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Minas Gerais

Deputado diz que quadros e móveis "sumiram" de palácio no governo Zema

Comissão de Cultura da ALMG protocolou uma representação no TCE para saber o destino de itens, obras e mobiliário do Palácio das Mangabeiras

02/07/2026 16:54, atualizado 03/07/2026 11:51
Luiz Santana/ ALMG
Cozinha do Palácio das Mangabeiras

Belo Horizonte – O deputado estadual Leleco Pimentel (PT), representante da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi nesta quinta-feira (2/7) ao Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, para realizar uma fiscalização do desaparecimento de uma série de bens da antiga residência oficial dos governadores.

A inspeção afirmou que diversos itens, como utensílios, tapetes, mais de 40 quadros, móveis, incluindo os que foram adquiridos pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek para a montagem de uma sala de cinema, não estão mais no local, por isso, o parlamentar protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e afirmou que também vai apresentar uma notícia-crime ao Ministério Público.

O objetivo é saber onde estão os objetos e em que condições estão. A fiscalização ocorreu após o secretário de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, afirmar em sessão em 17 de junho, na ALMG, que chegou a encontrar parte do acervo do Palácio das Mangabeiras “craquelado” e “danificado” em posse da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), entre as obras estão quadros de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.

O petista afirmou que o ex-secretários já vinham alertando sobre a retirada de itens do Palácio desde 2021 e responsabilizou o secretário-geral de governo à época, o atual governador Mateus Simões (PSD), pelo cuidado com o patrimônio.

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“Nós não temos mais a memória desse Palácio dos Mangabeiras, infelizmente, por uma decisão de governo, que numa falsa humildade de que não moraria aqui para economizar, acabou surrupiando, levando embora o patrimônio do povo, roubando”, disse Leleco.

Desde 2019, quando o governador Romeu Zema (Novo) assumiu o cargo, o local que antes era a residência oficial do governador passou a ser usado como centro privado de exposições, abrigando eventos como CasaCor, sob o argumento que era um sinal dos privilégios dos políticos e que a medida reduziria os gastos.

A comissão da Assembleia vai solicitar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) um inventário dos itens e a localização deles.

O que diz o governo de Minas

O governo do estado informou, em nota, que “os bens existentes no Palácio das Mangabeiras foram devidamente inventariados por ocasião da mudança de função do imóvel e destinados aos órgãos e entidades responsáveis por sua guarda, uso, conservação e controle patrimonial”.

“A destinação desses bens observou os procedimentos administrativos aplicáveis à gestão patrimonial da Administração Pública estadual, com os respectivos registros nos sistemas de controle do Estado. Parte dos itens integra atualmente o uso cotidiano de órgãos e entidades estaduais, enquanto outros permanecem sob guarda em locais apropriados e com acesso restrito a servidores autorizados”, diz o texto.

Os órgãos ainda dizem que os itens permanecem identificados, registrados e submetidos aos mecanismos de controle patrimonial da administração pública estadual. “Também continua à disposição dos órgãos de fiscalização e controle para prestar novos esclarecimentos que se fizerem necessários”, finaliza a nota.

A reportagem do Metrópoles, contudo, questionou a todos os mencionados (governo de Minas, Codemg, PMMG e Iepha-MG) sobre quais bens estão sob a tutela dos órgãos e se existe um inventário sobre a saída dos itens do palácio, mas não houve retorno sobre essas questões. Todos responderam com a mesma nota enviada pelo governo mineiro.