BH: médicos da rede pública fazem paralisação de 24h e ameaçam greve
Categoria critica falta de isonomia salarial e suspendeu as atividades por 24 horas na rede municipal de saúde nesta quarta-feira (10/6)
atualizado
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Belo Horizonte – Médicos da rede municipal de saúde paralisaram as atividades em várias unidades de saúde da capital nesta quarta-feira (10/6). A paralisação começou às 7 da manhã e vai até quinta-feira (11/6) às 7h. Os atendimentos de urgência e emergência nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais foram mantidos.
Nesta tarde, o presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), André Christiano dos Santos, além de representantes dos dentistas e de outros profissionais da saúde se reuniram com o Secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte, Guilherme Catunda Daltro.
As reivindicações foram entregues ao secretário, que prometeu dar uma resposta o mais rápido possível para a categoria, de acordo com a assessoria do Sinmed-MG.
Uma nova assembleia está marcada para esta noite de 10 de junho, por videoconferência. A reunião terá como objetivo avaliar possíveis novas propostas da prefeitura e definir os próximos passos do movimento.
Reivindicações da categoria
No dia 2 de junho, durante Assembleia Geral Extraordinária, a categoria considerou insuficientes os termos apresentados pelo Executivo nas negociações da campanha salarial de 2026. Segundo o sindicato, a prefeitura manteve apenas a oferta de reajuste de 4,11% sobre o salário-base, sem estender o índice aos médicos contratados por vínculo administrativo e sem apresentar avanços em outros pontos da pauta.
Categoria denuncia tratamento desigual
Um dos principais pontos de insatisfação entre os médicos é a diferença de tratamento em relação aos demais profissionais da saúde. De acordo com o sindicato, enquanto outras categorias devem receber um acréscimo adicional de 3% em dezembro, médicos e cirurgiões-dentistas ficaram de fora da medida.
Além disso, os profissionais contratados temporariamente não seriam contemplados por qualquer reajuste, situação que gerou forte reação da categoria.
Segundo André Christiano dos Santos, a proposta apresentada pela administração municipal “rompe o princípio da isonomia” ao estabelecer condições distintas para trabalhadores que atuam na mesma rede de saúde.
Além das reivindicações salariais, os médicos também relataram preocupações relacionadas à estrutura da rede municipal. Entre as críticas estão a não renovação de contratos temporários, a redução de postos fixos da Guarda Municipal em unidades de saúde e dificuldades operacionais envolvendo o sistema eletrônico de prontuários.
Para o sindicato, essas questões têm impacto direto tanto nas condições de trabalho quanto na assistência prestada à população.
Ofício formaliza reivindicações
O sindicato encaminhou um documento ao prefeito Álvaro Damião e aos secretários municipais de Saúde, Miguel Paulo Duarte Neto, e de Planejamento, Bruno Passeli. No ofício, a entidade comunicou oficialmente a paralisação e apresentou uma contraproposta com os pontos considerados prioritários pela categoria.
Entre as reivindicações estão a concessão do adicional de 3% aos médicos, a extensão integral do reajuste aos contratos administrativos, a convocação dos aprovados no último concurso público e a reintegração de profissionais que tiveram contratos temporários encerrados.
Palavra da PBH
Em nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Saúde informa que está monitorando a situação e adotando as medidas necessárias para minimizar eventuais impactos no atendimento aos usuários da rede municipal.
“A administração municipal mantém diálogo permanente com os servidores e informa que já recebeu as pautas específicas apresentadas pela categoria médica, que estão sendo analisadas pelas áreas técnicas competentes”, cita a nota.
A Prefeitura informa ainda que atua no reforço dos quadros da Saúde. “Com as nomeações mais recentes, o município alcançou a marca de mais 3,9 mil profissionais convocados neste concurso, o maior volume de nomeações na área da Saúde dos últimos dez anos, incluindo mais de 1,1 médicos, mais de 800 enfermeiros e mais de 400 técnicos de enfermagem, fortalecendo a assistência prestada à população”, cita a PBH.
A PBH ressaltou ainda que respeita o direito constitucional de manifestação dos trabalhadores. “Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de manutenção dos serviços essenciais de saúde, de forma a assegurar a continuidade da assistência à população” diz nota.