Governo de MG divulga destino de acervo, mas oposição aponta ausências
Obras de Inimá de Paula e Carlos Bracher não foram citadas pela presidente da Codemge Luísa Barreto durante a audiência na ALMG

Belo Horizonte – Uma audiência pública convocada para esclarecer o destino do acervo do Palácio das Mangabeiras terminou sem encerrar a disputa entre governo e oposição. Enquanto a presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, apresentou a destinação de obras de arte, móveis e livros retirados do imóvel, deputados afirmaram que parte dos quadros não foi apresentada e cobraram um inventário completo para permitir a conferência do patrimônio.
Durante a audiência pública realizada nesta quinta-feira (16/7) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a diretora-presidente da Codemge negou que o acervo do Palácio das Mangabeiras esteja “desaparecido” e realizou uma apresentação sobre os itens que integram o acervo e sobre a sua destinação. Mas o deputado estadual Leleco Pimentel (PT) afirma que faltam peças.
Barreto afirmou que o governo passou as últimas semanas catalogando e organizando as informações que apontam onde todos os objetos estão armazenados, distribuídos em órgãos e entidades estaduais, e o registro de localização de cada um deles.
O deputado petista, membro da Comissão de Cultura da ALMG, disse que Barreto não apresentou imagens e nem mencionou o destino de alguns dos quadros que estavam no palácio.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Não temos destinação de onde estão os quadros de Portinari, Carlos Scliar, Emeric Marcier, Inimá de Paula, Delpino e do Bracher, que não foi citado”, afirmou o parlamentar do PT.
Questionado sobre o destino dos quadros que estavam no Palácio, o governo de Minas, afirmou que “estão expostos ao público em sistema de revezamento, conforme curadoria: ou seja, ora estão nas salas comuns do Palácio da Liberdade, ora estão na reserva técnica ou setor administrativo”.
A lista de obras de arte que estavam no local tem como autores importantes nomes mineiros, como Carlos Bracher, Ivan Marchette e Inimá de Paula. Luísa Barreto alegou que 90 obras de arte estão no Palácio da Liberdade e duas estão no Palácio Tiradentes.
Além deles, o local contava com quadros de Emeric Marcier, Wilde Lacerda, J.B. Miranda, Paulo Roberto Frade Laender, Regina Vateri, Massimo Campigli, Delpino, Kenedy Antônio de Oliveira e Conceição Piló.
Após a audiência, Leleco afirmou que, apesar das falas, não há um inventário anterior para comparação entre os itens que pertencem ao acervo.
“Não há como se ter uma fiscalização sem o inventário de fato do que havia no palácio para a gente conhecer. Nós estamos falando de quê? Nós estamos procurando o quê? Nós temos aqui a ausência completa de informações do que compunha o acervo histórico, patrimônio material, quais os bens do palácio. Sem esta inventariança completa, o que não foi entregue aqui, nós não temos condições de dar início ao processo de averiguação que nós estamos em curso”, afirmou.
Livros e mobília
Sobre os mais de 1.200 livros, o governo afirma que foram incorporadas ao acervo de Biblioteca Pública Estadual para receberem tratamento adequado. Já os móveis que estavam no palácio, o governo mineiro afirma que foram divididos entre o Gabinete Militar do Governador (GMG), a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e a Secretaria de Governo (Segov).
“Ao GMG, foram repassados 16 itens, sendo: 2 abajures, 2 poltronas estofadas, 1 mesa baixa bege, 1 divã branco e 2 mesas de canto altas de cor marrom. Todos esses itens se encontram no Palácio da Liberdade, divididos entre área administrativa, de acesso restrito aos funcionários, ou expostos. Além disso, 8 almofadas também foram repassadas e, conforme legislação vigente, por serem bens de consumo, não receberam placa de patrimônio, tendo sido leiloados posteriormente.
À Secult, foram encaminhados 31 itens, sendo: 2 abajures, 4 sofás, 2 poltronas estofadas, 2 mesas de centro baixas quadradas, 1 mesa de centro oval, 4 poltronas estofadas, 1 mesa branca, um conjunto com 1 mesa de jantar e 6 cadeiras, 1 divã marrom, 2 mesas de canto com tampo de vidro, 2 poltronas modelo Graz, 1 sofá curvo branco, 1 televisor Sharp e 1 aparador preto moderno. Com exceção das poltronas modelo Graz e do sofá curvo branco, que seguem no Palácio das Mangabeiras em uso, todos os demais itens estão guardados em galpão da Codemge (entreposto) em Belo Horizonte, com acesso restrito.
À SEGOV, foram repassados 16 itens, sendo 8 cadeiras giratórias; 3 cadeiras de acrílico transparente e 5 banquetas. Todos esses itens foram leiloados em 2021, nos termos da legislação vigente, com os devidos registros cabíveis”, afirmou por meio de nota.
Deputada aciona MPMG para investigar possíveis irregularidades
A deputada estadual Lohanna França (PV) protocolou junto ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) uma notícia de fato para apurar possíveis irregularidades na preservação, utilização, gestão e destinação do patrimônio que havia no local.
A parlamentar alega que o objetivo da denúncia é investigar se os procedimentos administrativos e técnicos para a retirada do material do Palácio das Mangabeiras, incluindo guarda e conservação, seguiram as normas de proteção ao patrimônio cultural.
Durante uma visita recente ao imóvel, que antes funcionava como residência para o governador de Minas Gerais, parlamentares identificaram que parte do mobiliário e do acervo local não estavam mais presente, o que gerou uma série de pedidos de inventários antes da abertura do espaço para comparação com o atual.



