Justiça mantém preso sargento da PM suspeito de matar capitã em BH
O sargento Eduardo Abner teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia nesta quarta (22/7)

Belo Horizonte – O 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso em flagrante por suspeita de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (22/7). O procedimento ocorreu na Central de Audiência de Custódia da Comarca de Belo Horizonte (Ceac-BH), no bairro Lagoinha, na Região Noroeste da capital.
A decisão é do juiz Antônio Francisco Gonçalves e partiu do entendimento que “a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública”. A pedido da defesa do sargento, o caso foi colocado sob sigilo pela Justiça, com a intenção de “resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos”.
Entenda o caso
Eduardo foi preso em flagrante na noite da última segunda-feira (20/7) após levar a esposa, a capitã Michele, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. Lotado no 1º Batalhão da PMMG, ele estava detido no 34º Batalhão da corporação.
Em depoimento, o sargento afirmou que os dois consumiram bebidas alcoólicas e ecstasy e que Michele teria caído de uma escada após práticas sexuais consensuais envolvendo agressões. Segundo ele, a capitã recusou atendimento médico e morreu horas depois.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA versão, porém, passou a ser contestada pela Polícia Civil. Exames preliminares apontaram múltiplas lesões pelo corpo da vítima, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um grave ferimento no rosto. A investigação também apura relatos de familiares sobre um histórico de relacionamento abusivo.
Durante o atendimento no hospital, Eduardo ainda foi flagrado tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira, motivo pelo qual também passou a responder por tráfico de drogas.
O caso segue sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica da morte da capitã.
Quem era a capitã Michele
Michele Leão Azevedo era capitã da Polícia Militar de Minas Gerais. Respeitada na corporação, ela era casada há cerca de oito anos com o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira.
Ela construiu trajetória de sucesso na corporação, com vários cursos na área de defesa e segurança pública. Concluiu o curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, oferecido pela PMMG. Também fez especialização em docência do Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS).
Segundo depoimento da mãe da vítima à Polícia Civil, Michele vivia um relacionamento considerado abusivo.
A mãe afirmou que a filha era constantemente humilhada pelo marido, que exercia controle sobre sua vida e fazia manipulação emocional. Ainda conforme o relato, Michele tentava colocar fim ao relacionamento, mas o sargento não aceitava a separação.
Em uma das ocasiões, ele teria permanecido em frente à casa da mãe da capitã após discussão entre o casal.
No dia da morte, Michele tinha um encontro marcado com a mãe. Ela chegou a atender uma ligação falando baixo e dizendo que não poderia comparecer. Depois disso, deixou de responder às mensagens da mãe.
Eduardo tinha histórico de violência
Eduardo possui dois boletins de ocorrência por violência doméstica registrados em seu nome, nos anos de 2014 e 2016, sem relação com a capitã Michele.













