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Minas Gerais

MG: 10 cidades concentram 74% dos royalties da mineração no estado

Vale, Conceição do Mato Dentro e minério de ferro aparecem no topo do ranking dos R$ 3,6 bilhões arrecadados com a CFEM em 2025

17/08/2026 03:00
Vale/Divulgação
MG: 10 cidades concentram 74% dos royalties da mineração no estado

Belo Horizonte — Apenas dez municípios concentraram 74% dos R$ 3,6 bilhões arrecadados com royalties da mineração em Minas Gerais em 2025. Conceição do Mato Dentro lidera o ranking, seguida por Congonhas, Nova Lima, Mariana e Itabira.

O levantamento feito pelo Metrópoles com dados do Observatório da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), da Agência Nacional de Mineração (ANM), também mostra a predominância do minério de ferro e da Vale na atividade mineral do estado.

O minério de ferro gerou R$ 3,09 bilhões, equivalentes a 86,44% de toda a CFEM arrecadada em Minas. Entre as empresas, a Vale recolheu R$ 1,54 bilhão e respondeu sozinha por 43,22% do total — aproximadamente R$ 4 de cada R$ 10 pagos em royalties no estado.

Os royalties

A compensação é o valor que as mineradoras pagam ao poder público pelo direito de explorar recursos minerais, como minério de ferro, ouro e lítio. Na prática, funciona como um royalty da mineração. Esse dinheiro é dividido entre a União, os estados e os municípios onde a atividade ocorre ou é impactada, e pode ser usado para financiar áreas como saúde, educação, obras e infraestrutura.

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Na prática, cerca de 62% dos municípios mineiros tiveram mineração com arrecadação de CFEM em 2025. Ao todo, foram 528 cidades produtoras, 1.591 empresas responsáveis pelo pagamento dos royalties e 2.331 áreas de mineração registradas na ANM.

Ferro, ouro e fosfato

Além da predominância do minério de ferro, o levantamento mostra que outras 134 substâncias minerais também geraram arrecadação no estado. Entre elas, o ouro respondeu por R$ 268,7 milhões (7,53%), seguido pelo fosfato, com R$ 66,3 milhões (1,86%), e pelo calcário, com R$ 44,9 milhões (1,26%).  Confira o ranking:

Vale lidera na mineração

Os dados do Observatório mostram quais empresas mais geraram royalties da mineração em Minas. A Vale liderou o ranking ao recolher R$ 1,54 bilhão, o equivalente a 43,22% de toda a CFEM arrecadada no estado. Ou seja, de cada R$ 10 pagos em royalties da mineração em Minas, cerca de R$ 4 vieram da Vale, que foi a empresa com maior participação na atividade minerária do estado. Veja ranking

Os municípios que mais arrecadaram com a mineração

O ranking também mostra quais municípios mais geraram royalties da mineração em Minas em 2025. O percentual indica quanto cada cidade representa do total arrecadado com a CFEM no estado.

Dependência da mineração

Em Conceição do Mato Dentro, que lidera a lista, a mineração tem peso central nas finanças públicas. Dados do painel Contas Públicas do Brasil, do Tesouro Nacional, mostram que a receita proveniente da exploração de recursos naturais (reúne diferentes compensações financeiras, como os royalties da mineração (CFEM), das usinas hidrelétricas (CFURH), do petróleo e do gás natural) somou R$ 255,46 milhões em 2025, o equivalente a 35,57% de toda a receita do município.

Em 2025, a cidade recebeu cerca de R$ 303 milhões em transferências dos governos federal e estadual. Desse total, R$ 254,6 milhões — aproximadamente 84% — vieram da CFEM. Na prática, isso mostra que a mineração foi, de longe, a principal fonte de recursos recebidos pelo município por meio dessas transferências públicas.

A diferença entre os valores ocorre porque eles se referem a etapas distintas do processo. Os dados do Tesouro Nacional mostram quanto efetivamente entrou nos cofres do município ao longo do ano. Já os números da Agência Nacional de Mineração (ANM) distinguem a arrecadação da CFEM — o que as mineradoras pagam — da distribuição desses recursos, feita no mês seguinte.

Além disso, um município pode receber valores não apenas pela produção mineral em seu território, mas também por ser considerado afetado ou limítrofe à atividade minerária. Por isso, o montante recebido nem sempre é igual ao que foi arrecadado no município.

Apesar de não ter barragens classificadas em níveis de alerta ou emergência no Relatório Mensal de Segurança de Barragens da ANM de junho de 2026, Conceição do Mato Dentro já foi alvo de discussões envolvendo a segurança dessas estruturas.

Em 2025, o Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu o licenciamento para a ampliação de uma barragem de rejeitos da Anglo American no município.

A decisão foi tomada porque o projeto faria com que famílias da comunidade de São José do Arrudas passassem a viver na Zona de Autossalvamento (ZAS), área em que não haveria tempo suficiente para escapar em caso de rompimento da barragem.

Barragens em alerta

Entre os principais municípios mineradores de Minas Gerais — Conceição do Mato Dentro, Congonhas, Nova Lima, Mariana e Itabira —, cinco barragens estavam classificadas em níveis de alerta ou emergência no boletim de junho da ANM.

Os níveis de alerta e emergência funcionam como um termômetro de risco: o nível de alerta indica que a barragem precisa de acompanhamento mais próximo. Já os níveis de emergência (1, 2 e 3) apontam situações mais graves, que exigem medidas de segurança cada vez mais rigorosas.

Em Minas, 28 barragens estão atualmente nessas condições: seis estão em nível de alerta e 22 em nível de emergência — sendo 16 no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3, o mais grave.