PF mapeia lavagem de dinheiro, contador e laranja da Turma de Vorcaro
Erlene Nonato, "laranja", e Helder Lima, o "contador das notas frias", eram peças importantes no esquema de limpeza de dinheiro ilícito

Belo Horizonte – De acordo com a Polícia Federal, no esquema de lavagem de dinheiro de capitais da organização criminosa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, Erlene Nonato Lacerda e Helder Alves de Lima, eram as peças principais para movimentar e legalizar os recursos destinados ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Marilson era o líder do núcleo de intimidação “A Turma”.
Erlene atuava como gestora financeira e “laranja” do policial aposentado Marilson Roseno da Silva. Ela operava no núcleo financeiro sediado em Belo Horizonte, onde notas fiscais fraudulentas eram emitidas para maquiar repasses aos homens acusados de pesquisar e intimidar desafetos do dono do Banco Master.
Foram encontradas durante as investigações tornadas públicas nesta terça-feira mensagens entre Erlene e Marilson datadas de 2023, “revelando um vínculo antigo entre eles”, cita documento da Polícia Federal.
Erlene era pessoa de confiança e realizava a gestão financeira pessoal de Marilson Roseno. Como “laranja” ela recebia valores em suas contas bancárias. Esses valores, na verdade eram destinados a Marilson.
No relatório há o detalhamento de dois pagamentos de R$ 50.000,00 vindos da empresa King Participações (de Felipe Mourão, o Sicário de Vorcaro). Esse valor eram destinados a Marilson, mas depositados para Erlene. A manobra servia para dificultar o rastreamento do dinheiro. Os valores foram depositados nos dias 16 de fevereiro de 2024 e 26 de outubro de 2023.
Tudo era planilhado por Erlene e enviado a Marilson com o detalhamento para prestar contas das movimentações ilícitas. Ela exercia “papel preponderante na ocultação patrimonial por parte de MARILSON ROSENO DA SILVA, figurando como peça central e indispensável à prática do delito de lavagem de capitais (art.1º da Lei nº 9.613/98)”, cita trecho do documento da PF.
O contador e a lavagem
O papel de contador do esquema criminoso, segundo a PF, ficava com Helder Alves de Lima. Ele atuava como contado da empresa de Marilson, a Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial Ltda. Era o responsável pela camada de aparência legal dos recursos. Helder emitia as notas fiscais da empresa de Marilson contra a KING Participações para justificar o recebimento de valores mensais. Os valores eram de R$ 50 mil, R$ 100 mil, ou R$ 150 mil.
As descrições constantes nas notas eram genéricas como “prestação de serviços comerciais e administrativos”, para esconder que o dinheiro era usado para pagamento por serviços criminosos da “Turma”.
No documento da PF, há diálogos nos quais Helder afirmava que a emissão das notas era necessária para que o dinheiro entrasse “todo limpinho” para Marilson. O esquema também utilizava CPFs de outras pessoas para emitir notas e regularizar a entrada de dinheiro
Inteligação entre Erlene e Helder
Apesar das funções no esquema serem distintas, tanto Erlene quanto Helder operavam de forma coordenada para garantir o sustento financeiro da equipe criminosa. Erlene cuidava da movimentação física e ocultação do dinheiro em contas diversas, Helder providenciava o lastro contábil fictício para essas entradas.
Os dois estão envolvidos na movimentação de dinheiro que saía das empresas da família Vorcaro, passava pela KING Participações (de Felipe Mourão) e chegava a Marilson Roseno.
A Polícia Federal concluiu que a atuação de ambos foi peça central e indispensável para a prática do crime de lavagem de capitais, permitindo que a organização criminosa continuasse operando mesmo sob investigação.
A defesa deles ainda não se manifestou sobre o relatório da PF. O espaço está aberto.


