Ato de oposição ao regime iraniano reúne 200 mil na Alemanha

Manifestação ocorre em paralelo à Conferência de Segurança de Munique e é apoiada por Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979

atualizado

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1 de 1 imagem colorida manifestação alemanha - Foto: Reprodução

Apoiadores de Reza Pahlavi, líder oposicionista e filho do xá iraniano deposto em 1979 durante a Revolução Islâmica, saíram nesse sábado (14/2) às ruas de Munique, na Alemanha, para protestar contra o regime do Irã.

A polícia estimou um público de 200 mil pessoas nas ruasacima dos 100 mil esperados pela organização do ato.

A multidão clamava por uma mudança de regime, e alguns brandiam a bandeira iraniana oficial, que vigorou antes de 1979, enquanto outros exibiam cartazes com o rosto de Pahlavi.

O ato foi convocado pela ONG The Munich Circle, entidade fundada por iranianos exilados na Alemanha que monitora e denuncia violações de direitos humanos no Irã.

A manifestação ocorre em paralelo à Conferência de Segurança de Munique, que reúne mais de 60 chefes de Estado e de governo e contou com a participação de Pahlavi.

O filho do xá, que vive exilado nos Estados Unidos, fez em Munique um apelo ao presidente dos EUA, Donald Trump, para que “ajude” o povo iraniano e defendeu o fim da República Islâmica.

“Não estou buscando um título, não quero colocar uma coroa na cabeça”, afirmou Pahlavi, frisando que não está pedindo apoio para si, e sim para o “povo iraniano”. “Deixe que os iranianos decidam qual sistema querem.”

A oposição iraniana é dividida, e Pahlavi é alvo de críticas por apoiar Israel e por nunca ter se distanciado do regime autocrático de seu pai.

O filho do xá também convocou protestos em Los Angeles, nos EUA, e em Toronto, no Canadá.

Mais tarde, ao se dirigir aos manifestantes em Munique, Pahlavi disse estar pronto para liderar a “transição” no Irã. “Estou aqui para garantir a transição para um futuro democrático e secular”, discursou. “Estou comprometido em ser o líder da transição para que possamos ter a oportunidade de decidir o destino de nosso país nas urnas, em um processo democrático e transparente.”

EUA voltam a aumentar pressão sob o Irã

Uma onda de protestos que sacudiu o Irã entre o fim do ano passado e o início deste ano foi reprimida com violência pelo governo, deixando milhares de mortos.

Trump, que chegou a ameaçar um ataque contra o Irã por causa disso, enviou um forte contingente militar à região do Golfo, incluindo dois porta-aviões. De acordo com o Wall Street Journal, além de embarcações com poderio militar, foram mobilizados sistemas de defesa aérea e esquadrões de caças.

E, apesar de inicialmente parecer ter recuado de sua pretensão de atacar o Irã, nos últimos dias, Trump voltou a intensificar sua retórica para pressionar pela assinatura de um acordo nuclear.

Nessa sexta-feira (13/2), ao confirmar o envio do segundo porta-aviões à região, o chefe da Casa Branca afirmou que vai precisar dele caso as negociações com Teerã não avancem, e que uma mudança de regime seria “a melhor coisa que poderia acontecer”.

O Irã manifestou vontade de limitar seu programa nuclear, mas rejeita abandoná-lo totalmente. O governo de Teerã excluiu negociações sobre o programa doméstico de mísseis, ao mesmo tempo que busca o fim das sanções mais severas e um impulso econômico por meios diplomáticos.

Na quinta-feira, Trump advertiu o país persa sobre consequências graves caso não haja um acordo com os EUA. “Será muito traumático para o Irã se não chegarem a um acordo”, afirmou.

Um dia antes, Trump esteve com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e disse que insistiu com ele para que as negociações com o Irã continuassem. Netanyahu tenta instar os EUA a pressionarem Teerã para a reduzir do programa de mísseis e acabar com o apoio a grupos como o Hamas e o Hezbollah como parte de qualquer acordo.

Citando fontes anônimas da Casa Branca, a agência de notícias Reuters informou, nesse sábado, que o governo americano está se preparando para uma possível operação contra o Irã que duraria semanas, levando o conflito entre os dois países a um patamar inédito.

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