A 45 dias da Copa do Mundo nos EUA, participação do Irã segue incerta

Guerra com os EUA, impasse diplomático e entraves logísticos colocam em dúvida a presença iraniana na Copa do Mundo

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A 45 dias da Copa nos EUA, participação do Irã permanece incerta
1 de 1 A 45 dias da Copa nos EUA, participação do Irã permanece incerta - Foto: Arte Metrópoles/Gui Prímola

A pouco mais de um mês para o início da Copa do Mundo de 2026, a participação do Irã no torneio segue indefinida. Em meio à guerra com os Estados Unidos — um dos países-sede —, o cenário continua incerto e expõe como tensões geopolíticas têm ultrapassado o campo esportivo e colocado em xeque a própria organização do Mundial.

A competição está marcada para começar em 11 de junho, no Estádio Azteca, no México, ou seja, daqui a 45 dias. Apesar de ser a maior edição da história, com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede, a Copa deste ano enfrenta uma combinação de crises que vai da política internacional ao alto custo para torcedores.


Guerra impacta diretamente o Mundial

  • O principal ponto de tensão envolve o conflito direto entre Washington e Teerã, iniciado após ataques norte-americanos e israelenses ao território iraniano.
  • Desde então, a relação entre os dois países se deteriorou rapidamente, afetando diretamente a logística da competição.
  • Classificada em campo, a seleção iraniana caiu no Grupo G e tem seus três jogos da fase inicial programados para os Estados Unidos, em cidades como Los Angeles e Seattle.
  • A possibilidade de a delegação do Irã viajar ao país adversário em meio ao conflito, no entanto, é vista como incerta.
  • Autoridades iranianas já indicaram que a participação depende de mudanças no local das partidas — proposta considerada inviável pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) por razões logísticas e comerciais.

Declarações contraditórias aumentam incerteza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na última semana que o governo norte-americano não pretende impedir a participação dos atletas na Copa do Mundo, apesar das tensões entre os países.

“Não queremos prejudicar os atletas [iranianos]”, disse Trump ao comentar a presença da seleção no torneio.

No entanto, há alguns meses, o republicano declarou que “não se importava” com a participação da equipe iraniana. Trump também chegou a chamar o país de “muito derrotado, à beira do colapso”.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o principal ponto de preocupação não são os atletas, mas possíveis integrantes da delegação com vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica.

“O problema com o Irã não seriam seus atletas. Seriam algumas das outras pessoas que eles gostariam de trazer consigo”, disse. Ele acrescentou que indivíduos com esse tipo de ligação poderiam não ser autorizados a entrar no país.

Recentemente, o enviado especial do governo norte-americano, Paolo Zampolli, chegou a sugerir nos bastidores a substituição do Irã pela Itália. De acordo com a imprensa internacional, a hipótese foi rejeitada pela Fifa.

A seleção italiana, tetracampeã mundial, ficou fora da Copa pela terceira vez consecutiva após ser derrotada na repescagem das eliminatórias europeias.

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Do lado iraniano, o discurso também oscila. Enquanto autoridades esportivas afirmam que a equipe está pronta para disputar o torneio, lideranças políticas indicam que a decisão final dependerá do regime dos aiatolás.

A crise já teve reflexos concretos. O Irã não enviou representantes a um evento oficial da Fifa realizado em março, nos Estados Unidos, para planejamento do Mundial.

Ao Metrópoles, o professor Vitor de Pieri, de geografia humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), avaliou que o episódio reforça uma tendência recente: decisões esportivas cada vez mais influenciadas por fatores políticos e geopolíticos.

“A ideia de que o futebol opera como um espaço neutro e universal tem sido progressivamente tensionada nas últimas décadas. O caso envolvendo o Irã, às vésperas de uma Copa do Mundo, insere-se de maneira emblemática nesse contexto.”

O caso da exclusão da Rússia após o início da guerra na Ucrânia é citado como precedente direto dessa mudança.

Futebol e geopolítica cada vez mais próximos

Para Pieri, as discussões sobre o Irã extrapolam o futebol e evidenciam a dificuldade de manter a neutralidade esportiva. “As discussões sobre sua presença refletem um ambiente de tensões crescentes com os Estados Unidos e deslocam o debate para o terreno da segurança internacional.”

Nos bastidores, alternativas, como transferir jogos para o México, chegaram a ser discutidas, mas levantam questionamentos sobre igualdade entre seleções e impacto logístico. Também surgiu a hipótese de substituição do Irã, o que abriria um precedente ainda mais controverso ao afetar critérios esportivos de classificação.

Críticas à organização e custos elevados

Além da crise geopolítica, a Copa de 2026 enfrenta críticas pelos preços dos ingressos, considerados os mais altos da história do torneio. Bilhetes para jogos chegam a custar milhares de dólares, enquanto serviços básicos, como transporte, também tiveram aumentos expressivos.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defende que o futebol deve “construir pontes”, mas tem sido questionado pela condução do evento em meio a tensões globais.

Até o momento, o Irã não está fora da Copa, mas também não tem presença garantida. A decisão final depende de fatores políticos, diplomáticos e de segurança que vão além do controle esportivo.

Sem precedentes recentes de exclusão ou desistência às vésperas de um Mundial, a Fifa evita tomar uma decisão imediata e monitora o desenrolar do conflito.

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