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Minas Gerais

Irmãos ostentam vida de luxo, alertam a polícia e acabam presos em MG

PCMG prende dois irmãos, bloqueia R$ 7,7 milhões e apreende veículos de luxo em ação contra tráfico, extorsão e agiotagem

02/07/2026 14:31
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Polícia Civil MG/Divulgação
carros de luxo apreendidos na operação Cortina Digital

Belo Horizonte – A ostentação nas redes sociais ajudou a polícia a desvendar um esquema de lavagem de dinheiro e outros crimes e prender suspeitos que tiravam onda na internet em Minas.

Após três meses de investigação, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nesta quinta-feira (2/6), a operação Cortina Digital, que investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e outros crimes. A ação foi coordenada pela Delegacia Regional de Venda Nova, na Grande BH, e resultou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão, bloqueio de mais de R$ 7,7 milhões e apreensão de veículos de luxo.

Os mandados foram cumpridos em Belo Horizonte, Contagem, Betim, Ribeirão das Neves e Santa Luzia. Entre os presos estão dois irmãos, de 37 e 40 anos, identificados pela polícia como Thiago da Silva Cabral e Paulo Henrique da Silva, apontados como líderes do tráfico de drogas em bairros da região Norte da capital e em Ribeirão das Neves.

Postagens nas redes sociais

As investigações começaram após a polícia identificar postagens dos investigados nas redes sociais exibindo veículos de alto padrão e grandes quantias de dinheiro em espécie. A ostentação levantou suspeitas sobre a origem do patrimônio.

carros de luxo operação Cortina Digital
Operação Cortina Digital: os irmãos ostentavam vida de luxo nas redes sociais se passando por influenciadores digitais

Segundo o delegado Domiciano Monteiro, a exibição de riqueza foi o ponto de partida para a investigação. “As investigações iniciaram aproximadamente três meses a partir de postagens em redes sociais de dois dos investigados, onde eles ostentavam veículos de alto padrão e muito dinheiro em espécie. A partir daí, foi identificado que essa organização criminosa movimentou milhões de reais em poucos meses”, afirmou.

Como operava a quadrilha

De acordo com a PCMG, os investigados estruturaram uma ampla rede de lavagem de dinheiro para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com atividades ilícitas. O esquema utilizava empresas de fachada, companheiras e dezenas de pessoas ligadas ao grupo, que movimentavam valores entre diversas contas bancárias e realizavam saques em espécie logo após as transferências, prática conhecida como “zeramento diário de saldo”.

Durante a operação, foram apreendidos seis carros, uma motocicleta e duas motos aquáticas. Entre os bens estão duas BMW, um Audi, duas caminhonetes Toyota Hilux e duas motos aquáticas.

As apurações também identificaram indícios de agiotagem e extorsão. Conforme a investigação, alguns veículos de luxo apreendidos teriam sido entregues por vítimas como forma de quitar dívidas contraídas com o grupo. Mensagens encontradas em transferências via Pix faziam referência ao pagamento de “juros”, reforçando a suspeita da prática de empréstimos ilegais.

Ainda segundo o delegado, os suspeitos tentavam justificar o elevado padrão de vida. “Se passavam por influenciadores digitais em redes sociais, onde demonstravam veículos de luxo e muito dinheiro. As investigações também confirmaram a atuação do grupo com extorsão e agiotagem, inclusive por meio de mensagens relacionadas ao pagamento de juros e da entrega de veículos para quitar dívidas”, destacou.

A operação mobilizou cerca de 60 policiais civis, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do helicóptero Carcará. As investigações continuam para identificar e responsabilizar outros integrantes da organização criminosa.