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Minas Gerais

Vizinha relata brigas entre sargento e capitã da PM: "Tragédia anunciada".

Moradora do mesmo prédio afirma que sargento e capitã discutiam com frequência, promoviam festas com som alto e trocavam xingamentos

22/07/2026 16:10, atualizado 22/07/2026 16:40

Belo Horizonte – As brigas entre o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, e a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, eram frequentes e já preocupavam quem morava no mesmo prédio. Durante o velório da militar, nesta quarta-feira (22/7), uma vizinha do casal, identificada como Daniela Soares da Silva, afirmou que o feminicídio era uma “tragédia anunciada” diante do histórico de discussões do casal.

Segundo Daniela, era comum ouvir gritos e xingamentos vindos do apartamento, principalmente por parte de Eduardo. Ela conta que as discussões aconteciam com frequência e assustavam os outros moradores do prédio.

“Eu já esperava que um dia pudesse acontecer. Era uma tragédia anunciada. Só não imaginava que seria tão rápido assim”, afirmou.

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Sargento leva companheira desacordada
Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordada
3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG
A capitã chegou morta ao hospital
Capitã da Polícia Militar de MG Michele Leão Azevedo
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Capitã da Polícia Militar de MG Michele Leão Azevedo

PMMG/Reprodução
Sargento leva companheira desacordada
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Sargento leva companheira desacordada

Câmera de segurança/reprodução
Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordada
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Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordada

Câmera de segurança/reprodução
3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG
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3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG

Reprodução/redes sociais
A capitã chegou morta ao hospital
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A capitã chegou morta ao hospital

Reprodução/PMMG

Brigas e festas constantes

Além das discussões, a vizinha relata que o casal costumava promover festas com música eletrônica em volume elevado, que chegavam a durar dias seguidos. “Chegou uma hora em que ninguém reclamava mais, porque eles não respeitavam”, disse.

A moradora também lembra que uma das brigas mais intensas do casal ocorreu no último dia 13 de julho, pouco mais de uma semana antes do crime.

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“Na semana da Copa, no dia 13, tiveram uma briga muito estranha, muito feia mesmo. Mas aí, graças a Deus, esse dia não aconteceu nada. E as brigas continuavam, eram muitos xingamentos”, contou.

Ela afirma que, normalmente, era possível ouvir mais a voz do sargento durante as discussões.

Gotas de sangue no corredor

Na noite do crime, a vizinha afirma que não estava em casa durante a ocorrência, mas chegou ao prédio por volta das 21h45 e encontrou gotas de sangue no corredor. Segundo ela, Eduardo havia deixado o edifício poucos minutos antes.

Ela chegou a registrar as marcas com o celular. “No momento eu pensei que tinha acontecido algo mais sério, mas nunca imaginei que ela já estivesse morta”, falou.

Na manhã seguinte, policiais bateram à porta da moradora para perguntar se ela havia ouvido gritos ou qualquer movimentação suspeita durante a noite. Foi nesse momento que ela soube da morte da capitã.

“Quando o policial falou que a Michele tinha morrido, minha pressão caiu. Fiquei em choque.”

Suspeita de feminicídio

Eduardo Abner foi preso em flagrante na noite da última segunda-feira (20/7) após levar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte.

Em depoimento, o sargento afirmou que os dois consumiram bebidas alcoólicas e ecstasy e que Michele teria caído de uma escada após práticas sexuais consensuais envolvendo agressões. Segundo ele, a capitã recusou atendimento médico e morreu horas depois.

A versão, porém, passou a ser contestada pela Polícia Civil. Exames preliminares apontaram múltiplas lesões pelo corpo da vítima, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um grave ferimento no rosto. A investigação também apura relatos de familiares sobre um histórico de relacionamento abusivo.

Durante o atendimento no hospital, Eduardo ainda foi flagrado tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira, motivo pelo qual também passou a responder por tráfico de drogas.

O caso segue sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica da morte da capitã.