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Minas Gerais

BH: família acredita que casal morto foi vítima de mais de uma pessoa

Familiares também suspeitam que a mulher investigada já conhecia o casal; o advogado foi atingindo por 43 golpes a esposa 17

01/07/2026 17:19
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Daniel Galera/ Metrópoles
Fachada do prédio onde casal foi morto em apartamento em BH

Belo Horizonte — A família do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, mortos dentro do apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, acredita que o crime possa ter contado com a participação de mais de uma pessoa. 

Conforme informações das polícias Civil e Militar, uma mulher de 30 anos, apontada como suspeita, ainda não foi localizada.

Ela teria sido indicada para trabalhar na casa do casal como faxineira e foi vista entrando no apartamento no dia do crime e deixando o local com uma bolsa reconhecida pelo filho de Maria Clotilde como sendo da mãe.

Em entrevista ao Metrópoles, um sobrinho do casal, Henrique Maciel, afirmou que, inicialmente, a família foi informada de que a suspeita teria ido ao imóvel pela primeira vez na segunda-feira (29/7). Mas a suspeita agora é outra:

“A primeira informação que tivemos é que ela tinha ido lá na segunda-feira pela primeira vez, mas tudo indica que não foi a primeira vez. Ela foi fazer uma faxina, e agora a gente está tentando descobrir de onde partiu esse contato”, disse.

Segundo o familiar, a expectativa é que a análise dos celulares ajude a esclarecer como a mulher chegou até o casal.

Inicialmente, o boletim  apontava que o advogado havia sido morto com 17 facadas e a esposa, com sete. No entanto, após a perícia no IML, Henrique afirmou ter sido informado pelo médico-legista de que Cláudio sofreu 43 golpes, enquanto Maria Clotilde foi atingida por 17. “Foi uma ação covarde e brutal.”

Após a liberação dos corpos pelo IML, o advogado Cláudio Atala Inácio e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio serão velados nesta quarta-feira (1º/7)
Casal foi encontrado morto no apartamento de luxo onde vivia em BH

Eles acreditam que, mesmo que outra pessoa não tenha ido ao apartamento, pelo menos mais uma, pode estar envolvida.

50 anos de casados

O sobrinho descreveu Cláudio e Maria Clotilde como um casal discreto e muito unido. “Eles eram casados havia mais de 50 anos. Meu tio era advogado e minha tia era dona de casa aposentada. Viviam tranquilamente, viajavam muito e tinham uma vida social ativa“, contou.

De acordo com ele, Cláudio ainda exercia a advocacia, o que chamou a atenção da família quando ele não compareceu ao escritório. “Como ele não apareceu para trabalhar, isso já causou estranheza.”

Foi justamente a falta no trabalho que levou o filho do casal, Felipe, a ir até o apartamento. “Ele ligou, ninguém atendeu. Foi até a casa e também não conseguiu contato. Como a família tinha acesso ao imóvel, entrou e encontrou os dois”, relatou.

A PM constatou que não havia sinais de arrombamento no imóvel. Maria Clotilde foi encontrada caída no chão da sala, em frente ao sofá, enquanto Cláudio estava sobre a cama do quarto. Ambos apresentavam grande quantidade de sangue ao redor dos corpos e aparentes sinais de violência.

Felipe é o único filho do casal. A filha faleceu em 2006; era triatleta e morreu atropelada. “Todo mundo está arrasado. É algo muito triste, inaceitável. Estamos confiando na Polícia Civil para esclarecer tudo”, afirmou o parente.

A família ainda contou que o apartamento onde ocorreu o crime, na Rua Padre Severino, já estava vendido. “Eles iam se mudar em cerca de 15 ou 20 dias para um imóvel no bairro Serra (também na região Centro-Sul de BH)”, disse o sobrinho.

Imagens de segurança

Segundo a PM, imagens de segurança mostram que a suspeita entrou no prédio às 7h30 com uma bolsa e saiu cerca de oito horas depois usando roupas diferentes e carregando duas sacolas grandes, além da bolsa.

Ela não foi encontrada no endereço onde morava, em Ribeirão das Neves (Grande BH), e teria dito à tia que viajaria para o Espírito Santo um dia após o crime. A Polícia Civil informou que ninguém foi preso e que as investigações continuam, sem descartar nenhuma linha de apuração.

Despedida

Os corpos serão velados nesta quarta-feira (1º/7), a partir das 16h15, na Capela 2 do Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na região Oeste de Belo Horizonte.

O sepultamento está previsto para as 17h15, no mesmo cemitério.