BH: família acredita que casal morto foi vítima de mais de uma pessoa
Familiares também suspeitam que a mulher investigada já conhecia o casal; o advogado foi atingindo por 43 golpes a esposa 17

Belo Horizonte — A família do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, mortos dentro do apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, acredita que o crime possa ter contado com a participação de mais de uma pessoa.
Conforme informações das polícias Civil e Militar, uma mulher de 30 anos, apontada como suspeita, ainda não foi localizada.
Ela teria sido indicada para trabalhar na casa do casal como faxineira e foi vista entrando no apartamento no dia do crime e deixando o local com uma bolsa reconhecida pelo filho de Maria Clotilde como sendo da mãe.
Em entrevista ao Metrópoles, um sobrinho do casal, Henrique Maciel, afirmou que, inicialmente, a família foi informada de que a suspeita teria ido ao imóvel pela primeira vez na segunda-feira (29/7). Mas a suspeita agora é outra:
“A primeira informação que tivemos é que ela tinha ido lá na segunda-feira pela primeira vez, mas tudo indica que não foi a primeira vez. Ela foi fazer uma faxina, e agora a gente está tentando descobrir de onde partiu esse contato”, disse.
Segundo o familiar, a expectativa é que a análise dos celulares ajude a esclarecer como a mulher chegou até o casal.
Inicialmente, o boletim apontava que o advogado havia sido morto com 17 facadas e a esposa, com sete. No entanto, após a perícia no IML, Henrique afirmou ter sido informado pelo médico-legista de que Cláudio sofreu 43 golpes, enquanto Maria Clotilde foi atingida por 17. “Foi uma ação covarde e brutal.”

Eles acreditam que, mesmo que outra pessoa não tenha ido ao apartamento, pelo menos mais uma, pode estar envolvida.
50 anos de casados
O sobrinho descreveu Cláudio e Maria Clotilde como um casal discreto e muito unido. “Eles eram casados havia mais de 50 anos. Meu tio era advogado e minha tia era dona de casa aposentada. Viviam tranquilamente, viajavam muito e tinham uma vida social ativa“, contou.
De acordo com ele, Cláudio ainda exercia a advocacia, o que chamou a atenção da família quando ele não compareceu ao escritório. “Como ele não apareceu para trabalhar, isso já causou estranheza.”
Foi justamente a falta no trabalho que levou o filho do casal, Felipe, a ir até o apartamento. “Ele ligou, ninguém atendeu. Foi até a casa e também não conseguiu contato. Como a família tinha acesso ao imóvel, entrou e encontrou os dois”, relatou.
A PM constatou que não havia sinais de arrombamento no imóvel. Maria Clotilde foi encontrada caída no chão da sala, em frente ao sofá, enquanto Cláudio estava sobre a cama do quarto. Ambos apresentavam grande quantidade de sangue ao redor dos corpos e aparentes sinais de violência.
Felipe é o único filho do casal. A filha faleceu em 2006; era triatleta e morreu atropelada. “Todo mundo está arrasado. É algo muito triste, inaceitável. Estamos confiando na Polícia Civil para esclarecer tudo”, afirmou o parente.
A família ainda contou que o apartamento onde ocorreu o crime, na Rua Padre Severino, já estava vendido. “Eles iam se mudar em cerca de 15 ou 20 dias para um imóvel no bairro Serra (também na região Centro-Sul de BH)”, disse o sobrinho.

Imagens de segurança
Segundo a PM, imagens de segurança mostram que a suspeita entrou no prédio às 7h30 com uma bolsa e saiu cerca de oito horas depois usando roupas diferentes e carregando duas sacolas grandes, além da bolsa.
Ela não foi encontrada no endereço onde morava, em Ribeirão das Neves (Grande BH), e teria dito à tia que viajaria para o Espírito Santo um dia após o crime. A Polícia Civil informou que ninguém foi preso e que as investigações continuam, sem descartar nenhuma linha de apuração.
Despedida
Os corpos serão velados nesta quarta-feira (1º/7), a partir das 16h15, na Capela 2 do Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na região Oeste de Belo Horizonte.
O sepultamento está previsto para as 17h15, no mesmo cemitério.


