Mirelle Pinheiro

“Rei da sucata” é apontado como líder de fraude bilionária no DF

As investigações revelam que o esquema do “Rei da Sucata” começou em 2021, com a abertura da primeira de 31 empresas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/Instagram
Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara
1 de 1 Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara - Foto: Reprodução/Instagram

Em junho de 2021, o nome de Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara (foto em destaque) ganhou espaço nas páginas policiais. Conhecido como “Rei da Sucata”, ele foi preso em uma mansão de 3 mil metros quadrados, na Pampulha, em Belo Horizonte (MG), acusado de enriquecer com o comércio clandestino de cobre roubado. Na ocasião, pagou uma das maiores fianças já vistas no país: R$ 1 milhão.

Quatro anos depois, o empresário reaparece no centro de um esquema bilionário de fraude fiscal desmantelado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que ligou seu nome a uma complexa rede de empresas fantasmas, movimentações financeiras suspeitas e lavagem de dinheiro. Alcântara é o principal alvo da operação da PCDF, que cumpre 15 mandados de busca e apreensão.

As investigações revelam que o esquema de Alcântara começou em junho de 2021, com a abertura da primeira de 31 empresas noteiras – negócios de fachada criados apenas para emitir notas fiscais falsas. Em apenas 48 horas, uma dessas firmas chegou a movimentar R$ 63 milhões em notas frias.

Essas empresas — muitas vezes registradas em nome de pessoas humildes, até beneficiárias do Bolsa Família — emitiam documentos que simulavam operações milionárias de compra e venda de metais. O dinheiro “esquentado” seguia para duas companhias de fachada em Tocantins, que repassavam notas ao núcleo principal da fraude, sediado em Minas Gerais e com braços em Goiás e Espírito Santo.

“Esses ‘testas de ferro’ eram empregados de empresas ligadas ao mentor do esquema, que já atuava no ramo de sucata e metais”, explicou à coluna a delegada Marcela Lopes, chefe-adjunta da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (Dot/Decor).

A engrenagem da lavagem

Se o sistema de notas falsas era o motor da fraude, a lavagem de dinheiro foi o combustível que manteve o esquema bilionário de pé. De acordo com a PCDF, Alcântara e seus aliados inovaram ao utilizar Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) como ferramenta para dar aparência de legalidade às movimentações.

Mais de 90% dos direitos creditórios de um dos fundos analisados eram vinculados a empresas do grupo criminoso. “Foi a primeira vez que encontramos esse tipo de uso em um esquema de fraude fiscal”, detalhou Marcela Lopes.

Além dos fundos, o dinheiro ilícito foi transformado em patrimônio ostensivo: 90 veículos, um helicóptero, um avião King Air avaliado em cerca de R$ 10 milhões e um haras em Minas Gerais, que movimentava valores 17 vezes maiores que sua renda declarada. A coluna apurou que o haras é o VJR.

Do cobre às notas frias

Essa não é a primeira vez que Alcântara aparece como protagonista em investigações bilionárias. Em Minas, ele já havia sido apontado como um dos maiores receptadores de cobre roubado do país, fornecendo matéria-prima reciclada para grandes indústrias.

Para mascarar a origem do material, segundo a polícia, o cobre era triturado e derretido antes de chegar às fábricas. Na época, a Receita Estadual estimou um prejuízo de R$ 250 milhões em impostos sonegados apenas em Minas Gerais.

O que está em jogo agora

Na Operação Falso FIDC, deflagrada nesta semana, a PCDF cumpriu 15 mandados de busca e apreensão, sequestrou 11 imóveis, e bloqueou cotas de fundos de investimento avaliadas em R$ 95 milhões.

A suspeita é que Alcântara era o mentor e beneficiário final do esquema, embora as empresas estivessem em nome de empregados e laranjas.

Agora, os próximos passos da investigação miram o detalhamento da atuação de cada integrante e o rastreamento dos valores. Alcântara e demais investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e crimes tributários.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?