Família do tráfico em MG vivia no luxo com dinheiro lavado da cocaína. Vídeo
Organização que movimentou R$ 70 milhões, acumulou patrimônio de alto padrão e abastecia diversos estados com cocaína vinda da Bolívia
atualizado
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Belo Horizonte – Uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 70 milhões com o tráfico internacional de cocaína ostentava um patrimônio composto por carros importados, imóveis de luxo, ranchos, embarcações e cavalos de raça. Pai (chefe da quadrilha), duas filhas, a esposa e os genros foram alvo da Operação Mens Occulta, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (2/5).
As investigações noticiadas pelo Metrópoles na Coluna de Mirelle Pinheiro apontam que o grupo, sediado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro obtido com a venda de drogas e está ligado à apreensão de 2,9 toneladas de cocaína transportadas da região de fronteira entre Brasil e Bolívia.
Pai e filhas são apontados como núcleo central
As investigações apontam que o principal núcleo da organização era formado por Mario Sergio Nunes e suas filhas, Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes.
Brenda, formada em Direito e atuando como advogada, é apontada pela Polícia Federal como braço direito do pai dentro da estrutura criminosa. Já Bruna exercia a profissão de psicóloga infantil.
Conforme a investigação, apesar de possuírem atividades profissionais formais, “os rendimentos declarados não eram compatíveis com o elevado padrão de vida mantido pela família.
Mario Sergio Nunes, apontado como líder da organização, possui antecedentes por tráfico de drogas e, segundo a PF, adotava uma estratégia para evitar exposição direta, permanecendo nos bastidores das operações e delegando funções aos subordinados.
O nome da operação, “Mens Occulta”, expressão em latim que significa “mente oculta”, faz referência justamente à forma discreta e estratégica de atuação atribuída ao investigado.
Prisões em hotel levantam suspeita de fuga
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, Mario Sergio Nunes e sua filha Brenda foram localizados e presos em um hotel na cidade de Uberaba.
De acordo com o delegado Felipe Garcia, a circunstância chamou a atenção dos investigadores, que trabalham com a hipótese de que ambos poderiam estar planejando uma possível fuga diante das recentes apreensões realizadas pela Polícia Federal.
Já a outra filha investigada era considerada foragida no momento da divulgação inicial da operação. Além dos integrantes centrais da família, a esposa de Mario e os genros também foram alvos de medidas judiciais.
Patrimônio de luxo impressiona investigadores

As apurações revelaram um patrimônio milionário acumulado pelos investigados por meio, segundo a PF, de recursos provenientes do tráfico de drogas.
Entre os bens identificados estão ranchos às margens da Represa de Miranda, apartamentos de alto padrão, embarcações, motos aquáticas, veículos importados, cavalos de raça e um motorhome de luxo avaliado em aproximadamente R$ 1,2 milhão.
O veículo, equipado com cozinha completa, sala de televisão, dois quartos e dois banheiros, era frequentemente utilizado em viagens para competições equestres na cidade de Barretos (SP), onde uma das suspeitas participava de provas de três tambores.
Os investigadores também identificaram a aquisição de cavalos de raça avaliados em cerca de R$ 50 mil cada, além de imóveis e veículos considerados incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos suspeitos.
A ação policial
A operação mobilizou aproximadamente 230 policiais federais para cumprir 25 mandados de prisão preventiva e 49 mandados de busca e apreensão em dez municípios distribuídos por Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Somente em Uberlândia foram executados 29 mandados de busca.
Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava a região de Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, como principal corredor de abastecimento de cocaína. A droga era transportada por meio de caminhões e veículos de carga, seguindo até Uberlândia, onde era armazenada e redistribuída para diversos estados brasileiros.
Ao longo das investigações, que resultaram em 11 prisões em flagrante relacionadas ao grupo, foram apreendidas aproximadamente 2,9 toneladas de cocaína. A quantidade demonstra a dimensão da estrutura criminosa e sua importância dentro da cadeia do tráfico de drogas no país.
Investigação começou após grande apreensão
De acordo com o delegado da Polícia Federal Felipe Martins Perez Garcia, a investigação teve início em 2024 após uma significativa apreensão de cocaína oriunda da região de Corumbá.
A partir da análise de aparelhos celulares apreendidos com motoristas envolvidos no transporte da droga, os investigadores conseguiram identificar que o destino da carga era Uberlândia. O aprofundamento das diligências permitiu chegar à liderança da organização criminosa e mapear toda a estrutura responsável pela distribuição dos entorpecentes.
‘O grupo tinha forte influência no abastecimento de cocaína no Triângulo Mineiro e mantinha uma ampla rede logística que permitia o envio da droga para cidades de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados da federação.”, relatou o delegado.
Mario Sergio Nunes, apontado como líder da organização, possui antecedentes por tráfico de drogas e, segundo a PF, adotava uma estratégia para evitar exposição direta, permanecendo nos bastidores das operações e delegando funções aos subordinados.
O nome da operação, “Mens Occulta”, expressão em latim que significa “mente oculta”, faz referência justamente à forma discreta e estratégica de atuação atribuída ao investigado.
Empresas de fachada movimentaram milhões
“O grupo estruturou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro para ocultar os lucros obtidos com o tráfico de cocaína’, explicou o Felipe Garcia.
Segundo as investigações, pessoas eram recrutadas para fornecer seus dados pessoais e empresariais para a abertura de empresas de fachada. Muitas dessas empresas sequer funcionavam nos endereços registrados, mas recebiam movimentações financeiras milionárias.
Relatórios de inteligência financeira identificaram a circulação de aproximadamente R$ 70 milhões em valores sem lastro econômico comprovado nos últimos cinco anos.
“Os recursos eram direcionados para a compra de bens de luxo, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro pelas autoridades.”, explicou o delegado.
Corredor internacional da cocaína
As investigações apontam que a cocaína era produzida em países vizinhos e chegava ao Brasil pela região de Corumbá, um dos principais corredores utilizados por organizações criminosas para a entrada de drogas no território nacional.
A partir do Mato Grosso do Sul, os entorpecentes eram escondidos em caminhões e transportados até Minas Gerais. De Uberlândia, a droga seguia para centros consumidores em diferentes regiões do país.
Para os investigadores, a estrutura logística montada pela organização demonstrava alto grau de planejamento e capacidade operacional, permitindo o transporte de grandes volumes de cocaína sem despertar suspeitas.
Crimes investigados
Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As penas somadas para esses delitos podem ultrapassar várias décadas de prisão, especialmente para aqueles apontados como líderes ou financiadores do esquema.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas medidas poderão ser adotadas a partir da análise dos materiais apreendidos durante a operação.
Impacto regional
Segundo o delegado Felipe Martins Perez Garcia, “a desarticulação da organização representa um golpe significativo no fornecimento de cocaína para o Triângulo Mineiro e outras regiões do país.”
A expectativa das autoridades é que a operação reduza a capacidade logística do grupo e interrompa uma importante rota de distribuição de drogas que operava há anos entre a fronteira brasileira e grandes centros urbanos.
Com a apreensão de toneladas de cocaína, bloqueio de patrimônio e prisão dos principais suspeitos, a Operação Mens Occulta passa a ser considerada um dos maiores desdobramentos recentes do combate ao tráfico internacional de drogas com base em Uberlândia.









