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Minas Gerais

El Niño acende alerta para barragens e pilhas de mineração em MG

ANM cobra reforço na segurança, enquanto municípios mineradores pedem revisão da fiscalização diante de eventos extremos

01/10/2026 02:00
ANM/Divulgação
mineradora

Belo Horizonte – O avanço do fenômeno El Niño colocou em alerta a segurança de barragens, pilhas e outras estruturas de mineração no Brasil, inclusive em Minas Gerais. Diante da possibilidade de condições climáticas mais extremas, a Agência Nacional de Mineração (ANM) recomendou que empresas do setor reforcem sistemas de drenagem, monitoramento geotécnico, inspeções e planos de emergência.

O alerta ocorre enquanto órgãos federais apontam alta probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027. O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições como ANA, Inpe, Inmet e Cemaden, aponta possibilidade de um episódio de intensidade muito forte entre a primavera e o verão.

Para Minas Gerais, a previsão para setembro, outubro e novembro indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média, mas o cenário não elimina a ocorrência de episódios de chuva intensa. As instituições responsáveis pelo monitoramento destacam que o El Niño produz efeitos diferentes conforme a região e recomendam acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas.

ANM cobra seis medidas de prevenção

Em comunicado aos empreendedores, a ANM recomendou seis frentes de prevenção. Entre elas estão a verificação das condições de sistemas de drenagem superficial, estruturas extravasoras e equipamentos de bombeamento, garantindo capacidade de resposta durante eventos hidrometeorológicos críticos.

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A agência também orientou o reforço do monitoramento dos instrumentos instalados nas estruturas e a intensificação das inspeções, principalmente durante e depois de períodos de chuva forte. As condições de taludes, acessos, ombreiras e demais componentes devem ser avaliadas em busca de erosões, infiltrações, trincas e movimentações de massa.

Outra preocupação é a preparação para situações de emergência. As mineradoras devem manter sistemas de comunicação e alerta operacionais e ampliar a articulação com órgãos de proteção e defesa civil.

A ANM reforçou ainda que a responsabilidade pela segurança das estruturas é do empreendedor. Alterações nas condições de segurança, incidentes ou emergências devem ser comunicados imediatamente à agência.

Municípios pedem mudança na fiscalização

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig) também levou a preocupação à ANM. A entidade pediu que a fiscalização de barragens e pilhas considere os possíveis efeitos do El Niño e uma eventual mudança na intensidade, frequência e distribuição das chuvas.

A associação argumenta que parte da infraestrutura de mineração utiliza parâmetros hidráulicos e regulatórios baseados em séries históricas de precipitação. Em um cenário de eventos mais intensos do que os registrados nessas séries, esses parâmetros poderiam deixar de representar adequadamente as condições enfrentadas pelas estruturas.

Entre os riscos apontados estão o aumento da infiltração e da saturação dos materiais, elevação da pressão interna, redução da resistência dos taludes, erosão superficial e interna, aumento das vazões, sobrecarga dos sistemas de drenagem, redução da borda livre, extravasamentos e instabilidade localizada.

A Amig defende ainda que alertas meteorológicos severos sejam usados como gatilhos para aumentar a frequência das inspeções. A proposta inclui acompanhamento mais intenso de níveis d’água, drenagem, vazões, poropressões, deformações, surgências e processos erosivos.

Mineradoras reforçam preparação

Enquanto o debate sobre a fiscalização avança, empresas com operações em Minas Gerais anunciaram medidas preventivas.

A Jaguar Mining, que possui operações de ouro no estado, divulgou um plano para diferentes cenários associados ao fenômeno. Entre as ações estão o reforço dos sistemas de bombeamento, manutenção e limpeza das drenagens pluviais, melhorias em estradas e acessos, estabilização de taludes e reforço de tendas e coberturas industriais.

A companhia também informou que utiliza sistema de monitoramento e alerta meteorológico 24 horas por dia, além de pluviógrafos nas unidades. Para períodos de seca, calor e incêndios, estão previstas ações como implantação de aceiros, manejo da vegetação e treinamento das equipes.

Vale/DivulgaçãoMina Alegria Vale do Rio Doce
Mina Alegria da Vale fica em Mariana (MG) especificamente no distrito de Santa Rita Durão, próximo à região da Serra do Caraça

A Vale também informou que reforçou a preparação para os possíveis efeitos do El Niño, combinando informações de institutos de referência, modelos climáticos internacionais, imagens de satélite, radares e dados de cerca de 70 estações meteorológicas distribuídas em estados onde mantém operações.

A companhia afirmou que vem se preparando de forma antecipada para os possíveis impactos climáticos.

No Norte, onde há previsão de condições mais secas, as ações incluem reforço do monitoramento ambiental, prevenção e combate ao fogo e ampliação da prontidão das equipes de emergência.

No Sudeste, onde pode haver maior variabilidade climática, a Vale intensifica a gestão dos sistemas de drenagem, as inspeções em estruturas operacionais e o monitoramento meteorológico, hidrológico e geotécnico.

A empresa também mantém seus Planos de Emergência permanentemente atualizados e realiza acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e operacionais para apoiar a tomada de decisões preventivas.

El Niño exige atenção a eventos extremos

O El Niño de 2026 foi confirmado pelas instituições de monitoramento climático. A ANA informou que os modelos indicam permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027 e preparou um plano específico para os impactos sobre os recursos hídricos.

Em Minas Gerais, o cenário climático inclui temperaturas elevadas e possibilidade de mudanças rápidas nas condições meteorológicas durante a primavera. Por isso, o monitoramento de barragens, pilhas, taludes e sistemas de drenagem ganha importância como medida preventiva.

A combinação entre as previsões climáticas e a necessidade de segurança das estruturas colocou empresas, órgãos de fiscalização e municípios diante de um mesmo desafio: antecipar possíveis impactos e adotar medidas antes que eventos extremos provoquem danos.