Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

Sargento “sempre foi muito agressivo”, diz tio de capitã morta em BH.

Durante o velório da capitã, em BH, familiar afirmou que a oficial vivia um relacionamento marcado por agressividade com o sargento da PM

Belo Horizonte – O tio da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, afirmou nesta quarta-feira (22/7) que o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso por suspeita de matar a esposa, “sempre foi muito agressivo” com a policial. A declaração foi dada durante o velório da vítima, realizado na Capela da Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte.

Segundo Marlon de Carvalho Leão, tio materno de Michele, a família conhecia o comportamento agressivo do sargento ao longo dos cerca de oito anos de relacionamento do casal. “Várias vezes ele sempre foi muito agressivo com ela. A mãe [da capitã] passou por momentos muito difíceis com ele”, afirmou.

Sargento “sempre foi muito agressivo”, diz tio de capitã morta em BH - destaque galeria
5 imagens
Sargento leva companheira desacordada
Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordada
3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG
A capitã chegou morta ao hospital
Capitã da Polícia Militar de MG Michele Leão Azevedo
1 de 5

Capitã da Polícia Militar de MG Michele Leão Azevedo

PMMG/Reprodução
Sargento leva companheira desacordada
2 de 5

Sargento leva companheira desacordada

Câmera de segurança/reprodução
Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordada
3 de 5

Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordada

Câmera de segurança/reprodução
3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG
4 de 5

3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMG

Reprodução/redes sociais
A capitã chegou morta ao hospital
5 de 5

A capitã chegou morta ao hospital

Reprodução/PMMG

Emocionado, Marlon descreveu Michele como uma pessoa alegre, solidária e muito querida pela família. “Perder uma pessoa como ela, uma menina alegre, sempre de bem com a vida, sempre querendo ajudar as pessoas, traz um trauma tremendo para a família”, lamentou.

Prisão preventiva

O tio também comentou a decisão da Justiça que converteu a prisão em flagrante de Eduardo Abner em preventiva durante a audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira. Segundo ele, a família recebeu a notícia com alívio.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Com muita satisfação. Porque quando uma pessoa como ele está em liberdade, pode fazer qualquer coisa. Quando a gente vê que uma pessoa dessa está presa, a gente fica bem satisfeita, porque vai causar menos dano à sociedade”.

Após a audiência, a defesa do sargento informou que vai recorrer da decisão que manteve o militar preso.

Filho de 10 anos

Questionado sobre o filho de Michele, de 10 anos, Marlon disse que o menino estava inicialmente sob os cuidados do pai biológico e acreditava que depois ficaria com a avó materna.

“Não sei o que ele está sentindo nesse momento, mas com certeza ele já está sabendo, e a tristeza é grande, porque já é uma criança que tem noção de algumas coisas”, disse.

O sepultamento da capitã está marcado para as 16h desta quarta-feira (22/7), no Cemitério da Paz, na Região Noroeste de Belo Horizonte.

O caso

Michele Leão Azevedo morreu na noite de segunda-feira (20/7) após ser levada já sem vida pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. O próprio Eduardo Abner conduziu a esposa até a unidade de saúde.

Em depoimento, o sargento afirmou que o casal havia promovido uma festa na residência na noite anterior e que, após a saída dos convidados, os dois consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo ele, Michele sofreu uma queda da escada por volta do meio-dia de segunda-feira, bateu a cabeça e recusou atendimento médico. O militar disse que os dois dormiram e que só percebeu que ela não respondia mais horas depois, quando decidiu levá-la ao hospital.


A versão, porém, passou a ser contestada ainda na unidade de saúde.

Os médicos constataram que Michele já havia morrido entre quatro e seis horas antes de chegar ao hospital. Além do traumatismo craniano, ela apresentava diversas lesões pelo corpo, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um ferimento considerado grave na face.

Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que a quantidade e a gravidade das lesões eram incompatíveis, em um primeiro momento, com a versão apresentada pelo sargento. O delegado Saulo Castro afirmou que uma “lesão muito contundente na face” chamou a atenção da equipe responsável pela investigação.

Outro elemento que agravou a situação do militar ocorreu dentro do Hospital Odilon Behrens. Policiais militares flagraram Eduardo Abner tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do banheiro da unidade. A droga foi apreendida, e ele também passou a responder por tráfico de drogas.

Histórico de violência

Além da dinâmica da morte, a Polícia Civil investiga o histórico do relacionamento entre Michele e Eduardo.

A mãe da capitã contou aos investigadores que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por humilhações, controle e manipulação emocional. Segundo ela, Michele tentava colocar fim ao casamento, mas o sargento não aceitava a separação.

Testemunhas também relataram à polícia um relacionamento marcado por idas e vindas e episódios de violência psicológica e moral.

As declarações do tio durante o velório reforçam essa linha de investigação. Segundo Marlon, a família já tinha conhecimento do comportamento agressivo do militar antes da morte da capitã.