Quem é Eduardo Abner, PM preso por suspeita de matar a capitã Michele
Militar ingressou na PMMG em 2015, integrou a diretoria da Aspra e atuava na segurança da residência oficial do governador Romeu Zema

Belo Horizonte – Além de 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, suspeito de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, integrou a diretoria da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/PMBM), onde ocupou o cargo de diretor jurídico.
Após a repercussão do caso, a Aspra divulgou nota informando que o militar não faz mais parte da diretoria da entidade. Segundo o presidente da associação, sargento Bahia, Eduardo foi desligado por questões disciplinares, após infringir regras internas, em junho de 2025.
A associação também informou que o sargento atuava na segurança da residência oficial do governador Romeu Zema e que retirou do site institucional publicações que o vinculavam à entidade.
O sargento ingressou na PMMG em 2015. Atualmente, era lotado no 1º Batalhão da corporação. Após a prisão em flagrante por suspeita de feminicídio, foi encaminhado ao 34º Batalhão, onde permanece preso.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO sargento também já foi preso por embriaguez ao volante, em 2023, e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira.
Eduardo possui dois boletins de ocorrência por violência doméstica registrados em seu nome, nos anos de 2014 e 2016, sem relação com a capitã Michele. O contexto dos episódios não foi detalhado.
A reportagem do Metrópoles apurou que os inquéritos foram concluídos e encaminhados à Justiça. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), no entanto, informou que não localizou os processos, que podem estar sob sigilo ou fora do banco de dados digitalizado.
Já Michele ingressou na PM em 2004 e, atualmente, trabalhava no Centro de Gestão Documental da PMMG. Os dois estavam juntos há cerca de oito anos. Ela deixa uma filha de 10 anos, fruto de um relacionamento anterior.
“Lesão aparente muito contundente na face”
Eduardo foi preso na noite de segunda-feira (20/7), após levar a capitã já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na região noroeste de Belo Horizonte.
Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que uma “lesão aparente muito contundente na face” da vítima e a pluralidade de ferimentos encontrados no corpo foram elementos que embasaram a prisão em flagrante por feminicídio.
O sargento foi inicialmente detido após policiais militares encontrarem 18 comprimidos de ecstasy que ele descartou na lixeira do banheiro do hospital. No entanto, após a análise dos primeiros elementos da ocorrência, a PC ratificou a prisão.
“O que eu posso falar para vocês também, que nos possibilitou essa prisão em flagrante, se dá pela pluralidade de lesões no corpo da vítima. Há uma lesão aparente muito contundente na face da vítima. Isso foi constatado, de modo que fica muito clara a gravidade daquele procedimento”, disse o delegado Saulo Castro.
Segundo a médica responsável pelo atendimento, Michele apresentava parada cardiorrespiratória há um tempo considerável e diversos ferimentos pelo corpo, como traumatismo craniano, hematomas e inchaços nas pernas.
Em depoimento, Eduardo afirmou que, em uma uma confraternização na residência, ele e Michele consumiram bebidas alcoólicas e drogas. Segundo sua versão, a capitã sofreu uma queda da escada, recusou atendimento médico e, horas depois, foi encontrada desacordada, sendo levada ao hospital.
Um vídeo registrou o momento em que o sargento deixa o elevador carregando Michele nos braços, desacordada, no prédio onde o casal morava, no bairro Palmares, na região nordeste da capital. Em seguida, ele a coloca no carro e segue para a unidade de saúde.
Cronologia da versão apresentada pelo sargento Eduardo Abner
- Entre a noite de domingo (19/7) e a madrugada de segunda-feira (20/7): o casal promoveu uma confraternização na residência com amigos.
- Durante a festa: segundo Eduardo, ele e Michele consumiram grande quantidade de bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
- Por volta das 5h de segunda-feira: após a saída dos convidados, os dois teriam mantido relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e espancamento.
- Por volta das 12h: Eduardo afirma que Michele caiu da escada da casa, sofreu um corte profundo na cabeça e lesões na boca, além de reclamar de tontura.
- Após a queda: ele diz que prestou os primeiros socorros, deu banho na esposa, conteve o sangramento e a colocou para descansar.
- Segundo o sargento, Michele recusou atendimento médico por estar constrangida com o consumo de drogas.
- Por volta das 15h: os dois teriam ido dormir.
- Por volta das 21h: Eduardo afirma que percebeu que Michele não respondia aos estímulos.
- Na noite de segunda-feira: ele levou a capitã ao Hospital Odilon Behrens, onde a equipe médica constatou que ela já estava morta. Desconfiados da versão apresentada, os profissionais acionaram a Polícia Militar.
- Conforme o boletim de ocorrência, Eduardo pediu para ir ao banheiro e descartou uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy na lixeira.
- Em seguida: ele foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio.
A Defesa
O advogado Gustavo Nepomuceno, que representa o sargento suspeito pela morte da esposa, acompanha o cliente nos procedimentos após a prisão.
“Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”, disse ele.
“A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento”, diz ainda a nota.



