Vereador de BH responde “o choro é livre” após PT requerer cadeira

PT afirma que mudança de partido configura infidelidade partidária; defesa do parlamentar alega que anuência do PV basta

atualizado

metropoles.com

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Cláudio Rabelo/CMBH
Câmara de Belo Horizonte
1 de 1 Câmara de Belo Horizonte - Foto: Cláudio Rabelo/CMBH

Belo Horizonte – Após o Partido dos Trabalhadores (PT) entrar com um requerimento no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) pedindo a vaga do vereador de Belo Horizonte, Wagner Ferreira (Rede), por infidelidade partidária, o político, que deixou o Partido Verde (PV) que é federado ao PT,  debochou da ação e afirmou que “o choro é livre”.

A defesa de Ferreira alega que a anuência do partido, no caso o PV, além da janela partidária, seria suficiente para que a mudança de sigla não acarretasse na perda da vaga.

Também afirmaram que a legislação infraconstitucional e a jurisprudência consolidada da Corte Eleitoral permitem que a mudança ocorra sem prejuízo ao vereador.

Na última terça-feira (19/5), o PT da capital alegou que, como Ferreira foi eleito pela federação da sigla, junto ao PCdoB e ao PV, a desfiliação caracteriza um ato de infidelidade partidária.

“Não pedir essa vaga seria negligência. Ter direito e não recorrer, seria negligência do PT”, afirmou o presidente municipal do PT, Guima Jardim.

O PT ainda argumentou que, segundo a legislação de fidelidade partidária, parlamentares eleitos em disputas proporcionais só podem mudar de legenda durante a janela partidária referente ao cargo. Ou seja, vereadores, só poderiam mudar de legenda na próxima disputa municipal, em 2028.

“Ressalta que a justa causa para desfiliação só se configura em hipóteses restritas (mudança relevante de programa partidário, grave discriminação pessoal, janela eleitoral, ou anuência da federação), não presentes neste caso, visto que o parlamentar buscou apenas a anuência do Partido Verde e não de toda a federação”, afirmou no despacho.

A legenda também argumenta que, com base em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os mandatos parlamentares proporcionais pertencem ao partido ou a federação.

Quem assumiria a vaga?

Caso o TRE-MG acate a solicitação do PT, quem deve assumir a vaga na Casa é a Subsecretária de Assistência Social de Belo Horizonte, Luana de Souza (PT), que recebeu 6.495 votos no pleito de 2024.

Neste mandato, o vereador Wagner Ferreira se aproximou da “Família Aro”, que envolve políticos alinhados ao ex-secretário de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP). Os dois, junto da deputada federal Nely Aquino (Podemos-MG), também integrante da “família”, fizeram postagens nas redes sociais celebrando o alinhamento.

Na época, a parceria não foi vista com bons olhos pelo PV. Marcelo Aro foi membro do governo Romeu Zema (Novo) e vem fortalecendo laços com figuras ligadas ao bolsonarismo, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

 

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