Prefeitura destrói ciclovia em BH e alega falha em estudos. Entenda
Prefeito de BH, Alvaro Damião, afirmou que corredor comprometia o trânsito; organizações de mobilidade urbana contestam a medida

Belo Horizonte — O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), anunciou o desmanche da ciclovia da Avenida Afonso Pena, no centro da capital mineira. Em vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (13/6), ele classificou a medida como “um dos dias mais esperados por boa parte da população” e afirmou que a estrutura foi desmobilizada após autorização da Justiça.
“Primeiro eu queria falar para você que é ciclista: eu tenho um compromisso com vocês, aumentar o número de ciclovias em Belo Horizonte, mas não num lugar como esse. Afonso Pena, Amazonas, Antônio Carlos, Cristiano Machado… o trânsito já está muito sufocado e não dá espaço para isso nessas vias”, disse na publicação.
Ver esta publicação no Instagram
A PBH disse, por meio de nota, que decisão de retirar a ciclovia foi baseada em estudos técnicos realizados desde o início da disputa judicial envolvendo a obra. De acordo com o município, uma reavaliação apontou que os impactos da estrutura sobre o trânsito da região não foram plenamente previstos nos estudos originais.
A administração argumenta que, no trecho entre a Praça da Bandeira e a Rua Trifana, a ciclovia ocupava cerca de 12% da largura da pista destinada aos veículos, reduzindo a capacidade operacional da avenida, que já registra sobrecarga nos horários de pico.
“Ao longo da via circulam diariamente mais de 40 linhas do transporte coletivo, que fazem mais de 3,6 mil viagens e transportam mais de 150 mil passageiros por dia. Além disso, circulam pela avenida diariamente cerca de 21 mil veículos”, disse.
Ainda conforme a nota, outro ponto considerado foi a proximidade da via a equipamentos de saúde de alta complexidade, como o Hospital João XXIII, situado a poucos metros do corredor, o que torna qualquer redução da capacidade viária um risco potencial ao tempo de resposta de ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros.
A reportagem do Metrópoles questionou a PBH sobre os custos de implantação e de retirada da ciclovia, mas não obteve retorno até a publicação.
Vai e vem na Justiça
Em abril de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça a suspensão das obras. O órgão argumentou que o projeto não tinha o licenciamento necessário e que a ciclovia seria incompatível com as características da avenida.
Naquele mesmo mês, a Justiça rejeitou o pedido em decisão liminar. Apesar disso, a Prefeitura de Belo Horizonte optou por interromper os trabalhos.
Em junho de 2025, uma nova decisão judicial voltou a autorizar a continuidade da obra.
A ciclovia da Avenida Afonso Pena integrava o projeto de revitalização da via, com investimento total de R$ 24,8 milhões da PBH. A estrutura ligava a Praça Rio Branco (Rodoviária) à Praça da Bandeira, em um trecho de 4,2 quilômetros.
Revolta de ciclistas
A decisão gerou críticas de ciclistas e entidades ligadas à mobilidade urbana. Em vídeo publicado pela organização Minha BH, uma ciclista afirma: “Enquanto você tava torcendo pelo Brasil, olha o que que o prefeito de BH fez”, sugerindo que a decisão foi tomada em um momento em que a atenção de parte da população estava voltada para a partida da Seleção Brasileira.
Ela argumenta que a ciclovia representa uma medida de segurança para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. “Ciclovia é segurança das vidas das pessoas no trânsito, e o trânsito de Belo Horizonte é um dos piores do Brasil. E você sabe disso, porque você, prefeito, tem obrigação de saber”.
“E qual dinheiro você gastou também para vir aqui desfazer essa obra? Porque não tinha dinheiro para desfazer. O dinheiro era para fazer daqui até lá na rodoviária e garantir a segurança da vida dos ciclistas. Agora você explica o quê?”, questionou.


