Sargento suspeito de matar capitã pode ser expulso da PM: "Cortar na carne".
No velório da capitã, porta-voz da PMMG defendeu que, em casos graves envolvendo militares, a corporação deve "cortar da própria carne"
Belo Horizonte — A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) afirmou, nesta quarta-feira (22/7), que o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso suspeito pela morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, poderá ser expulso da corporação caso a responsabilidade criminal seja confirmada ao fim do processo. A declaração foi dada pelo porta-voz da instituição, capitão Rafael Veríssimo, na porta do velório da oficial, em Belo Horizonte.
Segundo o capitão, a PM agiu imediatamente após ser acionada pelo Hospital Odilon Behrens e efetuou a prisão em flagrante do militar, que agora permanecerá detido por decisão da Justiça.
“Diariamente, a Polícia Militar combate o feminicídio e, quando um caso como esse acontece, lamentável e repugnante, a gente vai cortar na própria carne também”, afirmou Veríssimo.
O porta-voz destacou que a corporação não tem competência para julgar ou condenar o investigado, mas ressaltou que havia elementos suficientes para a prisão em flagrante no momento da ocorrência. “A instituição agiu de imediato. Agora, com a participação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário, os fatos serão esclarecidos e haverá a devida responsabilização penal”, disse.
Ainda de acordo com Rafael Veríssimo, o sargento permanece recolhido no sistema prisional militar. Ele informou que a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira resultou na conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, de modo que o policial permanecerá preso durante a investigação e o andamento do processo criminal.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa esfera administrativa, o capitão afirmou que a conduta também poderá gerar a exclusão do militar da PMMG.
“Atos criminosos, sobretudo crimes repugnantes como esse, caso sejam comprovados após o devido processo legal, repercutem também administrativamente, podendo, sim, resultar na exclusão da corporação”, declarou.
Visivelmente emocionado, o porta-voz ressaltou o impacto da morte da capitã entre os policiais militares.
“Machuca. É uma irmã de farda. A Polícia Militar está tomando todas as medidas cabíveis, tanto de amparo aos familiares quanto em relação à ocorrência. Assim que fomos acionados pelo hospital, remanejamos recursos e adotamos todas as providências legais para efetivar a prisão em flagrante”, afirmou.
O caso
A capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20/7), levada pelo próprio marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos. A Polícia Civil apontou que a vítima apresentava múltiplas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, ferimento grave na face e marcas compatíveis com agressões, circunstâncias que embasaram a prisão em flagrante por feminicídio.
Em depoimento, o sargento afirmou que o casal havia consumido álcool e ecstasy e sustentou que Michele sofreu uma queda dentro de casa após práticas sexuais consensuais. A versão, no entanto, é contestada pelas evidências reunidas até o momento e segue sendo investigada pela Polícia Civil.
Além do feminicídio, Eduardo também responde por tráfico de drogas após ser flagrado descartando comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital enquanto acompanhava o atendimento.













