Brasileiro relata desespero em Kiev: “Barulho de bomba. Coração a mil”

A Rússia deu autorização para as tropas invadirem a Ucrânia na madrugada dessa quinta-feira (24/2)

atualizado

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Brasileiro relata desespero em Kiev: “Barulho de bomba. Coração a mil”
1 de 1 Brasileiro relata desespero em Kiev: “Barulho de bomba. Coração a mil” - Foto: Reprodução

O brasileiro David Abu Gharbil, que vive em Kiev, na Ucrânia, tem usado as redes sociais para relatar os momentos de tensão no país em meio à invasão russa na região.

Na madrugada desta sexta-feira (25/2), David, que é engenheiro eletricista, publicou imagens de dezenas de pessoas em um bunker — construção subterrânea que serve de abrigo em situações de guerra. O grupo foi para a estrutura após uma explosão atingir a cidade.

“Tiroteio, barulho de bomba. A noite clareou, ficou de dia. Achei que eu fosse morrer. Meu coração está pulando a mil. Eu estou desesperado com o que aconteceu agora. Veio um clarão que clareou a cidade inteira. A gente não sabe o que está acontecendo na rua”, relatou.

Veja as imagens:

Após a explosão, David e um grupo de pessoas seguiram para o bunker. “A gente está na frente de um bunker, as pessoas aguardando. Crianças, a família toda, gente com mala. A galera toda aqui embaixo, em choque”, afirmou, antes de entrar no espaço.

“A explosão foi bem aqui do lado, um avião abatido e tiros”, disse. Depois, o brasileiro entrou no local e, ao lado de outras pessoas, construiu camas improvisadas com caixotes de madeira e caixas de papelão.

“Nosso jeitinho brasileiro, pegamos umas caixas e fizemos umas ‘mini camas’ aqui. Travesseiros, cobertor, malas. Bastante gente. O pessoal deitado em palets, o que for. Crianças, nenéns, não está fácil. Mas a gente está se dando bem, pelo menos estamos seguros. A gente está tipo em um porão, sabe? Famílias e famílias sentadas do jeito que dá. Forças para nós”, afirma. Confira as imagens.

Durante a madrugada, David e parte do grupo saíram do bunker para comprar alimentos. O engenheiro relatou medo ao precisar deixar a estrutura devido às novas explosões que ocorreram na região durante a noite.

“A gente estava na espreita, então não dormimos. Às 4h20 caiu uma bomba aqui, em torno de uns 3 quilômetros da gente. Fez um belo estrago, um belo barulho. A noite ficou dia, de tanto clarão que deu. A gente conseguiu subir. Tiveram uns ataques na parte da manhã, a gente estava no bunker, só na espera. Conseguimos subir para pegar mantimentos para comer agora na manhã. E vamos voltar para lá porque hoje o dia vai ser pesado. As estradas estão lotadas e a gente está evitando ao máximo andar na rua”, relatou.

Início dos conflitos

David começou a compartilhar registros dos momentos de tensão nas redes sociais na quinta-feira (24/2), data do primeiro ataque russo à Ucrânia.

“Hoje, pela manhã, tocou a sirene avisando que a Rússia entrou e que estaremos em estado de guerra. Você não pode sair de casa, o espaço aéreo está fechado e as ruas estão lotadas, sentido Polônia está lotando. Não tem mais como sair. Impossível sair pelas ruas, porque acabou a gasolina, muitos carros parados. O que resta a nós é nos proteger”, disse.

Veja imagens dos ataques da Rússia na Ucrânia:

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Após sucessivos bombardeios, o país tenta, junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), negociar um cessar-fogo
Tanques militares russos e veículos blindados avançaram em Donetsk, Ucrânia, região que teve a independência russa reconhecida nos últimos dias
Autoridades de segurança ucranianas garantem que há combates em quase todo o território e que os confrontos militares são intensos. Segundo o governo ucraniano, já passam de 200 os ataques russos ao país
Os militares da Ucrânia afirmaram que destruíram quatro tanques russos em uma estrada perto da cidade de Kharkiv, no leste do país, e mataram 50 soldados dos inimigos na região de Luhansk
A imprensa russa informou que membros de uma milícia em Donetsk, uma das regiões separatistas da Ucrânia, estão prontos para apoiar a invasão
A invasão russa da Ucrânia ocorreu na madrugada de 24 de fevereiro, horário de Brasília. Logo em seguida, as sirenes da capital Kiev começaram a tocar. O som foi o primeiro alerta de um possível ataque aéreo na região
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Após sucessivos bombardeios, o país tenta, junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), negociar um cessar-fogo
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Após sucessivos bombardeios, o país tenta, junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), negociar um cessar-fogo

Gabinete do Presidente da Ucrânia
Tanques militares russos e veículos blindados avançaram em Donetsk, Ucrânia, região que teve a independência russa reconhecida nos últimos dias
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Tanques militares russos e veículos blindados avançaram em Donetsk, Ucrânia, região que teve a independência russa reconhecida nos últimos dias

