Após interceptação, barco de ativistas pró-palestinos chega a Israel

Barco fretado pelo movimento “Flotilha da Liberdade”, foi interceptado pelo exército israelense na costa de Gaza, na noite de sábado (26/7).

atualizado

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1 de 1 imagem colorida navio handala - Foto: Valeria Ferraro/Anadolu via Getty Images

O barco Handala, fretado pelo movimento pró-palestino “Flotilha da Liberdade”, chegou ao porto de Ashdod, em Israel, nesse domingo (27/7). A embarcação foi interceptada na noite de sábado (26/7) pelo exército israelense, enquanto se dirigia a Gaza levando ajuda humanitária à população palestina, segundo constatou um jornalista da AFP em Ashdod.

A organização “Flotilha da Liberdade” informou que, no momento da interceptação, os 19 ativistas e dois jornalistas internacionais a bordo foram detidos pelas autoridades israelenses. Entre os militantes, provenientes de 10 países, estão duas parlamentares do partido francês La France Insoumise: a eurodeputada Emma Fourreau e a deputada Gabrielle Cathala.

“Após 12 horas no mar, e após a interceptação ilegal do Handala, as autoridades israelenses confirmaram a chegada da embarcação ao porto de Ashdod”, afirmou a ONG israelense Adalah, especializada em assistência jurídica, em comunicado.

A ONG enviou advogados ao porto, localizado no centro de Israel, e exigiu o direito de falar com os passageiros do barco, sem sucesso.

“Apesar de pedidos repetidos, as autoridades israelenses negaram aos advogados da Adalah o acesso aos militantes detidos para prestar assistência jurídica”, acrescentou.

“A Adalah reafirma que os militantes a bordo do Handala participavam de uma missão civil pacífica com o objetivo de romper o bloqueio ilegal imposto por Israel a Gaza. O navio foi interceptado em águas internacionais, e sua detenção constitui uma violação flagrante do direito internacional.”

Detalhes da interceptação

O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou, no início da manhã, que a marinha havia interceptado o Handala para impedir a entrada do barco nas águas próximas à Faixa de Gaza.

“A embarcação segue em segurança rumo à costa israelense. Todos os passageiros estão a salvo”, informou o ministério.

No sábado, uma transmissão ao vivo feita pelos ativistas a bordo do Handala mostrou soldados israelenses embarcando no navio. Um sistema de rastreamento online indicava que a embarcação estava em águas internacionais, a oeste de Gaza.

Antes de serem detidos, os tripulantes do Handala haviam declarado, em mensagem publicada na rede X, que iniciariam uma greve de fome caso o exército israelense interceptasse o barco e prendesse seus passageiros.

“Os capangas de Netanyahu abordaram o Handala. Eles atacam 21 pessoas desarmadas em águas internacionais, onde não têm nenhum direito, um sequestro do qual duas parlamentares francesas são vítimas”, reagiu Jean-Luc Mélenchon, líder do partido francês de esquerda radical La France Insoumise, na rede X. “Façam algo além de serem capachos de Netanyahu”, disse ele, dirigindo-se ao governo francês.

Segundo barco humanitário interceptado

O barco partiu do porto de Gallipoli, no sul da Itália, em 13 de julho, com o objetivo de romper o bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza. A embarcação, um antigo barco de pesca norueguês, transportava material médico e alimentos para a população do território, devastado por mais de 21 meses de guerra.

A expedição foi financiada por campanhas de doações em apoio à população da Faixa de Gaza, que enfrenta uma grave crise humanitária.

O Madleen, o primeiro barco enviado pela mesma organização, também foi interceptado pela marinha israelense em águas internacionais no dia 9 de junho. Os militantes, entre eles a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, acabaram sendo expulsos por Israel.

A interceptação do Handala ocorreu poucas horas antes do anúncio, por parte de Israel, de uma “pausa tática” nos combates, que permitiu a entrada dos primeiros caminhões com ajuda humanitária em Gaza em meses. Pressionado internacionalmente, o governo israelense também retomou os lançamentos aéreos de alimentos à população palestina do território.

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