Brasil deixa encontro de chanceleres do G7 com saldo positivo

Participação de Mauro Vieira ampliou diálogo com os EUA e reforçou posição brasileira em temas globais

atualizado

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1 de 1 cupula-chanceleres-g7 - Foto: Reprodução/Governo da França

Especialistas avaliam que o Brasil saiu do Encontro de Chanceleres do G7 com saldo positivo. O bloco concluiu, nessa sexta-feira (27/3), a reunião que reuniu ministros das Relações Exteriores na França. O encontro serviu como etapa preparatória para a Cúpula de Líderes, prevista para junho.

Sob a presidência francesa, o G7 tem concentrado esforços em temas como os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, a reforma das instituições multilaterais e o enfrentamento de problemas transnacionais, como o tráfico de drogas e a imigração.

Na análise de especialistas ouvidos pela reportagem, a participação do chanceler Mauro Vieira foi bem-sucedida ao reforçar o posicionamento do Brasil diante dos principais desafios globais e ao ampliar o diálogo com os Estados Unidos.

O chanceler brasileiro manteve seis agendas bilaterais com outros pares e também teve conversas com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Os diálogos foram antecipados pelo Metrópoles e tratou de temas sensíveis para a relação dos dois países.

Embora não houvesse agenda oficial prevista entre os dois, Rubio e Vieira tiveram ao menos duas conversas às margens do encontro. Os dois trataram sobre o comércio bilateral e o combate ao crime organizado transnacional.

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Imagem mostra Mauro Vieira e Marco Rubio em tom amistoso durante Cúpula para Chanceleres do G7
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira
Cúpula de Chanceleres do G7 ocorreu na França, país que preside o grupo neste momento
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Cúpula de Chanceleres do G7 ocorreu na França, país que preside o grupo neste momento

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Imagem mostra Mauro Vieira e Marco Rubio em tom amistoso durante Cúpula para Chanceleres do G7

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Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira
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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira

Divulgação/Ministério das Relações Exteriores

Ambos os temas foram alvos de impasse na relação entre Brasília e Washington nos últimos meses. O Brasil é um dos alvos das tarifas globais de exportação dos Estados Unidos — umas das medidas adotadas por Donald Trump no contexto de sua política tarifária.

Desde que entrou no radar norte-americano, o Brasil intensificou as tratativas com Washington e escalou grupos de trabalho em uma tentativa de negociar o fim das taxas. Os diálogos, contudo, pouco avançaram. Embora tenha pleiteado uma lista com produtos isentos, o Brasil segue sujeito a uma taxa de 15%.

O combate ao crime organizado também tem causado tensão na relação bilateral. Nos últimos dias, Vieira e Rubio estiveram em contato para tratar do interesse de Washington em classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. O Brasil é contra tal medida.

A expectativa, contudo, é que o assunto volte a ser debatido, desta vez em uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, que devem se reunir nos próximos meses para uma agenda bilateral oficial.


Cúpula de Chanceleres do G7

  • Os chanceleres do países do Grupo dos Sete, também conhecido como G7, se reuniram nessa quinta (26/3) e sexta-feira (27/3) na França para discutir os temas considerados como prioridades para a presidência francesa à frente do bloco;
  • O G7 reúne as principais economias do mundo e reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Para os encontros desta semana, Arábia Saudita, Brasil, Coreia do Sul, Índia e Ucrânia também foram convidadas para as discussões.
  • O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, que buscou reforçar o posicionamento do Brasil em relação à reforma dos organismos internacionais.
  • Durante os encontros, Vieira se reuniu com os chanceleres da Alemanha, Reino Unido, França, Índia, Canadá e Coreia do Sul. O chanceler também manteve conversas com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Agenda brasileira

Mauro Vieira embarcou para França com o objetivo de reforçar o posicionamento brasileiro frente à reforma dos organismos mundiais — um dos temas prioritários na presidência francesa do G7 e debatido nas agendas desta semana.

Desde seus primeiros mandatos, a reforma de instâncias como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) figura entre as prioridades do presidente Lula. Para o petista, o engessamento dessas estruturas dificulta a resolução de conflitos e guerras.

“O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, disse Lula em discurso na Celac na última semana.

Durante participação no Encontro de Chanceleres do G7, Mauro Vieira endossou essas críticas e reforçou o discurso pela reforma dos organismos multilaterais.

“Apoiamos uma reforma do Conselho de Segurança que atualize este órgão com as realidades e demandas do século XXI, ampliando sua composição para garantir a representação de países da África, da América Latina e do Caribe”, declarou o chanceler.

Às margens do encontro, Vieira manteve agendas bilaterais com chanceleres de outros seis países, com a intenção de reforçar laços e ampliar debates para assuntos das relações brasileiras. Foram eles:

  • Alemanha – Johann Wadephul
  • Reino Unido – Yvette Cooper
  • França – Jean-Nöel Barrot
  • Índia – Subrahmanyam Jaishankar em Vaux-de-Cernay
  • Canadá – Anita Anand
  • Coreia do Sul – Cho Hyun

Período de tensão

O encontro de chanceleres do G7 ocorreu em um momento de tensão mundial, causada pelo recente aumento das hostilidades no Oriente Médio. Após a ação coordenada entre EUA e Israel contra o Irã, os país deu início a dezenas de ataques retaliatórios e envolveu outros países da região no confronto.

Nos encontros desta semana, além dos sete países-membros do bloco (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), a França convidou países estratégicos para endossar as discussões, como a Arábia Saudita e a Ucrânia, que estão no centro dos conflitos em curso no mundo.

Criar um “espaço para negociação” é uma das prioridades da França na presidência do G7. Em comunicado divulgado pelo país para tratar das discussões do bloco, ele pontua:

“Em relação ao Irã e ao Oriente Médio, os parceiros [do G7] buscarão meios de negociação para incentivar a redução da tensão, promovendo, ao mesmo tempo, a segurança das populações civis, a reabertura das rotas marítimas e comerciais e a cessação dos programas nucleares e balísticos do regime iraniano”.

Horas após o encontro, embora não tenha mencionado as tratativas do bloco, Marco Rubio descartou o uso de tropas terrestres no Oriente Médio e declarou à imprensa que a ação norte-americana no Irã “pode acabar em semanas”.

“Como o Departamento de Guerra tem reiteradamente destacado, estamos dentro do cronograma ou até mesmo adiantados nessa operação e esperamos concluí-la no momento apropriado, em questão de semanas, não meses”, disse Rubio.

A Cúpula de Líderes do G7, considerada uma das mais importantes do mundo, está prevista para junho e ocorre na França. O presidente Lula deve marcar presença no encontro após convite do presidente francês, Emmanuel Macron.

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