Mineiro se explica após levar para casa ar-condicionado da prefeitura
Marcos Roberto Estevam negou irregularidade e disse que o ar-condicionado ficou temporariamente em sua residência e sem uso

Belo Horizonte — Marcos Roberto Estevam, ex-prefeito de Delta, no Triângulo Mineiro, acusado de manter em casa um aparelho de ar-condicionado pertencente à prefeitura enquanto chefiava o município, falou com o Metrópoles sobre o caso.
Em resposta à reportagem, Estevam negou qualquer irregularidade e afirmou que o aparelho de ar-condicionado permaneceu temporariamente em sua residência por questões de segurança.
Segundo ele, a casa fica a menos de 100 metros do prédio público onde o equipamento seria instalado. O ex-prefeito explicou que o imóvel passava por reformas, havia recebido pintura poucos dias antes e que a porta de blindex estava quebrada, o que teria motivado a guarda temporária do aparelho.
“Esse ar ficou no corredor da prefeitura por um bom tempo, aproximadamente de março a dezembro, e [depois] ficou na minha casa aproximadamente 10 dias”, afirmou.
“Erro no flagrante”
Estevam também contestou a condução da investigação. Ele disse que, no momento da abordagem, informou ao delegado que o ar-condicionado era destinado a um prédio da Saúde. No entanto, segundo sua versão, a autoridade não foi até o local indicado e optou por colher o depoimento de um servidor de um prédio da Educação, que também fica próximo à residência dele.
“Esse foi o ponto principal do flagrante. Eu entendo que houve um erro, porque deixei claro que o equipamento era destinado ao prédio da Saúde, e não ao da Educação”, afirmou.
Marcos Roberto disse ainda que acredita que a repercussão da prisão dificultou uma reavaliação da situação antes da ratificação do flagrante. Ele informou que ficou apenas detido na delegacia e que sua audiência de custódia foi realizada no mesmo dia. Por fim, o ex-prefeito afirmou que pretende comprovar sua versão durante a fase de instrução do processo.

Memorando
O ex-prefeito enviou ao Metrópoles um memorando interno da Prefeitura Municipal de Delta, que foi remetido pela Secretaria Municipal de Saúde ao prefeito em novembro de 2024.
O texto formaliza uma solicitação de instalação de ar-condicionado para o prédio da Academia de Saúde local, justificando a necessidade diante de futuras reformas. A secretária municipal de saúde, Andreia Aparecida da Silva, que assina o documento, argumenta que a climatização do ambiente é fundamental para assegurar o conforto térmico e o bem-estar tanto dos usuários quanto dos profissionais, especialmente em épocas de calor intenso.
Além do texto, o documento inclui fotos da “Academia de Saúde” do município, registrando que o prédio estava em obras e com a entrada aberta, o que o tornava vulnerável a furtos e intempéries na época (janeiro de 2025).
Por esse motivo, o prefeito teria guardado o equipamento em sua casa.

Defesa
Marcos Roberto afirma que o recebimento da denúncia pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) marca apenas o início do processo judicial, não significando uma condenação ou reconhecimento de culpa.
Em nota enviada ao Metrópoles, o ex-prefeito de Delta ressalta os seguintes argumentos para a sua defesa:
Presunção de inocência; ausência de apropriação e reconhecimento voluntário, pois, no momento da abordagem, identificou espontaneamente o aparelho de ar-condicionado como pertencente à prefeitura; estado do equipamento que nunca havia sido utilizado e estava lacrado na embalagem original; colaboração com as autoridades e histórico da sua gestão pública.
Segundo ele, as buscas tinham o objetivo de investigar “fatos diversos”, que não estavam originalmente relacionados ao aparelho de ar-condicionado.
Fatos Diversos
Questionado sobre a origem da operação, o ex-prefeito Marcos Roberto Estevam afirmou que o mandado de busca e apreensão foi expedido no âmbito da Operação Limpidus. Segundo ele, a investigação teve início para apurar supostos desvios no Consórcio Intermunicipal de Saúde Vale do Rio Grande (Cisvalegran), com sede em Uberaba, do qual Marcos era presidente à época.
Marcos Roberto também declarou que as duas primeiras fases da investigação relacionadas ao consórcio foram arquivadas.
Sobre a denúncia do MPMG
A Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia do Ministério Público (MPMG) contra o ex-prefeito de Delta, Marcos Roberto Estevam, acusado de manter em sua residência um aparelho de ar-condicionado adquirido com recursos públicos e destinado ao Centro de Cultura do município.
Segundo a investigação, o equipamento foi localizado durante a Operação Limpidus, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), ainda lacrado e na embalagem original. De acordo com o Ministério Público, não havia documentos que justificassem a retirada do bem do patrimônio público ou sua permanência na casa do então gestor.
Ao aceitar a denúncia, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais entendeu que há indícios suficientes para o prosseguimento da ação penal. O ex-prefeito responde por suposto crime de responsabilidade relacionado à apropriação ou desvio de bens públicos.
O Metrópoles entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais e aguarda posicionamento.


