Campanha de Lula admite erros até no discurso após derrota nas urnas
Aliados avaliam que Lula deveria ter reunido lideranças vitoriosas pelo Brasil para mostrar reação no primeiro pronunciamento após a votação
05/10/2026 12:26

Os erros da campanha de Lula chegaram até o primeiro discurso depois do resultado desastroso das urnas. A avaliação de pessoas da campanha ouvidas pela coluna é que o presidente perdeu uma oportunidade de mostrar força e capacidade de reação logo na abertura do segundo turno.
Lula apareceu cercado por Simone Tebet, Marina Silva e Fernando Haddad. São aliados importantes, que devem continuar próximos. Mas o palanque precisava ser mais amplo e representar também as lideranças que saíram fortalecidas da eleição pelo país.
Depois de tantas derrotas, era necessário mostrar que o campo de Lula também tinha vitórias e nomes capazes de mobilizar o eleitor. Aquele pronunciamento poderia ter transformado essa força regional numa imagem de reação nacional.
No Nordeste, havia lideranças como Jerônimo Rodrigues, Elmano de Freitas, Rafael Fonteles, Cadu Xavier, Rui Costa, Jaques Wagner, Cid Gomes, Luizianne Lins, Humberto Costa, João Azevêdo, Marília Arraes e Veneziano Vital do Rêgo para mobilizar.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo Norte, Helder Barbalho e Omar Aziz. No Sudeste, Renato Casagrande e Marília Campos. No Centro-Oeste, Leandro Grass. A campanha precisava colocar essa gente em movimento e dar visibilidade à força política espalhada pelo Brasil.
A crítica é que o olhar permaneceu excessivamente concentrado em São Paulo. Num momento em que Lula precisava demonstrar disposição para uma virada, faltou representar o restante do país e oferecer aos apoiadores uma imagem capaz de disputar espaço com o clima de derrota.
Lula já começa a se movimentar para corrigir essa imagem. A coluna confirmou que encontros com lideranças que saíram fortalecidas das urnas devem começar nos próximos dias, entre elas Elmano de Freitas, Cid Gomes e Luizianne Lins. A tendência é que o presidente amplie a participação desses aliados na campanha e procure transformar a força regional deles em mobilização para o segundo turno.
A escolha do palanque importa porque comunica o tamanho da reação que o candidato pretende organizar. E aquelas lideranças precisam participar também da definição dos temas, da mobilização nas ruas e da disputa por votos.
Integrantes da campanha reconhecem que o primeiro turno acumulou erros. Corrigi-los exige ouvir quem mostrou capacidade de falar com o eleitor e abrir espaço para que essas lideranças ajudem a conduzir o segundo turno.
Lula tem força política para tentar uma virada. Mas precisa reunir a força dos outros. E precisa fazer isso agora.