Foto de Stringer/Agência Anadolu via Getty Images
Autoridades de segurança ucranianas garantem que há combates em quase todo o território e que os confrontos militares são intensos. Segundo o governo ucraniano, já passam de 200 os ataques russos ao país
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Autoridades de segurança ucranianas garantem que há combates em quase todo o território e que os confrontos militares são intensos. Segundo o governo ucraniano, já passam de 200 os ataques russos ao país

Foto de Wolfgang Schwan/Agência Anadolu via Getty Images
Os militares da Ucrânia afirmaram que destruíram quatro tanques russos em uma estrada perto da cidade de Kharkiv, no leste do país, e mataram 50 soldados dos inimigos na região de Luhansk
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Os militares da Ucrânia afirmaram que destruíram quatro tanques russos em uma estrada perto da cidade de Kharkiv, no leste do país, e mataram 50 soldados dos inimigos na região de Luhansk

Foto de Oliver Dietze/picture Alliance via Getty Images
A imprensa russa informou que membros de uma milícia em Donetsk, uma das regiões separatistas da Ucrânia, estão prontos para apoiar a invasão
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A imprensa russa informou que membros de uma milícia em Donetsk, uma das regiões separatistas da Ucrânia, estão prontos para apoiar a invasão

Pierre Crom/Getty Images
Segundo a agência de notícias Reuters, militares ucranianos afirmam ter abatido cinco aviões russos, além de um helicóptero, na região de Luhansk, um dos dois territórios separatistas da Ucrânia
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Segundo a agência de notícias Reuters, militares ucranianos afirmam ter abatido cinco aviões russos, além de um helicóptero, na região de Luhansk, um dos dois territórios separatistas da Ucrânia

Foto do Ministério do Interior da Ucrânia/Divulgação/Agência Anadolu via Getty Images
Diante do ataque russo, cidadãos ucranianos deixaram as suas casas, localizadas em zonas de conflito, e recorreram aos trens
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Diante do ataque russo, cidadãos ucranianos deixaram as suas casas, localizadas em zonas de conflito, e recorreram aos trens

Omar Marques/Getty Images
Pessoas também esperam ônibus em rodoviária na tentativa de deixar Kiev, capital da Ucrânia
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Pessoas também esperam ônibus em rodoviária na tentativa de deixar Kiev, capital da Ucrânia

Pierre Crom/Getty Images
Habitantes de Kiev deixaram a cidade após ataques de mísseis pré-ofensivos das forças armadas russas e da Bielorrússia
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Habitantes de Kiev deixaram a cidade após ataques de mísseis pré-ofensivos das forças armadas russas e da Bielorrússia

Pierre Crom/Getty Images
Dois soldados russos foram levados como prisioneiros pela Ucrânia após a operação militar da Rússia
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Dois soldados russos foram levados como prisioneiros pela Ucrânia após a operação militar da Rússia

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Estrutura ficou danificada após ataque de mísseis em Kiev
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Estrutura ficou danificada após ataque de mísseis em Kiev

Chris McGrath/Getty Images
Um foguete foi registrado dentro de um apartamento após bombardeio de tropas russas em Piatykhatky, Kharkiv, nordeste da Ucrânia
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Um foguete foi registrado dentro de um apartamento após bombardeio de tropas russas em Piatykhatky, Kharkiv, nordeste da Ucrânia

Future Publishing via Getty Images
Ao redor do mundo, várias pessoas se manifestam contra o ataque russo à Ucrânia. "Pare a guerra", escreveu mulher em cartaz durante manifestação em frente ao Portão de Brandemburgo, na Alemanha
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Ao redor do mundo, várias pessoas se manifestam contra o ataque russo à Ucrânia. "Pare a guerra", escreveu mulher em cartaz durante manifestação em frente ao Portão de Brandemburgo, na Alemanha

Kay Nietfeld/picture aliança via Getty Images
A quantidade de aeronaves na base da Força Aérea dos EUA, na Alemanha, aumentou significativamente após os ataques russos à Ucrânia
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A quantidade de aeronaves na base da Força Aérea dos EUA, na Alemanha, aumentou significativamente após os ataques russos à Ucrânia

Boris Roessler/picture Alliance via Getty Images

Guerra em Kiev

Destroços de um avião militar atingiram prédios residenciais na cidade durante a noite de quinta. As autoridades ucranianas informaram que se tratava de uma aeronave russa que havia sido atingida, mas observadores internacionais levantam a possibilidade de ter sido um avião das próprias forças da Ucrânia que teria, na verdade, sido derrubado por um míssil russo.

Assessor do Ministério do Interior ucraniano, Anton Gerashenko disse à imprensa local que “o dia mais difícil será hoje [sexta]. O plano do inimigo é romper com tanques [as defesas das cidades] de Ivankiv e Chernihiv e ir a Kiev”.

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