Damião desafia Simões a pagar obras do Anel: “O senhor tem o dinheiro”

O prefeito de BH afirmou, nesta sexta-feira (15/5), que tem “todas as ideias” para intervenções no Anel de BH, mas precisa de recursos

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Abraão Bruck/CMBH e Agência Minas
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1 de 1 metadinha-2x-1778853680607 - Foto: Abraão Bruck/CMBH e Agência Minas

Belo Horizonte – Em meio à pressão por soluções para o Anel Rodoviário de Belo Horizonte após novos acidentes graves na via, o prefeito Álvaro Damião (União) subiu o tom nesta sexta-feira (15/5) e desafiou o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), a dividir os custos de intervenções emergenciais no trecho.

Durante coletiva de imprensa sobre acidentes e obras no Anel, Damião afirmou que a prefeitura está disposta a participar diretamente das melhorias, mas cobrou do governo estadual recursos para tirar os projetos do papel.

“Eu posso interferir convidando o governo do estado a gastar R$ 1 bilhão no Anel. Se o governo tem R$ 5 bilhões para gastar no Anel, que ele não sabe se vai fazer porque depende disso ou daquilo, vamos sentar, governador, e vamos falar”, convocou o prefeito de BH.

Damião ainda disse que tem “todas as ideias”, mas precisa de recursos para tirar as obras do papel. “Vamos nós dois fazermos. Eu tenho todas as ideias. O senhor tem o dinheiro, então pega R$ 1 bilhão que a gente faz as principais intervenções que têm que ser feitas”, declarou.

A fala ocorre dias após Simões usar as redes sociais para cobrar a liberação das obras do Rodoanel Metropolitano e responsabilizar disputas judiciais pela demora no projeto. Na ocasião, o governador afirmou que o estado estaria pronto para iniciar as intervenções, mas que ações judiciais estariam travando o avanço.

“O estado está pronto para fazer a obra do Rodoanel e dar mais segurança pra população. O que trava tudo hoje são ações judiciais por interesses políticos escusos […] Até quando?”, escreveu o governador após um grave engavetamento envolvendo 14 veículos no Anel Rodoviário, na altura do bairro Betânia, região oeste da capital.

Pressão por obras

O acidente reacendeu o debate sobre a segurança da via, historicamente marcada por colisões envolvendo caminhões e veículos pesados. O caso deixou duas pessoas feridas e provocou longos congestionamentos no sentido Vitória.

Nos últimos dias, vereadores e políticos mineiros passaram a pressionar por medidas imediatas, como a criação de uma segunda área de escape, além da aceleração das obras do Rodoanel Metropolitano – projeto defendido pelo governo estadual como alternativa para retirar o fluxo de caminhões pesados do Anel Rodoviário.

O projeto, no entanto, enfrenta impasses judiciais e ambientais. O licenciamento foi suspenso após comunidades quilombolas de Contagem acionarem a Justiça alegando que não foram consultadas sobre os impactos da obra. Uma liminar do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) manteve a paralisação.

Enquanto o governo estadual aposta no Rodoanel como solução definitiva, Damião indicou que defende intervenções imediatas no próprio Anel Rodoviário e tentou dividir com o Palácio Tiradentes o desgaste provocado pelos acidentes recorrentes na via.

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