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Minas Gerais

Justiça suspende médico de BH investigado por possíveis erros em cirurgias

Decisão aponta possíveis falhas em cirurgias, consentimento e acompanhamento de pacientes; clínica deverá apresentar prontuários

10/09/2026 16:29
Santa Casa/Divulgação
cirurgia plástica

Belo Horizonte – A Justiça mineira determinou a suspensão do exercício profissional de um médico investigado por possíveis erros na realização de procedimentos e no acompanhamento de pacientes em uma clínica de cirurgia plástica e nutrologia de Belo Horizonte.

A decisão liminar foi tomada pelo juiz Elias Charbil Abdou Obeid, da 26ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte. Além de suspender o médico, identificado pelas iniciais R.R.C., a Justiça determinou que ele seja substituído na função de diretor técnico da clínica.

A ação civil pública foi apresentada pela Defensoria Pública de Minas Gerais e tramita em segredo de Justiça. Segundo a decisão, os elementos reunidos no processo apontam, em análise preliminar, possíveis condutas que teriam colocado pacientes em situação de risco.

Entre os indícios considerados estão relatos obtidos em inquéritos policiais e sindicâncias do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais. Os documentos apontariam um possível padrão de realização de vários procedimentos cirúrgicos de alta complexidade durante uma mesma sessão.

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Também foram identificadas possíveis falhas no processo de consentimento das pacientes e no acompanhamento realizado após as cirurgias.

Fiscalizações encontraram irregularidades

A decisão levou em consideração ainda o histórico de fiscalização da clínica. De acordo com o processo, o estabelecimento teria funcionado sem alvará sanitário adequado para a realização de procedimentos cirúrgicos em períodos entre 2019 e 2020 e, posteriormente, entre 2021 e 2024.

cirurgia plástica
Decisão aponta possíveis falhas em cirurgias, consentimento e acompanhamento de pacientes; clínica deverá apresentar prontuários

Durante uma vistoria realizada pela Vigilância Sanitária de Belo Horizonte em 26 de abril de 2024, foram encontradas diversas irregularidades. Entre elas estavam instrumentos cirúrgicos com validade expirada e ausência de rastreabilidade de medicamentos.

A clínica informou no processo que atualmente está regularizada e apresentou um alvará sanitário renovado em julho de 2026. Para o magistrado, no entanto, a regularização posterior não afasta as irregularidades identificadas anteriormente.

A decisão também aponta que o novo alvará, por si só, não permite concluir que os procedimentos realizados anteriormente tinham indicação adequada ou que a combinação de diferentes cirurgias e o acompanhamento dos pacientes eram seguros.

Prontuários terão de ser apresentados

A Justiça determinou que a clínica apresente, em até 15 dias, termos de consentimento, prontuários e outros registros clínicos de pacientes submetidas a cirurgias realizadas pelo médico entre 2019 e 2024.

Os documentos deverão ajudar a identificar as pacientes envolvidas na ação civil pública e possibilitar uma análise individual dos atendimentos realizados pelo profissional.

O magistrado também considerou necessário preservar os documentos diante do risco de eventual perda ou ocultação dos registros. Em caso de descumprimento da determinação, poderá ser realizada busca e apreensão do material.

O Ministério Público de Minas Gerais se manifestou favoravelmente ao pedido de tutela de urgência apresentado na ação.

Os envolvidos terão prazo de 15 dias para apresentar defesa. A decisão é liminar, e as circunstâncias e eventuais responsabilidades relacionadas aos fatos ainda serão analisadas durante o andamento do processo.