Pai de Vorcaro chega à Superindendência da PF em BH para ser preso
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso pela PF nesta quinta, durante operação que investiga fraudes contra o sistema financeiro
atualizado
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Belo Horizonte — O empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, chegou à Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte na manhã desta quinta-feira (14/5), após ser preso em Nova Lima, na região metropolitana da capital mineira. Ele é alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Henrique foi um dos alvos dos sete mandados de prisão preventiva autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além da prisão, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão contra o empresário mineiro.
Na ocasião, a PF encontrou uma arma de fogo, R$ 40 mil em espécie e uma carteira de criptomoedas com os investigados.
A nova fase da Compliance Zero mobilizou policiais federais em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. O STF também determinou bloqueio e sequestro de bens, além do afastamento de servidores públicos investigados.
Entre os alvos está a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva, afastada das funções, e o agente da PF Francisco José Pereira da Silva, preso no Rio de Janeiro. De acordo com a investigação, os dois são suspeitos de repassar informações sigilosas da corporação ao grupo ligado a Daniel Vorcaro.
Quem são os investigados da “Turma”
A Polícia Federal afirma que a operação mira integrantes da chamada “A Turma”, descrita pelos investigadores como uma estrutura clandestina utilizada para intimidar críticos, monitorar autoridades e acessar informações sigilosas em favor de Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, o grupo teria atuado em ações de vigilância, obtenção ilegal de dados, intimidação e ocultação patrimonial.
Entre os investigados apontados pela corporação estão:
- Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e apontado como líder do grupo;
- Fabiano Zettel, cunhado de Daniel e suspeito de atuar como operador financeiro;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como integrante do núcleo de inteligência paralela;
- Henrique Vorcaro, investigado por suspeitas de participação em ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
A investigação também cita Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como coordenador operacional da estrutura. Ele chegou a ser preso em fase anterior da operação e morreu posteriormente no sistema prisional.
Quem é Henrique Vorcaro
Henrique Vorcaro é fundador do Grupo Multipar, conglomerado mineiro com atuação nos setores de infraestrutura, engenharia, agronegócio, energia e mercado imobiliário.
Relatórios da investigação apontam que empresas ligadas ao empresário movimentaram mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 em operações relacionadas ao núcleo investigado.
O nome do empresário ganhou ainda mais peso na investigação após a PF afirmar ao STF que Daniel Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída a ele após deixar a prisão no fim de 2025.
Segundo a corporação, os valores foram identificados durante medidas de bloqueio financeiro realizadas na segunda fase da operação, em janeiro deste ano. Em relatório enviado ao Supremo, os investigadores afirmaram que a ocultação patrimonial teria continuado mesmo após a soltura do banqueiro.
Fraudes no Sistema Financeiro
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo a PF, o banco controlado por Daniel Vorcaro teria criado carteiras de crédito sem lastro — consideradas fictícias pelos investigadores — para inflar balanços financeiros e gerar liquidez artificial no mercado.
As apurações já resultaram no bloqueio judicial de R$ 12,2 bilhões dos investigados, valor relacionado a operações consideradas fraudulentas envolvendo ativos do Banco Master.
