
  • Já Paloma Valencia aposta em uma plataforma conservadora e linha-dura na segurança. A candidata promete ampliar efetivos militares e policiais, endurecer o combate ao narcotráfico, retomar a pulverização aérea de cultivos ilícitos e romper negociações com grupos armados.
  • Na economia, Valencia propõe cortes de impostos, fortalecimento do setor energético e redução do déficit fiscal.
  • Abelardo de la Espriella, por sua vez, apresenta uma agenda ainda mais radical na segurança pública. O candidato promete construir megaprisões, ampliar penas, acabar com a política de “paz total” e intensificar operações militares contra organizações criminosas.
  • Inspirado em medidas defendidas pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele e pelo argentino Javier Milei, De la Espriella também promete cortes de gastos públicos, desburocratização da economia e ampliação da exploração de petróleo e gás.

Economia melhora, mas déficit preocupa

Na economia, Petro deixa indicadores considerados positivos por parte do mercado e de organismos internacionais. No entanto, atualmente, a Colômbia possui o segundo pior déficit público da América Latina, segundo dados da ONU.

A taxa de pobreza monetária caiu para 31,8% em 2024, o menor índice desde o início da metodologia atual de medição, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas (DANE).

Um estudo do Banco da República estima que cerca de 3,4 milhões de pessoas deixaram a pobreza entre 2021 e 2024.

Como será a votação

As urnas abrirão às 8h e fecharão às 16h no horário local. Os primeiros resultados oficiais devem começar a ser divulgados ainda na noite deste domingo.

Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 21 de junho.

Independentemente do vencedor, o próximo presidente herdará um país que combina avanços sociais importantes com desafios históricos ligados à violência, ao narcotráfico, à crise da saúde pública e ao equilíbrio das contas do Estado.

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