“Vi minha mãe ser morta”, diz jovem ao confessar ter matado assassino. Vídeo
Defesa de Marcos Antonio, que viu a mãe ser morta aos 8 anos e matou assassino dez anos depois, afirma que ele tentou se entregar à polícia
atualizado
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Belo Horizonte – A defesa de Marcos Antonio da Silva Neto, de 19 anos, afirmou que o jovem confessou ter matado o homem que assassinou sua mãe há dez anos — quando ele tinha apenas 8 anos —, e que tentou se entregar à polícia desde o primeiro dia. Segundo os advogados, a apresentação foi adiada por questões logísticas e pela ausência de formalização do decreto de prisão nos autos do processo.
Marcos teria matado o assassino da mãe em 31 de março, quando atirou cinco vezes contra Rafael Garcia Pedroso, de 31 anos, que estava em sua moto em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) Carlos Alberto Vieira, no bairro Novo Horizonte, em Frutal. O homem morreu no local. Em confissão à defesa, Marcos teria justificado, abalado: “Vi minha mãe ser morta”.
Os advogados José Rodrigo de Almeida e Isabella Kathrine Vieira do Carmo afirmam que, desde o início, a defesa “adotou postura colaborativa e diligenciou pessoalmente para viabilizar a apresentação espontânea do investigado”. Contudo, Marcos não se entregou no dia do crime, pois, segundo a defesa, o advogado responsável estava em outro município e chegou somente após o expediente da delegacia.
Na segunda tentativa, Marcos e os advogados foram à delegacia mas, por questões jurídicas — já que a intimação ainda não havia sido feita — ele não foi ouvido nem detido. Apesar dos contratempos, a defesa afirma que ele deve se entregar à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
O advogado José Rodrigo relatou um momento triste ocorrido no domingo (5/4), quando encontrou Marcos em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Segundo ele, ao mostrar uma foto da mãe no celular, o jovem teve uma forte crise de choro, começou a tremer e pediu um abraço. “Ele sente muita raiva quando vê a foto da mãe”, lamentou.
O rapaz fez apenas um apelo à defesa: pediu para conversar com um psicólogo antes de prestar depoimento.
A morte da mãe e a vingança 10 anos depois
O crime que Marcos é acusado de cometer remonta a um trauma profundo da infância. Em 3 de julho de 2016, durante a tradicional cavalgada de abertura da ExpoFrutal, o então padrasto Rafael Garcia matou a mãe dele, Glauciane Cipriano da Silva, de 28. Ele desferiu 20 facadas na companheira na frente do menino, que tinha 8 anos.
Marcos presenciou todo o ataque. A mãe dele, que tinha três filhos pequenos (Marcos, um irmão de 7 anos e uma irmã de 2 anos), foi morta após uma discussão por ciúmes durante um churrasco. Na época, Rafael e Glauciane moravam junto com as crianças em uma casa alugada por ele. Após a morte da mãe, Marcos e seus irmãos foram criados pela avó materna, uma empregada doméstica, em um bairro periférico de Frutal.

Rafael foi condenado pela morte da mulher, mas teve o julgamento anulado. Em janeiro de 2026, passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Segundo a defesa, Rafael recentemente havia passado a frequentar a farmácia e o supermercado próximos à casa onde Marcos mora com os irmãos. “Foi quando o meu cliente começou a andar armado”, disse o advogado José Rodrigo.
No dia 30 de março, um dia antes do crime, Marcos relatou que Rafael passou de moto em frente à casa, deu a volta no quarteirão e passou de novo com a viseira levantada olhando diretamente para ele e para a irmã, que estavam na porta.
Na manhã de 31 de março, Rafael estava em frente à UBS Carlos Alberto Vieira, no bairro Vila Esperança, quando foi avistado por Marcos, que pediu para seu amigo parar a moto. Ele desceu e efetuou cinco disparos. O jovem fugiu na garupa da motocicleta.
O depoimento
A defesa reforça que Marcos “nunca se furtou às autoridades e manifestou, de forma inequívoca, intenção de confessar os fatos e colaborar com a Justiça”. O jovem teria pedido ajuda psicológica antes de se apresentar, alegando forte abalo emocional.
A defesa informou que formalizou requerimento para a oitiva imediata do jovem, mas o depoimento foi postergado. “Diante da possível existência de um decreto de prisão ainda não formalizado nos autos, os advogados tomaram medidas judiciais para garantir o contraditório e a ampla defesa”.
Agora, Marcos só vai se apresentar à polícia quando o decreto de prisão estiver devidamente formalizado pelo Judiciário. “Só vou levá-lo quando o tribunal falar que tem que prender mesmo”, afirmou a defesa.
“A defesa reitera que o caso deve ser analisado com critérios técnicos e jurídicos, afastando-se qualquer antecipação de juízo, e que continuará atuando com responsabilidade e respeito às instituições”, finalizam os advogados.
