BH tem R$ 19,8 milhões em obras contra deslizamentos paradas
Prefeitura cita distrato, revisão de projetos e interferências em obras da Copasa entre os motivos para a falta de avanço
08/10/2026 02:00

Belo Horizonte – A capital mineira chega ao início do período chuvoso com seis contratos de obras de prevenção e contenção paralisados, segundo dados do portal de transparência da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi). Juntos, os acordos representam aproximadamente R$ 19,8 milhões em investimentos e abrangem pelo menos 14 pontos de Belo Horizonte.
As intervenções estão espalhadas por seis regionais e incluem obras para estabilização de encostas, recuperação de sistemas de drenagem, contenção de áreas de risco e recuperação de espaços degradados. Parte dos locais está em regiões classificadas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) como de risco alto ou muito alto.
Um dos contratos com execução interrompida é o UB-089/22, de R$ 5,03 milhões, que contempla intervenções no Jardim Alvorada, Padre Eustáquio e Vila Beira Linha. O acordo prevê, entre outras ações, a estabilização de uma encosta entre as ruas Flor de Ameixa e Flor de Caqui, no Jardim Alvorada.
Segundo a PBH, porém, a relação contratual com a empresa responsável pela execução está sendo encerrada por meio de distrato. A prefeitura afirma que houve descumprimentos contínuos durante a vigência do contrato, comprometendo o cumprimento das obrigações previstas.
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O maior dos contratos paralisados é o AJ-003/18, que soma R$ 9,46 milhões. O acordo prevê projetos executivos, contenções e construção de moradias para famílias afetadas em áreas como as vilas Alvorada, Nova Cachoeirinha II, Cabana do Pai Tomás e Nossa Senhora Aparecida, além dos conjuntos Minas Caixa e Felicidade.
A PBH afirma que será necessária uma reprogramação do contrato. De acordo com o Executivo, mudanças na topografia e na geometria de algumas encostas modificaram as condições inicialmente consideradas nos projetos. Por isso, os locais precisam passar por nova avaliação técnica e complementação dos estudos.
Na Região Centro-Sul, o UB-035/25, de R$ 823,7 mil, está relacionado a intervenções na Vila Nossa Senhora de Fátima. O projeto inclui contenção no Beco Mangueiras, implantação de escada e guarda-corpo e melhorias na drenagem.

Nesse caso, a prefeitura informou que o escopo está sendo revisto após um escorregamento ocorrido na área. Segundo a administração municipal, a situação impede, neste momento, a continuidade dos serviços.
No Aglomerado Santa Lúcia, o contrato UB-040/23, de R$ 1,38 milhão, prevê demolições e retirada de entulho. A PBH informou que aguarda a conclusão das remoções antes de iniciar as demolições previstas.
Já nas vilas Mariquinhas e Boa União, o UB-049/22, de R$ 1,41 milhão, contempla obras de estabilização de encostas. O município afirma que os projetos executivos estão em fase final de análise e que essa etapa é necessária para a retomada dos trabalhos.
Na Região Izidora, o contrato UB-064/24, de R$ 1,71 milhão, prevê ações para reduzir riscos geológicos, recuperar áreas degradadas e melhorar o sistema viário e a drenagem da Ocupação Vitória.
Segundo a PBH, a execução foi afetada pela implantação de redes de abastecimento de água da Copasa na região. A prefeitura afirma que as interferências com os serviços da companhia impedem, atualmente, o prosseguimento das intervenções previstas.
Cidade tem obras de macrodrenagem paradas
A preocupação com a chegada das chuvas não se limita às encostas. A PBH também trabalha para destravar projetos de macrodrenagem considerados importantes para reduzir os impactos dos temporais na capital.
Entre eles estão os reservatórios Vilarinho 2 e Nado 1, em Venda Nova. Cada estrutura terá capacidade para armazenar aproximadamente 105 milhões de litros de água, e o investimento conjunto previsto chega a R$ 263 milhões.
A licitação para a retomada do Vilarinho 2 já está em andamento. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o reservatório tem atualmente cerca de 50% de funcionalidade e já possui contrato para instalação e operação das bombas.
O Nado 1, por sua vez, ainda passa por revisão de projeto. A previsão informada pela prefeitura é que as obras sejam retomadas em 2027.

Defesa Civil monitora 48 áreas de risco
A preparação ocorre depois de um setembro com chuvas acima do esperado e diante da possibilidade de eventos extremos ao longo da temporada.
O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Elcione Menezes, afirmou que o cenário exige preparação para diferentes condições climáticas.
“Hoje, não cabe mais discutir se haverá mudança climática, porque ela já é uma realidade. Precisamos nos adaptar.”
De acordo com a Defesa Civil, 48 áreas de risco são monitoradas atualmente em Belo Horizonte. O acompanhamento é feito 24 horas por dia pelo Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), que reúne representantes de 20 órgãos públicos.
A estrutura utiliza mais de 4,5 mil câmeras, além de informações sobre córregos, alagamentos, quedas de árvores e outras ocorrências.
Durante temporais, a orientação da Defesa Civil é evitar ruas alagadas e locais onde haja correnteza. Em situações de ventania, a recomendação é permanecer longe de árvores e buscar abrigo em construções de alvenaria. Dentro de casa, portas e janelas devem permanecer fechadas, e tentar ficar em áreas mais protegidas do imóvel.



