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Copa do Mundo 2026Minas Gerais

Sheik marroquino que vive em BH torce pelo Brasil na Copa. Vídeo

Há 36 anos no país, líder da única mesquita de Minas diz ser "brasileiro de coração", mas admite ter comemorado o gol de Marrocos

24/06/2026 03:00
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Belo Horizonte – O empate entre Brasil e Marrocos pela primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 conseguiu agradar ao menos um morador de Belo Horizonte. O sheik Mokhtar Elkhal, que comanda há 33 anos a única mesquita em Minas Gerais, nasceu em Casablanca, no Marrocos e chegou ao Brasil ha 36 anos.

“Eu sou neutro. Enquanto os brasileiros torciam para o Marrocos, conhecidos meus no Mercado Central, no sacolão, eles falaram ‘o Marrocos vai derrubar’. (…) Eu sou, não vou falar nacionalista, eu gosto do meu país, Marrocos, mas sou grato a Deus e ao Brasil que me hospedou, hospedou muitos estrangeiros que vieram e cresceram aqui no Brasil. A gente ficou dividido”, afirmou.

Com três filhos, todos nascidos no Brasil, o sheik conta que eles “vestem as duas camisas, a amarela e a vermelha”.

Apesar da aparente neutralidade, Mokhtar diz, com um sorriso de canto, ter celebrado o gol de cobertura de Ismael Saibari e se mostrou feliz que, muitos atletas nascidos fora do Marrocos, escolheram representar o país de seus pais.

“Todo marroquino gosta de apoiar o próprio time, principalmente os que nasceram fora do país, principalmente aquele jogador o número 6, (Ayyoub) Bouaddi, 18 anos, nasceu na França, cresceu na França, jogou nos times franceses, mas o amor, a fidelidade aos pais fez ele jogar pela seleção marroquina e jogou bonito. Todos nasceram fora, mas todos com nome de Mohamed, Abdullah e tal, eles se introduziram muito na cultura europeia, mas não deixaram de vestir o amor à pátria mãe”, comentou.

Quem chega mais longe: Brasil ou Marrocos?

Em meio à descrença de parte dos brasileiros sobre a capacidade do Brasil ser campeão, o sheik afirma que acredita no sucesso da equipe comandada por Carlo Ancelotti.

“Vou torcer que ele continue, para dar felicidade ao país que me hospedou. Não vou torcer para que seja eliminado, como alguns brasileiros, que dizem ‘vai ser a Argentina (a campeã)’. Eu sou brasileiro de coração e vou continuar”, comentou.

Outro ponto destacado foi a representatividade do grupo, que conta com atletas nascidos em dez estados e de todas as cinco regiões do país. Sentimento que, para ele, ajuda a reforçar os laços com a população.

Ainda assim, há esperança de que Marrocos repita os números da Copa do Catar de 2022 ou até consiga uma façanha ainda não alcançada por uma equipe do continente.

“Pode ser que surja um time pequenininho, igual o Marrocos. Antigamente ninguém dava consideração, mas na Copa do Catar, tirou Portugal, tirou a Espanha, tirou vários times fortes. Pode ser que surja surpresa agora”, profetizou.

Raja Casablanca e seleção tricampeã de 1970

O interesse pelo esporte começou antes da chegada dele a América do Sul, inclusive com torcida para o Raja Casablanca, adversário icônico que derrotou o Atlético Mineiro na semifinal do Mundial de Clubes de 2013, que aconteceu no país africano. Sobre o futebol brasileiro, ele guarda referências do elenco tricampeão em 1970.

“Sempre que a gente jogava bola, adotava os nomes de Jairzinho, Tostão, Rivellino, gostava muito dos times brasileiros”, disse o religioso.

Já no amor aos clubes mineiros, há divisão entre os filhos que ligam para futebol: uma filha é torcedora do Galo e o filho prefere o azul do Cruzeiro.

Mais tempo no Brasil do que no Marrocos

Com cerca de 23 anos, o marroquino deixou seu país para ir estudar teologia na Arábia Saudita, país que é referência para estudos islâmicos, onde permaneceu por dez anos.

Após este período, Mokhtar decidiu se mudar. O desejo inicial era ir para Singapura, uma cidade-estado no sudeste asiático com grande presença muçulmana, mas a vida o trouxe ao Brasil, à cidade de São Paulo, onde planejava ficar apenas dois anos.

Em três anos saiu da capital paulista, para a cidade de Chuí, ponto mais meridional do país, na fronteira com o Uruguai; depois seguiu para Foz do Iguaçu, cidade com forte presença árabe, também na fronteira, mas com o Paraguai; até se instalar definitivamente em Belo Horizonte.

Entre seus três filhos, uma é gaúcha, o homem é paranaense e a caçula é mineira.