Acidente no Anel em BH reacende pressão por obras e área de escape
Políticos mineiros cobram medidas para reduzir o número de acidentes no Anel Rodoviário; gestão é da Prefeitura de Belo Horizonte
atualizado
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Belo Horizonte — O acidente registrado no Anel Rodoviário de Belo Horizonte reacendeu cobranças de políticos mineiros por intervenções estruturais na via, historicamente marcada por acidentes graves envolvendo veículos pesados. Parlamentares voltaram a defender medidas como a criação de uma segunda área de escape, além da aceleração das obras do Rodoanel.
O debate ganhou força nas redes sociais após um caminhão perder o controle e atingir vários veículos na altura do bairro Betânia, na Região Oeste da capital, na tarde dessa terça-feira (12/5). O acidente deixou duas pessoas feridas e congestionamento no local.
O vereador de Belo Horizonte Irlan Melo (PL-MG) publicou um vídeo afirmando que já havia cobrado melhorias para o Anel Rodoviário no plenário da Câmara Municipal em abril deste ano. Segundo ele, o pedido pelo alargamento da via já teria sido feito “pela 10ª vez”.
“Estamos cobrando o governo municipal, estadual e federal. A cidade de BH não merece mais ter um corredor como o Anel, que mata mais do que as principais avenidas da cidade. Infelizmente, vai ter gente com as mãos sujas de sangue por causa desse trabalho que já deveria ter sido feito”, afirmou.
Nova área de escape e Rodoanel
Já o vereador Pablo Almeida (PL) voltou a defender a implantação de uma segunda área de escape no trecho. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que o motorista do caminhão envolvido no acidente não conseguiu acessar a estrutura já existente.
“Pra quem não conhece, aqui no Anel tem uma área de escape, mas o motorista só percebeu depois de passar por ela”, disse.
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O parlamentar também criticou a municipalização do Anel Rodoviário, concluída em 2025, e afirmou que a única medida prática adotada até agora teria sido a instalação de radares. Segundo ele, a solução definitiva passa pela construção do Rodoanel Metropolitano.
“Enquanto continuo cobrando a prefeitura, a solução a médio e longo prazo é a criação do Rodoanel. O absurdo é que essa obra está parada por conta de uma suspensão judicial envolvendo quilombolas”, afirmou.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), também se manifestou sobre o tema nessa terça-feira. Em publicação nas redes sociais, ele criticou a judicialização das obras do Rodoanel e afirmou que o estado já estaria pronto para iniciar a intervenção.
“O estado está pronto para fazer a obra do Rodoanel e dar mais segurança pra população. O que trava tudo hoje são ações judiciais por interesses políticos escusos […] Até quando?”, escreveu.
O que é o Rodoanel
O Rodoanel Metropolitano é defendido pelo governo estadual como alternativa para retirar o tráfego de caminhões pesados do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. O projeto, no entanto, enfrenta questionamentos judiciais e ambientais desde o processo de licenciamento.
De acordo com a Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, o início das obras do Rodoanel pode ocorrer no segundo semestre deste ano caso o governo estadual consiga reverter a decisão judicial que travou o licenciamento ambiental do projeto.
A previsão das obras foi interrompida após pedido de comunidades quilombolas de Contagem, situadas próximas ao traçado. Uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) acatou a reivindicação, no fim do ano passado. O argumento é de que as comunidades afetadas não foram ouvidas pelo governo estadual no processo de elaboração do projeto.
A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para comentar as cobranças envolvendo melhorias no Anel Rodoviário e questionou se há estudos para implantação de uma nova área de escape, contudo, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
